sexta-feira, 25 de maio de 2018

ENTREGAR-SE ao nosso Bom Deus



ENTREGAR-SE


“Várias vezes, Nosso Senhor já havia me dado conhecer o quanto era útil, para o progresso de uma alma desejosa de perfeição, ENTREGAR-SE sem reserva à ação do Espírito Santo. Mas, nesta manhã, a divina Bondade dignou-se me agraciar com uma visão toda particular. Estava me preparando para começar minha meditação, quando ouvi o ressoar de vários sinos chamando os fiéis para assistir aos divinos Mistérios. Neste momento, desejei unir-me a todas as missas que estavam sendo celebradas e com este intuito, dirigi a minha intenção para que participasse de todas elas. Tive então uma visão geral de todo o universo católico e de uma profusão de altares nos quais se imolava, ao mesmo tempo, a adorável Vítima.

O Sangue do Cordeiro sem mancha corria abundante sobre cada um desses altares que me pareciam envoltos numa leve fumaça que subia para o céu. Minha alma era tomada e penetrada por um sentimento de amor e de gratidão à vista dessa tão abundante satisfação a nós oferecida por Nosso Senhor. Mas também surpreendia-me muito o fato de que o mundo inteiro não se achasse santificado em consequência. Perguntava-me como era possível que o Sacrifício da Cruz, oferecido uma só vez, tenha sido suficiente para salvar todas as almas e que, renovado tantas vezes, não bastasse para santificá-las todas. Eis a resposta que julgo ter ouvido: - O Sacrifício é sem dúvida suficiente por si mesmo e o Sangue de Jesus Cristo mais que suficiente para a santificação de um milhão de mundos, mas às almas falta corresponder generosamente. Pois o grande meio para entrar na via da perfeição e da Santidade – é o de ENTREGAR-SE ao nosso Bom Deus.

Mas que significa ENTREGAR-SE? Percebo toda a extensão desta expressão “ENTREGAR-SE”, porém não posso explicitá-la. Sei apenas que é muito extensa e abrange o presente e o porvir.

ENTREGAR-SE é mais que se dedicar; é mais que se doar; é até maior que se abandonar a Deus. ENTREGAR-SE, finalmente, significa morrer a tudo e a si mesmo, não se preocupar mais com o EU a não ser para mantê-lo sempre orientado para Deus.

ENTREGAR-SE é ainda mais que não se procurar a si mesmo em nada, nem no espiritual, nem no corporal; quer dizer deixar de procurar a satisfação própria, mas unicamente o bel-prazer divino.

É preciso acrescentar que “ENTREGAR-SE” significa, também, esse espírito de desapego que não se prende em nada, nem nas pessoas, nem nas coisas, nem no tempo, nem nos lugares. É aderir a tudo, submeter-se a tudo.

Mas, talvez se acredita que isso seja muito difícil de se conseguir. Desenganem-se, não existe nada mais fácil de se fazer e nada tão suave de se praticar. Tudo consiste em fazer uma só vez um ato generoso, dizendo com toda a sinceridade de sua alma: “Meu Deus, quero ser inteiramente seu (sua), queira aceitar minha oferenda”. E tudo será dito.

Permanecer de agora em diante nesta disposição de alma e não recuar diante de nenhum dos pequenos sacrifícios que possam servir ao nosso progresso em virtude. Lembrar-se que SE ENTREGOU.

Rogo a Nosso Senhor que forneça o entendimento desta expressão a todas as almas desejosas de Lhe agradar, inspirando-lhes um meio de santificação tão fácil. Oxalá fosse possível compreender de antemão toda a suavidade e toda a paz que se desfruta quando não se guarda reserva com nosso Bom Deus!

De que forma Ele se comunica com a alma que O procura com sinceridade e que soube ENTREGAR-SE. Experimentem e vereis que lá é que se acha a felicidade procurada em vão alhures.

A alma entregue encontrou o Paraíso na Terra, pois ali goza esta paz suave que constitui em parte a felicidade dos eleitos”.


Santa Teresa Couderc

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Como organizar um Altar Familiar


Como deve ser ornado o lar?


Devem expor-se à vista da criança os objetos mais próprios à elevação dos pensamentos e formação do coração:
1º Imagens de piedade;
2º Quadros morais e patrióticos;
3º Livros e jornais católicos




1º Imagens de piedade


Quais devem ser, sob o ponto de vista da educação, os primeiros ornamentos da casa?

O crucifixo deve estar colocado nos lugares mais frequentados da casa.

Pelo menos, na sala onde se reúnem com mais frequência, deve haver algumas imagens bem escolhidas: um exemplo, da Santíssima Virgem, de São José, da Sagrada Família ou dos santos padroeiros.


Que precauções se devem tomara respeito das imagens religiosas?

1º) É preciso escolher imagens perfeitas e rejeitar, sem piedade, essas representações grotescas, ridículas, deformadas por gosto, e que se multiplicam sob pretexto de boa venda ou com um destino particular: "Isto é para crianças!" costuma dizer-se.

Muitas vezes, perguntamos a nós mesmos se certas estátuas e certas imagens não foram postas em circulação pelo diabo com maléfica intenção sobrenatural.




2º) É preciso ser piedosaSe lhes faltam a inspiração religiosa, é necessário que, ao menos, guardem o respeito das conveniências, e que não dêem, aos santos e as santas, atitudes que no-las façam repudiar com horror!

"Já vistes, por exemplo, numa oficina dum pintor, uma Santa Cecília? É uma mulher qualquer, sempre bela, bem entendido; passeia os dedos sobre as cordas duma harpa, duma lira, talvez duma guitarra, ou sobre o teclado dum piano; a boca entreaberta, os olhos levantados para o céu e a cabeça circundada duma auréola dão-lhe um ar inspirado (porque a auréola é, para o artista, o sinal inevitável da santidade). E o pintor vos dirá com o ar mais grave deste mundo:

- Aqui está a Santa Cecília que deseja.
- Mas, observareis, Santa Cecilia andava, com certeza, menos decotada. É provável que nunca expussesse à vista as espáduas nuas e alvas, como agora vejo.
- Tenho a certeza, replicará o pintor, de que é uma santa Cecília. Ninguém o sabe melhor do que eu, porque fui eu mesmo que a fiz.
Que se há-de responder? Inclinarmo-nos e fingirmos que acreditamos, se assim o entendermos." (Deposier, ob. cit, p 79-80)








2º Os quadros morais e patrióticos



Que se deve entender por quadros morais e patrióticos?

- É preciso compreender que tudo o que se apresenta aos olhos da criança(estátuas, imagens, gravuras, quadros, cromos, etc.) deve ter o cunho de nobreza, de grandeza, de beleza; deve pretender servir de ilustração aos conselhos do pai e da mãe, e gravar-se na memória da criança como uma recordação digna de estima e um incentivo de virtude.







3º Os livros e os jornais católicos


A questão dos livros e dos jornais é assim tão importante?

- Sim, mais do que geralmente se pensa. Se há tantos católicos anemicos e ilógicos, é porque não iluminam  o seu espírito com a verdadeira luz; porque não aquecem o coração a uma chama santa; porque não alimentam a alma com o pão da vida.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Jovem cristã: Dirás a mesma coisa?


Jovem cristã: Dirás a mesma coisa?




Dentro do meu peito tenho três corações: um de fogo para Deus, outro de carne para meu próximo, outro de bronze para mim - dizia Vicente Ferrer, santo e apostólico missionário.


Vamos lá, jovem cristã, de fato há também em teu peito alguma coisa de fogo, de carne, de bronze. Mas será na ordem citada pelo santo? É bem possível que o mundo tenha as labaredas de teu coração, teus caprichos e vontades tenham suas compaixões e o próximo fique com o duro bronze da indiferença, do egoísmo cruel, do ódio e da vingança.


Tanta cristã é vagarosa em se aquecer pelas coisas de Deus, ou tão teimosa em ficar tíbia diante dos convites divinos. Se de fato tivesse um coração em chamas por Deus, iria inegavelmente receber o braseiro de amor que é Deus na Hóstia consagrada.


Almas suaves para consigo - eis como o Espírito Santo chama as criaturas que fogem dos sacrifícios onde quer que os encontrem, mesmo na sombra do dever de cada dia. Entretanto, esse coração de carne, senhorita, o deves empregar nas relações com o próximo, que reclama tua benevolência e teu perdão; que abusa da tua paciência, que exige heroísmos de tua parte, com uma sem-cerimônia alarmante.


Para teus caprichos e "suavidades" hás de contar com o coração diante de algum sacrifício, nada de lhes lembrar sofrimentos passados, ingratidões suportadas, amizades traídas.


E nota-te uma coisa: esse coração de carne, esse coração benévolo e compassivo para com o próximo, é um sol fecundo na sociedade. Pois toda ação compassiva conduz a outra. Um só ato desse gênero deita raízes em toda parte e das raízes brotam novas plantinhas. Um só ato benigno não morre, mas estende as ondas invisíveis de sua influência através de séculos.


Tendo no coração fogo para Deus, carne para o próximo e bronze para ti mesma, serás feliz e farás felizes a inúmeros seres. E a felicidade, o contentamento interno é a atmosfera na qual se fazem coisas por Deus.


(Audi Filia! Páginas para moças, pelo Pe. Geraldo Pies de Souza)

terça-feira, 22 de maio de 2018

Da perfeita modéstia


“Ora, para conservar em ti este espírito de temor, de dor e de desejoexerce-te extermente numa perfeita modéstia, justiça e piedade, afim de que, segundo escreve o Apóstolo, "renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivas sóbria, justa e piedosamente neste século".

Exerce-te numa perfeita modéstia para que, segundo a doutrina do Apóstolo, "a tua modéstia seja conhecida por todos os homens".

Exerce-te primeiro na modéstia da parcimônia no comer e vestir, no dormir e vigiar, no recreio e no trabalho, não excedendo a medida em coisa alguma.

Depois, exerce-te na modéstia da disciplinacom moderação no silêncio e no falar, na tristeza e na alegria, na clemência e no rigor, conforme as circunstâncias o exigem e a sã razão o prescreve.


Finalmente, exerce-te na modéstia da civilidade, regulando, ordenando e compondo as ações, os movimentos, os gestos, as vestes, os membros e sentidos, conforme requer a educação moral e o costume na ordem, para que merecidamente pertenças ao número daqueles aos quais o Apóstolo diz: "Faça-se tudo entre vós com decência e ordem".


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"
Por São Boaventura

segunda-feira, 21 de maio de 2018

AS VIRTUDES E A VIDA INTERIOR A VIRTUDE DA ESPERANÇA


A palavra de Deus é uma luz que no-Lo mostra à nossa inteligência e, assim, estabelece a fé; mas é também uma promessa que nos assegura sua posse e, portanto, estabelece a esperança.
1º Natureza da esperança.
A esperança é uma virtude teológica infusa que nos inclina a esperar, com garantia firme, a bem-aventurança eterna do céu e os meios necessários para alcançá-la. Portanto, a esperança tem como objeto o próprio Deus: Deus como fim e Deus como meio.
 Deus como fim: o objeto principal da esperança é a posse eterna de Deus, ou a bem-aventurança eterna do céu.
2º Deus como meio: o objeto secundário da esperança é o conjunto de socorros úteis ou necessários para chegar à posse de Deus, e que podem ser: — de ordem sobrenatural: o perdão de nossos pecados, a graça santificante, as graças atuais para triunfar contra nossos inimigos espirituais, para praticar as virtudes de nosso estado, para tender eficazmente à perfeição; a graça da perseverança final; — ou também favores temporais, na medida em que se relacionam com a bem-aventurança eterna e nos são necessários ou úteis alcançá-la.
2º Fundamento de nossa esperança.
A esperança cristã apoia-se na natureza de Deus, em suas promessas e em seus dons.
 A natureza de Deus. Tem-se confiança em alguém na medida em que pode e quer socorrer. Agora, Deus, por sua natureza: é todo-poderoso, realiza tudo o que quer, e sabe inclusive transformar em meio soberanamente eficaz o que se levanta como obstáculo insuperável; é infinitamente bom, uma vez que “Deus é caridade” (IJo. 4 16), e quer comunicar-nos os bens e felicidade de que Ele mesmo goza.
2º As promessas de Deus. Deus comprometeu sua divina palavra para tudo o que concerne nossa salvação e perfeição: — palavra escrita, pois as promessas divinas constituem o objeto fundamental de toda a Sagrada Escritura; — a palavra confirmada com juramento reiteradas vezes: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão” (Mt. 24 35); — palavra dotada a nossos olhos de todas as garantias imagináveis: Deus a selou com milagres e profecias, fundou a Igreja para guarda-la e transmiti-la, criou o apostolado para pregá-la, o pontificado para interpretá-la, o martírio para confirmá-la.
 Os dons e penhores de Deus. Estes dons e penhores são sobretudo três: Jesus, Maria e a Igreja.
  • JESUS: “Tanto Deus amou o mundo, que deu a seu Filho unigênito, a fim de que todos os que n’Ele creem não pereçam, mas que tenham a vida eterna” (Jo. 3 16). Para ser nosso Salvador, o Verbo se fez carne e habitou entre nós, morreu por nós na cruz, subiu à direita de seu Pai com o fim de ser constituído nosso Advogado e Mediador, e ao mesmo tempo continua misteriosamente entre nós e se dá a cada um de nós, por meio da Eucaristia.
  • MARIA, a que honramos com os títulos de “Mater sanctæ spei” e “Spes mostra”: pois se o Pai nos dá seu Filho como penhor, o Filho por sua vez nos dá como penhor a sua Mãe, tornando-a nossa Mãe: sendo MÃE DE DEUS, está muito próxima de Deus, é todo-poderosa sobre seu Coração e dispõe como quer dos tesouros infinitos de suas graças; e sendo NOSSA MÃE, está muito próxima de nós, é bondade e misericórdia para conosco, e está sempre disposta a dispensar-nos a mancheias as graças divina.
  • A IGREJA: por ela Deus nos assegura as luzes infalíveis da fé, que nos guiam para nossos destinos eternos, e os multíplices e fáceis meios para santificar-nos cada vez mais: Sacramentos, Liturgia, Santa Missa.
3º Qualidades da esperança.
Nossa esperança deve ser inquebrantável, acompanhada de grande desconfiança de nós mesmos, e laboriosa.
1º Incomovível, porque se apoia em Deus. Toda dúvida voluntária seria uma injúria a Deus, à sua bondade, a seu poder, à sua fidelidade; injúria à mediação de Jesus e de Maria.
2º Acompanhada de grande desconfiança de nós mesmos, pela simples razão de que, embora sempre devemos tudo esperar de Deus, também devemos temer tudo de nossa inconstância, de nossa debilidade, de nossas misérias.
3º Laboriosa, ou seja, valorosa e ativa; porque a esperança cristã exige esforços incessantes: — primeiramente, para desprender-se dos gozos terrenos e manter-se no desejo e espera certa dos bens eternos; — e depois, para vencer a preguiça espiritual e empregar todos aqueles meios aos quais Deus prometeu o céu: a oração, os sacramentos, a correspondência às graças divinas, etc.
4º Excelência da esperança.
A esperança é essencial: —  para a salvação, porque é ela que, mediante o desejo e espera segura do céu, mantém nossa alma habitualmente orientada para seu fim sobrenatural; — para a perfeição, porque ao mesmo tempo nos assegura tudo o que pode favorecer nosso progresso espiritual e nossa ação apostólica, a saber, as graças de Deus, nossos esforços de boa vontade, e uma atmosfera de paz e alegria espirituais.
  1. As graças de Deus, primeiro fator de toda atividade sobrenatural. A confiança é a medida das graças de Deus: segundo o dizer dos Santos, Deus é o oceano de todas as graças, e a confiança é a taça que dele bebemos; quanto maior seja, maior será também a abundância de graças que d’Ele obteremos.
  2. Nossos esforços de boa vontade, segundo fator de toda atividade sobrenatural. A perspectiva certa do céu e a segurança de sermos sustentados pela graça de Deus, são um incentivo que nos excita, uma alavanca que multiplica nossas forças, um respaldo que estimula nossa atividade “Inclinei meu coração ao cumprimento de teus mandamentos, pela esperança do galardão” (Sl 118 112).
  3. Uma atmosfera de paz e de alegria sobrenaturais, atmosfera particularmente propícia para o desenvolvimento de nossa vida sobrenatural e para sua irradiação apostólica. Sustentados pela perspectiva do céu e apoiados no socorro de Deus, não nos deixamos entristecer nem abater pelas provas da vida presente, mas, ao contrário, as acolhemos como a mais fecunda semente de alegrias eternas e de colheitas apostólicas.
Por isso dizia Monsenhor Gay que, “se a esperança natural é a alma da vida humana, a esperança sobrenatural, nascida do batismo, é a alma da vida sobrenatural”. E assim, quanto mais perfeita seja nossa esperança, maiores passos nos fará dar na santidade, e maiores obras nos levará a realizar no âmbito do apostolado.
5º Prática da esperança.
A esperança é um dom de Deus: por isso, há que pedir a Deus sem cessar pela oração e os sacramentos que a acrescente em nós. Mas depois há que exercer e desenvolver esta virtude por meio de atos repetidos de esperança inquebrantável na felicidade do céu e nos auxílios necessários que Deus nos outorga para chegar a Ele. Importa muito, sobretudo, fazer atos de esperança e de confiança filial nas seguintes circunstâncias:
 Antes da oração e da recepção dos sacramentos, porque sua eficácia depende do grau de esperança cristã e de confiança filial com que os recebemos.
2º Em presença de atrativo dos gozos e alegrias temporais, que são os adversários natos da esperança cristã, porque tendem a afogar os santos desejos do céu e a colocá-los nos bens desta terra. Há que opor em seguida, a tudo o que o mundo tem de sedutor, a perspectiva certa do céu, e dizer com os Santos: “Eu sou feito para coisas maiores”; “de que me vale isto para a eternidade?”. Deste modo, os gozos temporais, longe de deter-nos, servir-nos-ão de ocasião para tomar um novo impulso para o céu e para Deus, centro e fonte de todo bem.
 Em presença de toda tentação de desânimo, qualquer que seja sua causa: nossos pecados passados, as faltas de momento, tentações violentas de momento, etc.:
  1. Se o desânimo procede de recordação dos pecados passados, devemos apoiar-nos nas promessas de misericórdia de Deus e na eficácia do sacramento da penitência. “Ainda que vossos pecados fossem vermelhos como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve” (Is. 1 18). “Mesmo se reuníssemos em nossa pessoa a rebelião de Lúcifer, a desobediência de Adão, o fratricídio de Caim, a traição de Judas, os escândalos dos heresiarcas e todos os crimes que mancharam a terra antes e depois do dilúvio, ainda seria um dever rigoroso. para nós termos esperança… Se Caim e Judas se condenaram, foi menos por seus crimes do que por haver desesperado de obter perdão” (PADRE CHAMINADE).
  2. Se o desânimo é provocado por uma falta de momento, devemos recordar que o desalento seria mais injurioso a Deus e mais nefasto a nossa alma que a própria falta; que essa falta, seja qual for, desaparece sob o efeito de um ato de penitência e de amor a Deus: “Muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou” (Lc. 7 47); que esta falta pode inclusive volver-se em proveito de nossa alma se, em lugar de desalento, converte-se em ocasião de um crescimento de humildade, de desconfiança em si mesmo, de confiança em Deus, e de boa vontade em seu serviço. “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam” (Rm. 8 28), “mesmo os pecados”, acrescentam Santo Agostinho e São Francisco de Sales, dando como exemplo o rei Davi, Maria Madalena e São Pedro.
  3. Se o desânimo procede de tentações violentas e persistentes, ou de grande perigos, ou de grandes provas, ou de deveres que parecem demasiado difíceis, devemos recordar que, embora é certo que nada podemos por nós mesmos, não é menos certo que “tudo podemos n’Aquele que nos fortalece” (Fl. 4 13); e que “tudo é possível para quem se apoia em Deus pela fé e a confiança” (Mc. 22).
4º Ante a perspectiva da morte, devemos aceitá-la quando e como apraza a Deus enviando-a, em um movimento de confiança e abandono filial à sua vontade infinitamente sábia e amável. Desta maneira renderemos a Deus a homenagem mais preciosa a seus olhos, e a mais meritória para nossa alma.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Catecismo Ilustrado - Parte 39 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe



Catecismo Ilustrado - Parte 39

Os Mandamentos

4º Mandamento de Deus (continuação): Honrar pai e mãe

1. Este mandamento obriga também os pais de alguma coisa para com os filhos. Devem os pais: 1º educar bem os filhos cristãmente com palavras e bom exemplo; 2º procurar-lhes os alimentos e modo de vida; 3º castigá-los em suas faltas sem aspereza nem demasiada severidade.

2. O primeiro dever dos pais é amar a todos os seus filhos igualmente com ternura cristã e sem fraqueza. Devem considerar os filhos como um tesouro que Deus lhes confiou e do qual lhes há de pedir rigorosa conta.

3. Dizemos que os pais devem educar cristãmente os filhos, isto é, devem ensinar-lhes as orações e os principais mistérios da religião; mandá-los à catequese e a uma escola cristã onde recebam uma instrução religiosa; levá-los a amar a Deus e a evitar o pecado; fazer-lhes cumprir as suas obrigações religiosas.

4. Os pais devem procurar aos filhos um modo de vida conforme a sua condição econômica e posição social, e não devem opor-se à vocação dos filhos. Não devem desejar para os filhos senão o que Deus quer, como no-lo mostra a resposta de Jesus à mãe dos Apóstolos João e Tiago. “Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, prostrando-se, para Lhe fazer um pedido. Ele disse-lhe: "Que queres?. Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no Teu Reino, uma à Tua direita e outro à Tua esquerda". Jesus disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber? Eles responderam-Lhe: “Podemos”. Disse-lhes: "Efetivamente haveis de beber o  Meu cálice, mas, quanto a sentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda, não pertence a Mim concedê-lo; será para aqueles para quem  está reservado por Meu Pai.
Os outros dez, ouvindo isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes; "Vós sabeis que os príncipes das nações as subjulgam e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós, mas todo aquele que quiser ser entre vós o maior, seja vosso servo, e quem quiser se enre vós o primeiro, seja vosso escravo. Assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para resgate de  todos" (Mat XX, 20-28)
5. Quando dizemos que os pais devem castigar os filhos, entendemos que os pais devem vigiar o comportamento dos filhos, repreendê-los e castigá-los quando fizerem o mal, sem aspereza e com a única intenção de emendá-los.

6. Pela obrigação do bom exemplo entendemos que o pai e a mãe devem cumprir com os seus deveres religiosos: a oração, a assistência à Missa, a frequência dos Sacramentos, e evitar tudo quanto poderia levar os filhos ao pecado, como as blasfêmias, murmurações, palavras desonestas e de zombaria contra a religião.

Explicação da gravura

7. Divide-se a gravura em cinco partes. Vemos no meio Santa Ana ensinando a ler a Santíssima Virgem ainda menina. Vê-se São Joaquim, pai da Virgem, contemplando-A com paternal ternura.

8. No ângulo superior à direita está representada Branca de Castela ensinado o seu filho São Luís de França (S. Luís IX) a rezar e dizendo-lhe: “Meu filho, antes quero ver-te morto do que a cometer um pecado mortal”.

9. No ângulo esquerdo vê-se um senhor que obriga o filho a pedir perdão a um pobre, que não respeitara.

10. Na parte inferior vemos o sumo sacerdote Heli castigado por Deus, por ele não ter castigado os filhos cujo mau comportamento afastava o povo do serviço do Senhor. Os filhos dele, Ophni e Phiné foram mortos numa batalha contra os Filisteus. Recebendo o a fatal notícia, o pai caiu e quebrou a cabeça nos degraus do seu trono.

Leia todos os artigos pelo link abaixo;
https://osegredodorosario.blogspot.com.br/2017/07/catecismo-ilustrado.html

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências


Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 1)

Como ensina São Gregório Magno e, depois dele, Santo Tomás, os pecados capitais de vanglória ou vaidade, preguiça, inveja, ira, gula e luxúria não são os mais graves de todos, pois maiores são os de heresia, apostasia, desesperação e de ódio a Deus; mas são os primeiros a que se inclina nosso coração, levando-nos a nos afastar de Deus e a cometer outras faltas ainda mais graves.

O homem não chega à perversão absoluta de uma vez, mas pouco a pouco.

Examinemos primeiro, em si mesma, a raiz dos sete pecados capitais.


Todos eles se originam no amor desordenado de si mesmo ou egoísmo, que nos impede de amar a Deus sobre todas as coisas e inclina a nos apartarmos dele.

É evidente que pecamos, i. e., que nos desviamos de Deus e nos afastamos dele cada vez que tendemos para um bem criado, indo contra a vontade divina.

Isto é a consequência fatal de um amor desordenado de nós mesmos, que vem a ser a fonte de todo pecado. Por conseguinte, não só é necessário moderar esse amor desordenado ou egoísmo, mas também é preciso mortificá-lo, para que o amor ordenado ocupe seu lugar. Enquanto o pecador em estado de pecado mortal se ama a si sobre todas as coisas, praticamente antepondo-se a Deus, o justo ama a Deus mais que a si e deve, além disso, amar-se em Deus e por Deusamar seu corpo de tal maneira que sirva à alma, não lhe obstando a vida superior; amar a alma convidando-a a participar eternamente da vida divinaamar sua inteligência e vontade, de modo que participem mais e mais da luz e do amor de DeusEste é o sentido profundo da mortificação do egoísmo, do amor e da vontade próprios, opostos à vontade de Deus.

Além disso, não deve permitir que a vida descenda, mas, pelo contrário,que ascenda em direção daquele que é fonte de todo o bem e de toda a beatitude.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 2)

O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25).

Desse desordenado amor, raiz de todos os pecados, nascem as três concupiscências de que fala São João (I João 2, 16) quando diz: “Porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, e concupiscência dos olhos, e soberba da vida; e isto não vem do Pai, mas do mundo”.

Observa Santo Tomás que os pecados carnais são mais vergonhosos que os espirituais porque nos rebaixam ao nível do animal; contudo, os espirituais, os únicos que se compartilham com o demônio, são mais graves, porque vão diretamente contra Deus e nos afastam dele.

concupiscência da carne é o desejo desordenado do que é ou parece útil à conservação do indivíduo ou da espécie, e deste amor sensual provêm a gula e a luxúria.

concupiscência dos olhos é o desejo desordenado do que agrada a vista, o luxo, as riquezas, o dinheiro que nos proporciona os bens terrenos; dela nasce a avareza.

A soberba da vida é o desordenado amor da própria excelência e de tudo aquilo que pode ressaltá-la; quem se deixa levar pela soberba, erige-se a si em seu próprio deus, a exemplo de LúciferDaí se vê a importância da humildade, que é virtude capital, tanto quanto o orgulho é fonte de todo pecado.

São Gregório e Santo Tomás ensinam que a soberba é mais que um pecado capital: é a raiz da qual procedem mormente quatro pecados capitais: vaidade, preguiça espiritual, inveja e ira.

vaidade é o amor desordenado de louvores e de honras; a preguiçaespiritual se entristece pensando no trabalho requerido para santificar-se; a ira, quando não é uma indignação justificada e sim um pecado, é um movimento desordenado da alma que nos inclina a rechaçar violentamente o que nos desagrada, de onde se seguem as disputas, injúrias e vociferações.

Estes pecados capitais, sobretudo a preguiça espiritual, a inveja e a ira,engendram tristezas amargas que afligem a alma e são totalmente contrários à paz espiritual e ao contentamento, ambos frutos da caridade.

Não deve o homem apenas contentar-se em moderar tais germes de morte, senão também mortificá-los.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências. Parte 3

prática generosa da mortificação dispõe a alma para outra purificação mais profunda que Deus mesmo realizacom o fim de destruir completamente os germes de morte que ainda subsistam em nossa sensibilidade e faculdades superiores.

Mas não basta considerar as raízes dos sete pecados capitais; é preciso analisar suas consequências.

Como consequências do pecado se entendem geralmente as más inclinações que os pecados deixam em nosso temperamento, mesmo depois de apagados pela absolvição.

Entretanto, também pode entender-se como consequências dos pecados capitais os demais pecados que têm sua origem neles.

Os pecados capitais assim se chamam porque são um como princípio de muitos outros; temos, em primeiro, inclinação para eles e depois, por meio deles, para outras faltas às vezes mais graves.

É dessa forma que a vanglória gera desobediência, jactância, hipocrisia, disputas, discórdia, afã de novidades, pertinácia.

preguiça espiritual conduz ao desgosto das coisas espirituais e do trabalho de santificação, em razão do esforço que exige, engendrando a malícia, o rancor ou a amargura contra o próximo, a pusilanimidade ante o dever, o desalento, a cegueira espiritual, o esquecimento dos preceitos, a busca do proibido.

Igualmente, a inveja ou desagrado voluntário do bem alheio,bem que temos como mal nosso, engendra o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria do mal alheio e a tristeza por seus triunfos.

Por sua vez, a gula e a sensualidade geram outros vícios e podem conduzir à cegueira espiritual, ao endurecimento do coração, ao apego à vida presente até à perda da esperança da vida eterna, ao amor de si mesmo até ao ódio de Deus e à impenitência final.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 4)

Frequentemente, os pecados capitais são mortais. Podem existir de uma maneira muito vulgar e baixa, como em muitas almas em pecado mortal, ou bem podem também existir, nota São João da Cruz, em uma alma em estado de graça, como outros tantos desvios da vida espiritual. Por isso se fala às vezes da soberba espiritual, da gula espiritual, da sensualidade e da preguiça espiritual.

A soberba espiritual inclina, por exemplo, a fugir daqueles que nos dirigem reprimendas, ainda quando tenham autoridade para isso e no-las dirijam justamente; também pode levar-nos a guardar-lhes certo rancor em nosso coração.

Quanto à gula espiritual, poderia fazer-nos desejar consolos sensíveis na piedade, até o ponto de buscarmos nela mais a nós mesmos que a Deus. É o orgulho espiritual a origem do falso misticismo.

Felizmente, diferentemente das virtudes, estes vícios não são conexos, ou seja, pode-se possuir uns sem os outros, e muitos são até contrários entre si: assim, não é possível ser avaro e pródigo ao mesmo tempo.

A enumeração de todos estes tristes frutos do exagerado amor de si deve levar-nos a um sério exame de consciência e nos ensina, ademais, que o terreno da mortificação é muito extenso, se quisermos viver uma vida cristã profunda.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências. Parte 5

O exame de consciência, longe de apartar-nos do pensamento de Deus, aponta-nos para ele. Deve-se inclusive pedir-lhe luz para enxergar um pouco a alma como o próprio Deus a vê, para enxergar o dia ou a semana que passaram como se os víssemos escritos no livro da vida, à maneira de como os veremos no dia do Juízo Final.

Por isto temos de repassar cada noite, com humildade e contrição, as faltas cometidas de pensamento, palavra, ação e omissão.

No exame deve-se evitar a minuciosa investigação das menores faltas, tomadas em sua materialidade, pois semelhante esforço poderia fazer-nos cair em escrúpulos e esquecer coisas mais importantes.

Trata-se menos de uma completa enumeração das faltas veniais que da investigação e acusação sinceras do princípio de onde geralmente procedem.

A alma não deve se deter em demasia na consideração de si mesma, deixando de olhar para Deus. Pelo contrário há de se perguntar, tendo os olhos fitos em Deus:
·        Como julgará Deus este dia ou semana que agora termina?
·        Foi este dia meu ou de Deus?
·        Busquei a ele ou a mim?

Desse modo, sem turbação, a alma julgar-se-á desde um plano elevado, à luz dos preceitos divinos, tal como se julgará no último dia. Mas, como diz Santa Catarina de Sena, não separemos a consideração de nossas faltas do pensamento da infinita misericórdia. Olhemos nossa fragilidade e miséria ao lume da infinita bondade de Deus que nos alevanta. O exame, feito deste modo, longe de desalentar-nos, aumentará nossa confiança em Deus.

Por contraste, a visão de nossos pecados nos esclarece o valor da virtude. O que melhor nos revela o valor da justiça é a dor que a injustiça produz. A imagem da injustiça que cometemos e o pesar de tê-la cometido devem nos despertar a “fome e sede de justiça”. Por contraste, é necessário:
·        que a fealdade da sensualidade nos revele a beleza da pureza;
·         que a desordem da ira e da inveja nos faça compreender o alto valor da mansidão e da caridade;
·        que as aberrações da soberba nos ilustrem acerca da elevada sabedoria da humildade.

Peçamos a Deus inspirar-nos um santo aborrecimento do pecado, que nos separa da divina bondade, da qual tantos benefícios recebemos e esperamos para o porvir.

Esse santo ódio do pecado não é, de certa forma, senão o outro lado do amor de Deus. É impossível amar profundamente a verdade sem detestar a mentira, amar de coração ao bem, e o soberano Bem que é Deus, sem que por sua vez detestemos o que nos separa de Deus.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 6)

A maneira de evitar a soberba é pensar com frequência nas humilhações do Salvador e pedir a Deus a virtude da humildade.

Para reprimir a inveja, temos de rogar pelo próximo, desejando-lhe o mesmo bem que para nós desejamos.

Aprendamos igualmente a reprimir os movimentos da ira, afastando-nos dos objetos que a provocam, trabalhando e falando com doçura.

Esta mortificação é absolutamente indispensável.

Pensemos que temos que salvar nossa alma e que ao nosso redor há muito bem a se fazer, sobretudo na ordem espiritual.

Não esqueçamos que devemos trabalhar pelo bem eterno dos demais e empregar, para consegui-lo, os meios que o Salvador nos ensinou: a morte progressiva do pecado, mediante o progresso nas virtudes e principalmente no amor de Deus.



Excerto do livro "As três idades da vida interior"
do padre Reginald Garrigou-Lagrange

Como Rezar o Terço

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