sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sto. Afonso Maria de Ligório dá exemplos da Escritura que mostram que os pecados de um homem são limitados e, em certo ponto, a misericórdia de Deus cessa para o homem e a Sua justiça começa


30moedas
Deus está pronto para curar aqueles que sinceramente desejam mudar suas vidas, mas não pode ter pena do pecador obstinado. O Senhor perdoa pecados, mas Ele não pode perdoar aqueles que estão determinados a ofendê-lo

Querendo ou não, a relativização do conceito de livre-arbítrio da criatura bem como a equivocada concepção de misericórdia e justiça de Deus — disseminados pelas falsas doutrinas da “espiritualidade planetária” neopagã e liberal vigente — sua nefasta influência acabou por contaminar muitos teólogos e peritos progressistas, arquitetos do Concílio Vaticano II. Por isso, em todo lugar se ouve uma estranha e inédita exaltação à misericórdia ilimitada de Deus e que a paciência de Deus não tem limites.
Mas não é isto o que ensina Nosso Senhor, nem o magistério bimilenar, conforme claramente podemos constatar no presente exemplo de pregação do grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório. 
O Fundador dos Redentoristas, em seu sermão do primeiro domingo do Advento, adverte os fiéis de que o homem não deve abusar da misericórdia de Deus e imaginar que sempre haverá tempo para se arrepender e ser salvo. De fato, a misericórdia de Deus não tem limites, até o ponto em que esses limites são exigidos pela Sua sabedoria e justiça. A partir dessa premissa, meditemos nas seguintes e fundamentais advertências de Sto. Afonso Maria de Ligório sobre o verdadeiro conceito de Misericórdia e Justiça de Deus:
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No Evangelho deste dia, lemos que, depois de ter ido para o deserto, Nosso Senhor Jesus Cristo permitiu que o Diabo o colocasse sobre o pináculo do templo e lhe dissesse: “Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s). ” Mas o Senhor respondeu que nas Sagradas Escrituras também está escrito:.. “Não tentarás o Senhor teu Deus”.
O pecador que se abandona numa vida de pecado sem que se esforce para resistir às tentações, ou sem, pelo menos, pedir a ajuda de Deus para vencê-las, e espera que o Senhor, um dia, o atraia a partir desse abismo, tenta Deus para que faça milagres, ou melhor, para que mostre a ele uma misericórdia extraordinária não estendida à maioria dos cristãos.
Como diz o Apóstolo, Deus “quer que todos os homens sejam salvos ” (I Tim 2: 4.), mas Ele também quer que todos nós desejemos trabalhar para a nossa própria salvação, pelo menos, adotando os meios de superar os nossos inimigos e de obedecê-lo quando Ele nos chama ao arrependimento.
Os pecadores ouvem os apelos de Deus, mas se esquecem desses apelos e continuam a ofendê-lo. Mas Deus não os esquece. Ele contabiliza as graças que nos dispensa, bem como os pecados que nós cometemos. Assim, quando o tempo que Ele fixou se completa, Deus nos priva de suas graças e começa a infligir o castigo.
Pretendo mostrar neste discurso que, quando os pecados alcançam um determinado número, Deus não mais perdoa. Preste atenção.

O número de pecados que Deus perdoará é fixo

1. São Basílio, São Jerônimo, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e outros Padres ensinam, que, assim como Deus fixou para cada pessoa o número dos dias de sua vida, e os graus de saúde e talento que Ele lhes dará — de acordo com as palavras da Escritura: “Vós ordenastes todas as coisas na medida, número e peso” (Sb 11, 21) — assim também Ele determinou para cada um o número de pecados que Ele perdoaráE quando este número for concluído, Ele não perdoará mais.
2. “O Senhor me enviou para curar os contritos de coração” (Is 61, 1). Deus está pronto para curar aqueles que sinceramente desejam mudar suas vidasmas não pode ter pena do pecador obstinadoO Senhor perdoa pecados, mas Ele não pode perdoar aqueles que estão determinados a ofendê-lo.
Também não podemos exigir de Deus a razão pela qual Ele perdoa uma pessoa de uma centena de pecados, e a outros os arrebata dessa vida, enviando-os para o inferno, logo após três ou quatro pecados. Por Seu Profeta Amós, Deus disse: “Por causa de três transgressões de Damasco, e por quatro, não irei convertê-la” (1:3).
No entanto, devemos adorar os juízos de Deus, e dizer com o Apóstolo: “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos!” (Rm 11, 33).
Aquele que recebe o perdão, diz Santo Agostinho, é perdoado pela pura misericórdia de Deus; e os que são castigados, são justamente punidos. Quantos Deus têm enviado para o inferno com a primeira ofensa?
São Gregório relata que uma criança de cinco anos, que havia chegado ao uso da razão, foi arrebatada pelo diabo e levada para o inferno por ter pronunciado uma blasfêmia.
A Santíssima Mãe de Deus revelou a uma grande serva de Deus, Benedita de Florença, que um rapaz de 12 anos, foi condenado após o seu primeiro pecado.
Outro menino de oito anos morreu depois de cometer seu primeiro pecado e se perdeu.
Você diz: “Eu sou jovem; há muitos que cometeram mais pecados do que eu”. Mas, por esse motivo, será Deus obrigado a esperar o seu arrependimento e sua obstinação em ofendê-lo?
No Evangelho de São Mateus (21, 19), lemos que o Salvador amaldiçoou uma figueira na primeira vez em que a viu sem frutos. “Que nenhum fruto cresça em ti doravante para sempre. E imediatamente a figueira secou.”
Você deve, então, tremer só de pensar em cometer um único pecado mortal, especialmente se você já tiver sido culpado de pecados mortais.

Quando a medida da culpa é completada, Deus castiga o pecador com Sua justiça

3. “A propósito de um pecado perdoado, não estejas sem temor, e não acrescentes pecado sobre pecado”.(Eclesiastes 05:05) Por isso — oh pecador! — Não diga: “Uma vez que Deus me perdoou outros pecados, Ele vai me perdoar este se eu cometê-lo.” Não diga isso, pois, se para o pecado que lhe foi perdoado você adiciona outro, você tem razão para temer, pois este novo pecado deve ser unido à sua ex-culpa, e, portanto, o número será completado, e você deve ser abandonado.
Eis como a Escritura se desenvolve essa verdade mais claramente em outro lugar: “Quanto às outras nações, o Senhor espera pacientemente, antes de puni-las, que tenham enchido a medida de suas iniquidades”. (2 Mac 6, 14)
Deus espera com paciência, até que certo número de pecados seja cometido, mas, quando a medida da culpa é completada, ele não mais espera, mas castiga o pecador. “Tu selaste como num saco os meus crimes, puseste um sinal sobre minhas iniquidades”. (Jó 14:17)
Os pecadores multiplicam seus pecados sem fazer-lhes conta, mas Deus contabiliza o número deles; então, quando a colheita está madura, ou seja, quando o número de pecados se completa, Ele pode vingar-se deles. “Tomai as foices, porque a colheita está madura”. (Joel 3:13)
4. Há muitos exemplos desses nas Escrituras. Falando dos hebreus, o Senhor em um só lugar diz: “Nenhum dos homens que viram a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, que me provocaram já dez vezes e não me ouviram, verá a terra que prometi com juramento aos seus pais. Nenhum daqueles que me desprezaram a verá”. (Num 14: 22-23)
Em outra passagem, Ele diz que conteve sua vingança contra os amorreus, porque o número de seus pecados não fora concluído: “Porque a iniquidade dos amorreus não chegou ainda ao seu cúmulo”. (Gen 15: 16)
Temos novamente o exemplo de Saul, que, depois de ter desobedecido a Deus uma segunda vez, foi abandonado. Ele suplicou a Samuel para interceder perante o Senhor em seu nome: “Agora, peço-te, perdoa o meu pecado, e volta comigo para que eu adore o Senhor”. (1 Sm 15:25) Mas, sabendo que Deus tinha abandonado Saul, Samuel respondeu: “Não voltarei contigo!, exclamou Samuel. Rejeitaste a palavra do Senhor, por isso o Senhor te rejeita, e não quer mais que sejas rei de Israel”, etc (15: 26) Saul, você abandonou Deus, e Ele o abandonou.
Nós temos outro exemplo em Baltazar que, depois de ter profanado os vasos do templo, viu uma mão escrevendo na parede, Juba, Thecel, Farés. Daniel foi chamado para expor o significado dessas palavras. Ao explicar a palavra Thecel, disse ao rei: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta” (Dn 5:27) Por esta explicação, deu a entender ao rei que o peso de seus pecados na balança da justiça divina havia pendido desfavoravelmente para ele. “Na mesma noite Baltazar, o Rei caldeu, foi morto”. (Dn. 5:30)
Oh! Quantos pecadores têm encontrado o mesmo destino! Continuando a ofender a Deus até que seus pecados chegaram a certo número, eles têm sido feridos de morte e merecido o inferno! “Passam os seus dias na riqueza, e em um momento são lançados no Inferno”. ( Jó 21:13)
Tremam, irmãos, pois se vocês cometem outro pecado mortal, Deus deveria lançá-los no inferno.
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Alphonsus Liguori, Sermons for All the Sundays in the Year, London: James Duffy & Sons, 1882, pp. 113-115.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A maternal proteção do Imaculado Coração de Maria

Os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte




Disse Jesus a sua Mãe: “Mulher! Eis aí o teu filho!” Em seguida, disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe!” E desde então o discípulo recebeu-a em sua casa. (Jo 19, 26-27)
“A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador. Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque Deus se dignou olhar para a humilde condição da sua serva”. (Lc 1, 46-48)
A terrível batalha entre a “Mulher” e a “serpente” (Gn 3, 14-15) pode ser rastreada através da história da Igreja. Sobretudo, quando a Fé ou a ortodoxia cristã se encontram ameaçadas pelos persistentes e astuciosos ataques dos “filhos da serpente”.

“Se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério”


Um exemplo dessas grandes intervenções foi por volta do ano 1214, em Languedoc, região meridional da França, quando outra vez um grande levante da doutrina gnóstica assolava aquela nobre região. Naquele momento, a Gnose se impunha configurada na heresia dos albigenses causando um grande mal não apenas para a Cristandade, mas para a própria humanidade, uma vez que suas práticas eram absurdas e irracionais.
Resultando num terrível conflito entre católicos e albigenses, a situação agravou-se a partir da convocação de uma Cruzada que tinha por objetivo estancar o mal. Daí o sangue verteu transformando a nação francesa em um terrível campo de batalha.
Em meio a essa grande tribulação da Cristandade, movido por uma inspiração divina, o religioso Domingos retirou-se em solidão para uma densa floresta próxima de Toulouse (capital de Languedoc). Durante três noites e três dias ele ali permaneceu, em contínua oração, jejum e penitência, não cessando de gemer, de chorar e de se flagelar, implorando a Deus que tivesse pena de Sua própria glória calcada aos pés pelas doutrinas albigenses. Imerso e indissuadível nesse tamanho ardor e esforço, caiu semimorto. E foi então que a Santíssima Virgem, Mãe do Senhor, resplandecente de glória, lhe apareceu.
S. Luís Maria Grignion de Montfort narra-nos em vivas cores esses extraordinários acontecimentos:
“A Santíssima Virgem, que estava acompanhada de três princesas do Céu, lhe disse: ‘Sabes tu, meu caro Domingos, de que arma a Santíssima Trindade se serviu para reformar o mundo?’ — ‘Ó Senhora! Respondeu ele, Vós o sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo fostes o principal instrumento de nossa salvação’. Ela continuou: ‘O instrumento principal dessa obra foi o Saltério angélico, que é o fundamento do Novo Testamento. Portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério’. O santo levantou-se muito consolado e, abrasado de zelo pelo bem desses povos, entrou na catedral. No mesmo momento os sinos tocaram, pela intervenção dos Anjos, para reunir os habitantes. No início da pregação caiu uma espantosa tempestade. A terra tremeu, o sol se nublou, os trovões e relâmpagos redobrados fizeram estremecer e empalidecer todos os ouvintes. Seu terror aumentou ao verem uma imagem da Santíssima Virgem, exposta num lugar eminente, levantar três vezes os braços para o céu, para pedir ao Senhor vingança contra eles se não se convertessem e não recorressem à proteção da Santa Mãe de Deus”.
“O Céu queria, por esses prodígios, estimular a nova devoção do santo Rosário e torná-la mais conhecida. A tormenta cessou, por fim, devido às orações de São Domingos. Ele continuou seu Santo Rosário, que quase todos os tolosinos o adotaram, renunciando a seus erros. Em pouco tempo verificou-se uma grande mudança na vida e nos costumes da cidade”. [Montfort, S. Luís Maria Grignion de. Le Secret Admirable du Très Saint Rosaire pour se convertir et se sauver, págs. 12-14. Da edição francesa de 1926 dessa obra (editora Maison Alfred Mame et Fils, Tours), publicada pela primeira vez em 1911.]

Uma batalha decisiva contra a Virgem Maria


Irmã Lúcia de Fátima, em sua última entrevista pública, declarou com toda franqueza ao Pe. Agustin Fuentes, sacerdote mexicano, nomeado vice-postulador das causas de beatificação dos videntes, em conversa com Lúcia no dia 26 de dezembro de 1957 o seguinte:
A Irmã Lúcia disse-me ainda: “Senhor Padre, o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas. (Citada pelo Pe. Joaquin María Alonso, C.M.F. († 12 de dezembro de 1981), Arquivista oficial de Fátima, do seu opúsculo La verdad sobre el Secreto de Fátima, Fátima sin mitos)
Lúcia asseverou também:
“Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque viram a Santíssima Virgem sempre muito triste em todas as Suas aparições. Nunca Se sorriu para nós; e essa tristeza e essa angústia que notávamos na Santíssima Virgem, por causa das ofensas a Deus e dos castigos que ameaçavam os pecadores, sentíamo-las até à alma. E nem sabíamos o que mais inventar para encontrarmos, na nossa imaginação infantil, meios de fazer oração e sacrifícios (…). (Idem)
O segundo meio que santificou estas crianças foi a visão do inferno, mostrado a elas pela própria Virgem (…).
“Por isso, Senhor Padre, a minha missão não é indicar ao mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.” (Idem)

Os dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo; 


Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria


Com relação à crise da Igreja e a apostasia deflagrada a partir da década de 60, Lúcia disse:

“Senhor Padre, não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora… agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho (…). (Idem)
“Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos: O primeiro, porque me disse que o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demônio: não há meio termo. O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros. E o terceiro porque – sempre – nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar ‘pecado contra o Espírito Santo’ e que consiste em repelir abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima – tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima”. (Idem)


Lúcia adverte sobre os dois meios para salvar o mundo



Lúcia adverte que dois são os meios para salvar o mundo: a oração e o sacrifício (…).
“E depois, o Santo Rosário. Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual – que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações –, não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas. (Idem)

As quinze promessas da Santíssima Virgem para todo aquele que reza o Santo Rosário

Da mesma maneira como Jesus prometera a Santa Margarida Maria Alacoque, também a Santíssima Virgem fez quinze promessas para todo aquele que reza o Santo Rosário e responde com amor filial aos cuidados de seu maternal coração que tanto intercede pela nossa salvação:
1. Quem me servir fielmente através da recitação do Rosário receberá sinais de graça divina.

2. Prometo a minha proteção especial e as graças mais grandes àqueles que recitarem o Rosário.


3. O Rosário será uma arma poderosa contra o inferno, destruirá o vício, diminuirá o pecado, e derrotará a heresia.


4. Causará que a virtude e os bons trabalhos floresçam; obterá a mercê abundante de Deus para as almas; retirará os corações do homem do amor ao mundo e às suas vanidades para os erguer ao desejo de coisas mais eternas.


5. A alma que se encomenda a mim através da recitação do Rosário não perecerá.


6. Quem recitar devotamente o Rosário, aplicando-se à consideração de seus mistérios sagrados, nunca será conquistado pelo infortúnio. Deus não o repreenderá em sua justiça, e não perecerá por uma morte desprovida; se for justo permanecerá na graça de Deus e tornar-se-á digno da vida eterna.


7. Quem tiver devoção verdadeira ao Rosário não morrerá sem os sacramentos da Igreja.


8. Aqueles que são fiéis em recitar o Rosário terão na sua vida e na sua morte a luz de Deus e a plenitude de sua graça divina.

9. Livrarei do purgatório aqueles que foram devotos ao Rosário.

10. As crianças fiéis ao Rosário serão dignas de um alto nível de glória no Céu.

11. Tereis tudo o que pedires de mim com a recitação do Rosário.


12. Todos os que propagarem o sagrado Rosário serão ajudados por mim nas suas necessidades.

13. Consegui do Meu Filho Divino que todos os defensores do Rosário terão por intercessores toda a côrte celestial durante a sua vida e na hora da morte.

14. Todos os que recitam o Rosário são meus filhos, e irmãos do meu único filho Jesus Cristo.

15. A devoção ao Rosário é um grande sinal de predestinação.


O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado


O grande S. Luis Maria Grignion de Montfort inicia seu Tratado da Verdadeira Devoção com a exaltação lapidar: “Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo”.

O Santo de Montfort também declara: “O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo ou indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos”.


E o mesmo Santo exorta-nos: “Santo Agostinho, ultrapassando-se a si mesmo, afirma que os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte. Este é propriamente o dia do seu nascimento, pois é assim que a Igreja chama a morte dos justos. Ó Mistério de graça, escondido aos réprobos e tão pouco conhecido dos predestinados!” (Montfort, Luis Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria – “Preparação ao Reino de Jesus Cristo”).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O que nós católicos tradicionais podemos fazer?

É tão difícil ser um Católico Tradicional hoje na Igreja e no mundo, mas nem por isso deixamos de ser tão abençoados por estarmos tão próximos ao Coração de Jesus no sofrimento e sangramento do Corpo Místico de Cristo, Sua Igreja


Sensus fideiEstamos em uma Igreja e um mundo cheio de minas terrestres. A maioria dos bispos e padres Novus Ordo nos rotulam como “extremistas”, ultrapassados e não “católicos”, porque nós questionamos as mudanças feitas pelo Vaticano II. Eles também fazem todo o possível para impedir o Summorum Pontificum do Papa Bento XVI e disponibilizar os Sacramentos latinos em qualquer paróquia normal. Eles odeiam qualquer coisa que tenha a ver com o que a Igreja praticou antes do Vaticano II.

O mundo está cheio de grupos que nos odeiam também. Os muçulmanos, as feministas, os homossexuais, os governos seculares, os marxistas, a mídia, a música, os filmes estão todos contra nós. É porque vivemos vidas morais e somos contra o sexo homossexual, a coabitação antes do casamento, a imodéstia, o assassinato de bebês inocentes no ventre e acreditamos na permanência dos votos do casamento entre um homem e uma mulher. O mundo está contra nós, porque não concordamos com o plano dos Illuminati para uma religião mundial e um governo únicos.
Há apenas um poder por trás de todo este mal que vivenciamos o dia todo. Atrás de maçons, illuminati, banqueiros, Hollywood, ativistas homossexuais, ateus, religiões pagãs, muçulmanos, protestantismo, divórcio, pornografia, nosso governo, há um poder demoníaco.
“Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares”. (Ef 6,12)
Aqui estão 12 coisas que devemos fazer neste cáustico ambiente, onde rezamos e vivemos.
  1. Começo por mim. Quando tudo estiver dito e feito, eu também irei morrer. Eu, pessoalmente, tenho que prestar contas a Deus por tudo o que fiz e não consegui fazer. Que inclui as coisas más que tenho feito e as boas ações que não consegui fazer. Também eu, pessoalmente, vivo em uma mina terrestre do diabo, com constantes tentações para me fazer tropeçar, cair e queimar para sempre no inferno. Antes de eu tentar salvar as almas dos outros ou tentar reformar a Igreja, eu preciso tomar cuidado com a minha alma, com minhas palavras, minhas orações e minhas ações. Então, eu preciso de oração e humildemente tentar viver uma vida pura e fazer a vontade de Deus em todas as situações.
  2. Rezar. Humildemente eu reconheço que não posso salvar o mundo e que Jesus é o Salvador. Mas eu ainda devo ajudar a salvar almas e reformar a Igreja, através do oferecimento da Santa Missa, rezando, especialmente diante do Santíssimo Sacramento e fazendo o que posso. Cada Santo Rosário conta muito também. Nós somos os intercessores para a Igreja e a salvação do mundo.
  3. Dar um bom exemplo. Tudo o que eu faço; como eu me ajoelho e rezo, como eu trabalho, como eu jogo, como eu estudo, como eu amo e cumprimento as pessoas, como eu dirijo, como eu como e como eu falo, tudo isso dá tanto um bom exemplo ou um mau exemplo do que significa ser um verdadeiro católico.
  4. Estar disposto a ser perseguido. Jesus, São João Batista, os Apóstolos e todos os santos foram perseguidos por membros da igreja e as pessoas do mundo. Jesus nos advertiu; “Ai de vós, quando vos louvarem os homens”. Pode não ser muito antes de os muçulmanos, os maçons e o nosso próprio governo começarem a nos aprisionar e a matar-nos. Temos de olhar para a frente e seguir adiante para o nosso verdadeiro lar no céu.
  5. Tenha fé em Deus, Maria, Anjos e Santos. Estamos fazendo o que Deus e Nossa Senhora querem. Nós não estamos sozinhos. Eles sentem toda a dor que sofremos por sermos fiéis à nossa fé católica de 2000 anos. A Igreja pertence a Jesus. Foi Ele quem a iniciou. Ele prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Portanto, Ele sofre junto conosco quando nós nos levantamos para proteger os Sacramentos Católicos, a verdade da Bíblia Sagrada e do Magistério. Deus está conosco e nos ajuda. Maria está conosco e nos ajuda. Os Anjos estão lutando ao nosso lado. Os Santos fazem a sua parte para nos ajudar. As santas almas do purgatório estão rezando por nós. Não estamos no santo combate sozinhos.
  6. Falar a verdade. Não importa o quanto custe, precisamos falar a verdade católica para as nossas famílias, nossas paróquias, nossos amigos, para os nossos sacerdotes, nossos bispos e todos que quiserem ouvir. Nós falamos a verdade com amor, firmeza e fatos intelectuais.
  7. Desprendimento do respeito humano. Um dos maiores inimigos para carregar a cruz e seguir os passos de Jesus é ficar fazendo o que os outros pensam de nós. Nós colocamos nossos olhos no que Jesus pensa sobre nós e não no que os outros fazem.
  8. Lutar contra o medo. Eu li que o único medo que devemos ter é o de ter o próprio medo. Pessoas e o demônio inoculam o medo em nossos corações para nos desencorajar de fazer e dizer o que é certo e pagar o preço por isso. Jesus disse repetidamente, “Medo não é necessário, mas fé.”
  9. Manter tudo em perspectiva. Deus é um bilhão de vezes maior e mais poderoso do que papa, cardeais, bispos, religiosos, sacerdotes e leigos rebeldes. Por enquanto, a maioria de nós ainda é capaz de falar o que acreditamos como católicos. Por enquanto, em algumas partes do mundo, estamos livres para rezar e ir à Missa Tradicional. Por enquanto, nós ainda estamos fora da prisão e somos capazes de comer, descansar, ter uma família, caminhar, brincar e trabalhar. Tudo o que temos é o agora.
  10. Não desanimar. Nós apenas somos chamados para ser fiéis e fazer o que pudermos. Então, vamos dar um passo de cada vez. Diz o ditado; “Uma viagem de mil léguas começa com um passo.” Como o comunista disse, ‘Não espere para controlar o mundo durante a noite. “Não, eles simplesmente trabalham lentamente e, eventualmente, isso acontece.
  11. Comprove, anote e compartilhe milagres. Enquanto peregrinamos por ‘neste vale de lágrimas’, nós vamos com Deus, Maria, os Anjos e os Santos. E por causa disto, haverá milagres evidentes que nos acompanham. Esperar que milagres aconteçam. Durante toda a história da Igreja Católica e o martírio dos Santos, muitas e muitas vezes Deus mostrou o seu apoio por meio de acontecimentos milagrosos. Deus continuará a fazer milagres hoje também.
  12. Apoiar uns aos outros. Jesus enviou os Apóstolos dois a dois. Precisamos rezar juntos e trabalhar juntos. Precisamos ajudar-nos uns aos outros, amar-nos uns aos outros e nos divertirmos com os outros.
st peters papal mass
É tão difícil ser um Católico Tradicional hoje na Igreja e no mundo, mas nem por isso deixamos de ser tão abençoados por estarmos tão próximos ao Coração de Jesus no sofrimento e sangramento do Corpo Místico de Cristo, Sua Igreja.

Publicado originalmente em 23 de fevereiro de 2016: Traditional Catholic Priest – What Can Traditional Catholics Do? Pe. Peter Carota, in memoriam.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os 10 dons e esplendores do Pater Noster e os 15 da Ave Maria na Devoção do Santo Rosário

O grande apóstolo do Santo Rosário ressalta os dez dons e esplendores da Oração do Senhor, o Pater Noster, e os quinze dons e esplendores da Saudação Angélica, a Ave Maria, que todos aqueles que recitam essa devoção [o Santo Rosário] todos os dias oferecem a Deus






Beato Alano da Rocha, muitas vezes citado por S. Luis Maria Grignion de Montfort foi um predestinado especialmente escolhido pela Santíssima Virgem em tempos de grandes provações para a Igreja e os católicos em geral. Sua missão foi reavivar a devoção tão simples e tão poderosa do Santo Rosário, ou Santo Terço, anteriormente revelado pela própria Mãe do Senhor a S. Domingos e muitas vezes por Ela mesma solicitado em cruciais momentos da Igreja como a solução sempre disponível e sempre eficaz. A devoção do Santo Rosário alcançou do Céu grandes vitórias contra as heresias cátaras e albigenses por reascender a Fé na alma dos católicos de então.
No texto a seguir, um extrato de sua obra “Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”, pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.), disponível para leitura on-line e também para download [no final do artigo], o Beato Alano da Rocha explica a importância da recitação do Rosário e explana as vantagens de se pertencer à Confraternidade Mariana, cuja responsabilidade foi conferida à Ordem Dominicana.
Nessas suas exortações, reveladas a ele para o bem das almas pela própria Mãe do Senhor, o grande apóstolo do Santo Rosário ressalta os dez dons e esplendores da Oração do Senhor, o Pater Noster, e os quinze dons e esplendores da Saudação Angélica, a Ave Maria, que todos aqueles que recitam essa devoção [o Santo Rosário] todos os dias oferecem a Deus rendo-Lhe, dessa maneira, glória e louvor, além de atrair graças para a Igreja, para a Pátria, a Família, para o Trabalho segundo o estado de cada um e, sobretudo, para a conversão dos pecadores e a salvação das almas.
Vigilante Protetor e Pastor das ovelhas de Cristo, quantas e tão grandes vantagens divinas e humanas na Igreja e no Mundo Cristão, são fruto da cerimônia de inscrição e de participação à Confraternidade Mariana. A esta nós nos inscrevemos e ninguém pode enumerar suficientemente os dons e nem mesmo compreendê-los no seu esplendor. Eles podem ser vistos como acréscimos acumulativos, por parte destas duas divinas orações do Saltério, digo, a Oração do Senhor e a Saudação Angélica. E, se reconduzimos todas as coisas aos sumos princípios, é lícito propor aqui sobre tais dons, dez Orações do Senhor e quinze da Saudação Angélica. Estas duas orações evangélicas visto que exercem, como em uma competição, todo o esforço dos salmodiantes de Cristo e de Maria e recomendam a eles a produtividade. Não tem ninguém a quem a santa fé conceda sem ser injusta, a dúvida, que ao cansaço corresponde igual e infinitamente prêmios maiores. De fato cada um recebe, segundo o quanto foi em grau de carregar (2 Cor. 5).
I. Certamente a mesma Oração do Senhor com as palavras que a compõem, comunica dez ótimos Dons, com os quais a graça de Deus gratifica aqueles que merecem ser Salmodiantes.
1. Com a inscrição na Confraternidade os Salmodiantes (pedem) o bem, ou seja, a adoção como filhos de Deus, visto que os Salmodiantes oram o “Pai nosso”. Aqueles que foram pecaram pelas próprias culpas, com a participação nesta grande Confraternidade, se regeneraram filhos de Deus.
2. (Pedem) de imitar a Sociedade Celeste através da graça, visto que pregam “Que estais no céu”; ou seja, aquela dos mesmos Beatos, através da Graça e da Glória.
3. (Pedem) a santificação do Nome de Deus na Igreja, porque rezam muitas vezes “Santificado seja, etc”… Assim o Nome de Deus e de Maria em um único Saltério vem santificado cento e cinqüenta vezes, quantas vezes está na boca e nos corações de todos os participantes! E verdadeiramente estes, com a força da oração, por si mesmos se fazem santos. 4. (Pedem) o advento do Reino de Deus, seja na política, seja na Igreja, seja no Reino da Glória de Deus, porque oram “Vem a nós o vosso Reino”. E assim aqueles que antes eram escravos, agora são os libertos de Deus no seu Reino. 5. (Pedem) o cumprimento da Vontade de Deus, porque oram “Seja feita a vossa vontade etc.”.
6. (Pedem) o suficiente mais do que a abundância das coisas temporais, porque oram “O pão nosso etc.” necessário à vida mortal e no digno uso espiritual dos Sacramentos. Certamente estas ocasiões universais de todos os bens tem tido muita eficácia também para muitos que esqueceram por muito tempo de Deus e de si mesmos, para que nenhum dia passasse para eles, sem que existissem suplícios ao comovente Sacrifício da Santa Missa, antes de dedicar-se aos deveres da sua vocação.
7. (Pedem) a remissão dos pecados, porque oram “Perdoai”. Daqui, quanta conversão dos pecados foi e é feita! Para a surpresa e exultação dos Coros Angélicos.
8. (Pedem) a Fraterna Caridade e a paz dentro e fora, pública ou privada. Os resultados atestam perfeitamente estas coisas no mundo inteiro, porque oram “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
9. (Pedem) a liberação das tentações, porque oram “Não nos etc.”. E estes experimentaram em muitas ocasiões; aqueles lugares na Confraternidade a tão grande participação subiram aos Sansões, aos David, etc. 10. (Pedem) a liberação dos males da culpa e da punição, porque oram “Mas livrai-nos etc.”
E daqui vimos, que muitos doentes, aflitos e não somente os desesperados, foram trazidos a si, a Deus e a uma nova vida. Pela primeira vez eles permitiram ser inscritos nesta Confraternidade e estabeleceram de rezar devotamente o Saltério. Graças ao Saltério eu vi uma mulher cega voltar a ver; e uma outra ser libertada, vítima que era de um demônio mau e furioso.
A Fé Cristã nos ensina que se podem obter as mesmas coisas e tantas outras, pela eficácia da Oração ao Senhor, então por isso Cristo nos ensinou esta divina Oração: também colocou dentro da mesma todas as coisas boas a pedir e todas aquelas más a serem afastadas; então enfim, prometeu que o resultado seria conseguido: Pedir e obter: batas na porta e vos será aberto, peçais e recebereis. “De fato cada um que pede, obtém; e quem procura encontra, e a quem bate será aberto”. (Mt. 7; Lc. 11) E para que não parecesse não ter recebido nenhum dos pedidos acrescentou: Qualquer coisa que pedires na oração, acredite que a recebereis, e vos será dada (Mc. 11). E os dez pontos principais falam muito por si sós.
II. A Saudação Angélica no seu gênero contém quinze coisas boas, preparadas por aqueles que as pedem na devida forma; estas coisas são concedidas com a bondade de Deus aos Salmodiantes de Maria, seja em razão da dignidade da Saudação, seja em razão do mérito da Virgem; o demonstrarei com igual método e modo. Ela é formada num total por quinze palavrinhas divinas, que contém um mistério, eis o que mostrarei além dos frutos e dos efeitos divinos destas. A primeira coisa boa (pedida) é a liberação dos erros da maldição de Eva, através da oração Ave Maria.
2. (Pedem) a iluminação da mente, através da inspiração e das noções das ciências, e através da graça: através de Maria, ou seja, da iluminadora.
3. (Pedem) que seja dado aos seus servos o dom de uma Graça: porque oram “Graças”.
4. (Pedem) a abundância da graça através da plenitude do Espírito Santo: porque oram “Cheia”, e oram à especial plenitude de Maria.
5. (Pedem) a senhoria da liberdade pela qual Cristo nos libertou (Gal. 4), visto que no “Senhor”, exaltam particularmente a Senhoria da Soberana Maria.
6. (Pedem) a assistência de Deus na vida deste mundo: visto que oram, “Convosco”, os servos da sociedade de Maria.
7. (Pedem) a Benção Angélica: visto que é “Bendita”, aqueles que rezam e veneram a Benção Angélica de Maria, igualmente eles (pedem) de serem benditos pelos Anjos.
8. (Pedem) a posse do privilégio, antes dos outros, que deve ser dado aos Salmodiantes; visto que no “Vós”, indicam uma outra vez a perfeição da Mãe de Deus sobre as outras mulheres.
9. (Pedem) o alcance da Misericórdia, visto que professam que a extraordinária Mãe de Misericórdia exceda “Entre as mulheres”.
10. (Pedem) uma especial benção, visto que cada dia repetem cento e cinqüenta vezes ao Filho de Deus, “Bendito”, aquele que bendiz aqueles que o bendizem.
11. (Pedem) o fruto da natureza, da graça e da glória. Visto que no “O fruto”, honram a Jesus, o extraordinário fruto de Maria.
12. (Pedem) a perfeição da pessoa na natureza, nos costumes e nos casos da sorte, segundo quanto alegrará a salvação. Visto que no “Ventre”, louvam com a palavra o nobre e puríssimo Templo da Virgindade e o Triclínico da Trindade.
13. (Pedem) a especial familiaridade de Maria em qualquer um dos dons: porque no “Vosso”, designam a especial natureza de Maria, que existiu nela.
14. (Pedem) a saúde da Graça e da Glória: pela qual oram “Jesus”: Ele salvará o seu povo dos pecados (Mt. 1), especialmente tais proclamadores da salvação e os Salmodiantes, perpétuos adoradores de seu Nome.
15. (Pedem) a digna honra dos Sacramentos: que, enquanto vivem, são os primeiros nestes, e munidos destes, mais dignamente deixaram a vida, depois de terem se confessado, arrependidos, alimentados pela Comunhão e unidos. Porque, “Cristo”[1], ou seja o ungido, o repetem muitas vezes os Salmodiantes coronários de Cristo e de Maria com o coração e com a boca.
III. Direis. Não vejo em qual modo derivem da Saudação Angélica quinze boas palavras.
Dói-me o ceticismo. E visto que és cego cais no fosso. Escute então, se vês pouco. 1. É injusto para o cristão duvidar que estes, muitíssimos e maiores bens não sejam presentes na divina Saudação, e que estes não subsistam em Maria, cheia de graça. 2. Visto que é dado cada dia aos Salmodiantes o testemunho e um digno louvor dessa plenitude, e são recordados muitas vezes. Também plenamente e no modo devido, as coisas contidas nas divinas palavrinhas da Saudação. Assim se oferece à Virgem, do tesouro da mesma: as coisas colhidas nas mesmas pequenas palavras da Saudação são como taças decoradas e feitas para isso por Deus. 3. Visto que enfim a Verdade de Cristo promete que será restituído o cêntuplo (o produto da multiplicação por cem), por fim neste mundo, a quem terá doado: que a Santa Fé e a esperança justamente permitam a quem nunca poderá ser Cristão: de não crer em Deus, de nutrir a desconfiança no bem e que as suas Palavras sejam palavras de vida, e que as mesmas coisas sejam daquele que disse e as coisas foram feitas.
Deste conseguiram duas situações a serem admiradas e escritas. A primeira é a dignidade, a força, a potência, a riqueza divina e a santidade da Saudação Ave, etc. Em segundo lugar a felicidade dos Salmodiantes, aos quais Deus dignou-se de inspirar aquela intenção, de se deixar conquistar por aquela tão grande Fraternidade do Saltério e por aquele Saltério divino, não somente por aquele de David: orientando-se a este e junto com este, quase como o movimento impetuoso de um rio, que alegra a Cidade de Deus e que santificou o tabernáculo dele: pode-se entender com a mente, que navegaram neste rio.
IV. Assim em tua vantagem eis: cada Salmodiante oferece cada dia quinze guirlandas à Maria, e essas são de três gêneros: de Rosas e de Lírios nas primeiras cinquenta; a outra de Gemas nas cinquenta sucessivas; a terceira de estrelas nas últimas cinquenta. Quem não percebe claramente que as palavras da Saudação superam grandemente as rosas em suavidade, as gemas em preciosidade e as estrelas em esplendor? Enfim, o acima dito Esposo da mesma Virgem Maria viu e ouviu dela, essas e outras semelhantes maravilhas.
Nota
[1] Em uma das primeiras edições do Beato Alanus redivivus, curada por P.A. COPPENSTEIN, “Cristus” era escrito em itálico: preferimos esta variante porque no 1400 a Ave Maria terminava com a palavra “Cristus”.
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“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”,
pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.)

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