segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

OS PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA AO CÉU



ALERTA! Há pecados que clamam ao céu!… e são punidos neste mundo. Veremos a seguir o que são e qual o comportamento de um verdadeiro discípulo de Cristo.
“Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas. É muito melhor fortificar a alma pela graça do que por alimentos que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam” (Hb 13,8).
Todo homem quer ser feliz e viver em paz. Vive em paz aquele que segue a ordem que Deus colocou no mundo e obedece às leis que regem o mundo para que tudo funcione harmoniosamente. A lei natural é obra de Deus, consiste em fazer o bem e evitar o mal. O bêbado, por não obedecer à lei do seu corpo, com o tempo destrói seu fígado e morre. O motorista que não obedece à lei do trânsito em uma curva perigosa, pode acidentar-se e morrer. Deus criou o homem com inteligência e livre arbítrio. O mau uso da liberdade produz o pecado, e o pecado é a causa de nossos problemas. Hoje, a filosofia liberal subjetivista, fruto do livre exame protestante e maçônico, não leva em consideração as leis da natureza. Os homens que perderam a fé cristã católica, pensam que têm o poder e o direito de transtornar as leis da natureza das coisas; eles pensam que a realidade humana deve obedecer suas ideias, mesmo que sejam falsas. Isso faz com que a sociedade passe a ter sérios problemas. A causa de nossos problemas é o pecado; o remédio é seguir a lei de Cristo e respeitar a lei natural.
O que é o pecado?
O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus. Existem dois tipos de pecado: pecado grave e pecado leve. O pecado grave é chamado de mortal, o pecado leve é chamado venial. O pecado mortal separa o homem de Deus e o entrega ao poder do demônio; abre diante dele a porta do inferno eterno. O pecado mortal coloca o homem numa situação anormal, destrói a graça santificante e a caridade, e expulsa o Espírito Santo da alma. Se uma pessoa morre em pecado mortal, sem confissão e sem arrependimento sincero, ela cairá no inferno, que é um lugar de fogo e sofrimento eterno. Há três condições para que um pecado seja mortal: matéria grave, plena advertência de que um pecado é grave e pleno consentimento. Isso significa que eu sei que o mal que quero fazer é algo grave, e mesmo assim, quero fazê-lo ou dou o meu consentimento. Por exemplo, matar, fornicar, adulterar, embriagar-se.
Entre os pecados mortais, há quatro que são tão graves que Deus os castiga neste mundo. Estes pecados que clamam ao Céu são:
  1. — Assassinato de inocentes (Gn 4, 10).
  2. — Oprimir as viúvas e os órfãos (Ex 22, 22-23).
  3. — Defraudar o trabalhador de seu salário (Dt 24, 15).
  4. — Sodomia ou homossexualismo (Gn 19, 4-9, 1Cor 6, 9-10).
Vejamos o que diz a Bíblia Sagrada.
1- Derramar sangue inocente é um pecado muito grave
No quinto mandamento, Não matarás (Ex 20:13), Deus nos proíbe de causar a morte a nossos semelhantes ou de golpeá-los ou feri-los; Ele proíbe também de causar-lhes qualquer dano: em sua pessoa, em sua honra e em seus bens materiais. Matar inocentes e abortar crianças é um pecado gravíssimo que clama ao céu. Na Bíblia Sagrada, lê-se que Deus perguntou a Caim: “O Senhor disse-lhe: ‘Que fizeste! EIS QUE A VOZ DO SANGUE DO TEU IRMÃO CLAMA POR MIM DESDE A TERRA'” (Gn 4,10-12). Os homicidas são assediados pelo medo e torturados pelo remorso da consciência, embora nenhum homem os persiga. Três são as causas que tornam lícita a morte de alguém: a autoridade pública, a legítima defesa e a guerra justa. Fora destes três casos, é sempre um pecado matar o próximo assim como feri-lo ou golpeá-lo.
O ABORTO também é um pecado gravíssimo que clama vingança ao céu. O aborto é o assassinato a sangue frio das crianças mais indefesas e inocentes. E é ainda mais grave quando essas crianças são assassinadas precisamente por aquelas pessoas que têm maior obrigação em defendê-los. Deus diz: “Não matarás o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado” (Ex 23,7). Ajudar e proteger os assassinos é tornar-se responsável por seus crimes; e isto é precisamente o que fazem os governos que permitem o aborto, e os cidadãos que, com seus votos, ajudam o governo abortista! Isto atrai a maldição de Deus sobre a terra e causa muitos problemas na sociedade. Toda pessoa que colabora em um aborto é excomungada da Igreja Católica.
2- Oprimir viúvas e órfãos
Deus ordena a todos e a cada um de nós: “Não prejudicareis a viúva e o ÓRFÃO. Se os prejudicardes, eles clamarão a mim e eu os ouvirei; minha cólera se inflamará e vos farei perecer pela espada; vossas mulheres ficarão viúvas e vossos filhos, órfãos” (Ex 22, 22-23).
3-  Defraudar o trabalhador de seu salário
“Não prejudicarás o assalariado pobre e necessitado, quer seja um de teus irmãos, quer seja um estrangeiro que mora numa das cidades de tua terra. Dar-lhe-ás o seu salário no mesmo dia, antes do pôr-do-sol, porque é pobre e espera impacientemente a sua paga. Do contrário clamaria contra ti ao Senhor, e serias culpado de um pecado. Não violarás o direito do estrangeiro nem do órfão, e não tomarás como penhor o vestido de uma viúva…” (Deut 24, 14-17).
4-  Os pecados que clamam ao céu: Sodoma e Gomorra
Hoje, a decadência espiritual e moral chegou a tal ponto que as pessoas pensam e agem como os pagãos que praticavam todos os tipos de pecados, incluindo o pecado contra a natureza. Deus criou o homem bom e santo, mas por causa do mau uso de sua liberdade, perdeu a santidade e foi despojado dos dons que o ajudavam a viver com uma alma que possuía total domínio sobre o corpo. Por este motivo, o homem sente tentação ou inclinações para o mal. Mas ser tentado não é pecado; consentir e querer ou praticar o mal é pecado. Mesmo que se sinta tentações, mas se as rejeita, não peca. Portanto, ninguém diga que Deus me criou bêbado ou homossexual. Isso não é assim.
O que diz a Sagrada Escritura acerca do pecado de homossexualismo e outras impurezas?
Na Bíblia lemos que nas cidades chamadas Sodoma e Gomorra, “desde os jovens até os velhos”, eles praticavam de maneira escandalosa o pecado contra a natureza. Deus disse a Abraão: “É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande” (Gn 18,20). E apesar da intercessão de Abraão em favor das cidades “o Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu” (Gn 19: 14-25). Por que essa total destruição por fogo e enxofre? Porque não havia nem mesmo 10 justos nas cidades. O exemplo deve nos impulsionar à penitência e ao arrependimento, porque, onde há almas justas e santas, há misericórdia para os demais.
Hoje, devido à apostasia das nações anteriormente cristãs, a impureza passa por algo normal, como se fosse um direito.
Os pecados que excluem do Céu
Falando-nos como embaixador de Deus, São Paulo alerta-nos que existem pecados que excluem do céu e levam ao inferno. “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus… O corpo, porém, não é para a impureza, mas para o Senhor… Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo” (1Cor 6,9-20).
Na carta aos Gálatas (5, 19-24), o mesmo São Paulo fala das obras do homem pecador “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências”. O católico domina e crucifica os maus desejos com a ajuda de Deus e a prática da luta espiritual.
Como deve ser um discípulo de Cristo?
Diz a carta aos Efésios (5, 1-20) “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados… Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento — verdadeiros idólatras! — terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas…”
As impurezas e outras injustiças atraem a ira de Deus sobre os homens
“Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes. Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros” (Cl 3,5-10).
Toda pessoa que pretende ser discípulo de Cristo recebe esta ordem: “Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções…” (Rm 13,12-13).
Qual será o lugar dos pecadores mortos em pecado mortal?
“Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre”, ou seja, o inferno eterno (Ap 21,8). Não se pode cuspir no rosto de alguém e receber sua ajuda e favores. Não se pode menosprezar a Deus e sua lei e viver tranquilos na casa de Deus, que é a sua criação. Por esta razão, Cristo avisa a todos no livro de Apocalipse (22, 12-15): “Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Fora os cães (pecadores desavergonhados como cães), os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!” Em sua Suma Teológica (II-II 154, 12), São Tomás de Aquino, citando Santo Agostinho, diz que de todos os pecados da luxúria, o pior é aquele que vai contra a natureza. O próprio santo diz: “Em qualquer ordem de coisas, a corrupção do princípio é terrível, porque dela dependem as consequências. Assim, como nos vícios contra a natureza, o homem trabalha contra o que a própria natureza estabeleceu sobre o uso do prazer venéreo, segue-se que um pecado nessa questão é muito grave. Em seguida, vem o incesto, o qual atenta contra o respeito natural que devemos às pessoas próximas a nós. A ordem natural procede de Deus. É por isso que nos pecados contra a natureza, em que a ordem natural é violada, uma injustiça é cometida contra Deus, o controlador da natureza”. São Agostinho diz: “Os delitos contra a natureza são reprováveis e puníveis, sempre e em todos os lugares, assim como o foram os sodomitas”. Mesmo que todos os homens tenham cometido esse mal, continuaria a pesar a mesma pena imposta pela lei divina, que não fez os homens para que agissem assim, pois viola-se a familiaridade com Deus, que se mancha, com a perversidade do prazer, a natureza da qual Ele é autor. (Confesiones III, 8).
Para aqueles que querem um suposto matrimônio entre dois homens, a lei divina diz: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação” (Lv 18,22).
Os homens contaminados pelo liberalismo pensam que são livres para fazer e decidir o que querem. Deus ameaça severamente aqueles que rejeitam a verdade conhecida e dão sua aprovação ao mal. Em sua carta aos Romanos (1, 18-32), São Paulo, denunciando as ações dos pagãos, dizendo: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade… de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos… Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos… Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno”.
Deus disse: “Não cometerás adultério” (Ex 20:14). “Não terás comércio com a mulher de teu próximo: contaminar-te-ias com ela” (Lv 18,20). “Deus julgará os impuros e os adúlteros” (Hb 13,4).
Em conclusão: os pecados que cometemos ferem a nós mesmos e toda a sociedade. Sem lutar contra o pecado, não há verdadeira paz. Afastar-se da ocasião de pecado já é uma grande proteção. É necessário rezar, suplicar, fazer penitência. Deus nunca rejeita um coração arrependido. Rezar com confiança e humildade, ouvir missa com devoção, fazer boas obras e dar esmolas atraem a misericórdia de Deus e provocam o arrependimento. Cristo disse: “E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11,9-10). Fazer exercícios espirituais sérios ajuda muito a entender as coisas. Confessar-se bem, liberta do pecado, desde que Cristo deu aos apóstolos, que eram sacerdotes, o poder de perdoar os pecados (Jo 20, 22). Nós temos uma alma, se a perdermos, nunca a recuperaremos, disse o santo Irmão Pedro de Betancourt. Cristo diz a todo pecador arrependido: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar” (Jo 8,1
Distrito do México – Tradução: Dominus Est

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

AINDA EXISTE, NA ALMA CATÓLICA, VERDADEIRA ORAÇÃO?



O que vem a ser Rezar ?
Mas se é para medir e regular nossa oração, caberia a cada um de nós perguntarmos: e eu rezo? O tempo da Quaresma serviu para melhorar minha oração?
Para responder a esta pergunta é necessário saber o que seja rezar. Ora, tanto o Catecismo como os santos doutores nos falam sobre a boa oração. Diz lá, então, a doutrina perene:
– Rezar é elevar a alma a Deus.
Santo Agostinho nos dará uma compreensão melhor ao afirmar:
– Rezar é ter uma intenção afetiva do espírito para Deus.
Outros santos dirão:
– Rezar é ter uma conversa íntima com Deus.
Ora, estas definições ou explicações se completam maravilhosamente e nos ajudarão a medir o nosso grau de oração, a sabermos se, de fato, rezamos de verdade ou não.
Ainda se encontra quem reze?
Mas a experiência de qualquer sacerdote, nos dias de hoje, deixa-nos assustados, a ponto de podermos interrogar: – O que está acontecendo conosco? Onde estão as almas que rezam de verdade? E se muitos adultos ainda guardam o costume salutar de recolher-se, todos os dias, diante de Deus, já os adolescentes, os jovens, deixando a idade da infância, porque abandonam tão facilmente a prática da oração que nos dá o céu? Onde encontraremos oração que seja elevação da alma, intenção afetiva, ou conversa íntima com Deus?
Não! Não! O que vemos hoje nestas almas é uma oração pesada, um coração irritado, uma oração rápida e mecânica.
Mas se é pesada por causa da contrariedade que se sente em rezar, então não se eleva.
Se vem carregada com irritação, nunca será uma intenção afetiva. Se é mecânica, não se pode pensar em conversa íntima com Deus.
Que quadro desolador o que encontramos nas almas. Passaram-se quatro semanas da Quaresma e nada! O mundo segue seu curso e as almas não se converteram!
Pergunto então, assustado e solene: O que falta à oração da grande maioria dos homens?
O que falta é o AMOR! Falta o Amor do espírito que busca o Espírito do Amor, o Deus que é Caritas, que é Caridade!
Todo amor é um apetite. Se nosso amor vai em busca das coisas sensíveis, será um amor baixo, sensível, humano, animal. Estaremos de corpo e alma entregues às coisas deste mundo, e este amor toma conta do nosso coração, elimina a Presença de Deus, e causa o pecado.
Mas se inclinarmos nosso corpo e nossa alma para o bem, para agradar a Deus em tudo, mesmo quando estamos fazendo algo de humano, estaremos intencionalizando nossos atos na direção de Deus, dando uma intenção nova, elevada, vivificante. Nestes atos de amor espiritual encontraremos a união com Deus, a Presença de Deus em tudo que fazemos, mesmo se não estivermos, naquela hora, pensando Nele.
Por que não se consegue mais rezar?
Devemos então nos perguntar, levando adiante esta pesquisa dos nossos corações:
Porque não se consegue mais rezar direito, segundo a elevação da alma, as intenções santas e a intimidade de Deus?
Porque somos constantemente SEDUZIDOS.
Os nossos três inimigos , o demônio, o mundo e a carne armaram uma guerra sutil e subterrânea que invade nosso coração, nosso corpo, nossas intenções, com todo tipo de sedução. Atraem nossa atenção para afastar-nos do gosto pelas coisas santas, pela vida de Deus.
Como somos seduzidos?
Pelos VÍCIOS. Somos seduzidos todos os dias por vícios antigos e por vícios modernos.
Os vícios antigos são aqueles conhecidos de todos: excesso de bebida, gula, sensualidade, preguiça e todo tipo de vícios capitais.
Os vícios modernos são: a televisão, os video-games, o uso de Messengers, orkut e Internet, telefone celular e todo tipo de modernidade que provoca atitudes compulsivas. Todas estas coisas desviam as almas de seus compromissos, tornando-as agressivas, estressadas, desobedientes, preguiçosas e “burrificadas”.
Formaram uma vida em torno de nós que nos prende, ligados 24 horas por dia: trabalho, dinheiro, saúde, esportes, e os novos vícios, tirando todo o tempo que poderíamos ter para rezar, ler bons livros, pensarmos na nossa salvação eterna. Como rezar bem numa vida assim?
Então passamos quatro semanas da Quaresma onde se constata que, se alguns fizeram algum esforço de penitência e oração, a grande maioria nem se lembra de que os católicos são chamados com toda urgência a se converterem. Continuam no churrasquinho da sexta-feira, nas festas, em muitos pecados. Até quando vamos viver como se a vida da Igreja fosse uma OPÇÃO? Quando muito um dever secundário que realizamos com aquele espírito de revolta de que falamos acima. Como rezar se não combatemos a sedução?
É preciso rezar sempre
Eis o que ensina Nosso Senhor: “Oportet semper orare – É preciso rezar sempre”. E os santos doutores concluirão: “Quem reza se salva, quem não reza fecha as portas do Paraíso”.
Então, católico, levante as armas capazes de vencer o sedutor das almas, capaz de dobrar tua cerviz dura e revoltada. Falta-te o Espírito de Fé!
Não se trata exatamente da fé. A Fé pode ser considerada como o conjunto de verdades reveladas por Deus; é o que os teólogos chamam o Objeto da Fé. Dentro de nós, se produz pela graça divina os Atos de Fé, que são as marcas da nossa adesão ao Objeto da fé, a tudo que Deus nos revelou e a Igreja ensina.
Mas a arma poderosa para combater a sedução dos vícios anti-oração é o Espírito de Fé, que consiste em tomar a fé que está, como um dom divino, colocada em nossas almas, e aplicá-la a todos os momentos, situações, encontros, diversões que fazemos ao longo do dia e da vida. Pelo Espírito de fé fica estabelecida em nossas vidas a Presença de Deus. Esta presença de Deus é que nos aproxima Dele, tornando nosso coração mais próximo, mais íntimo, preparando-o para as conversas sublimes, para a afeição amorosa e para a elevação de nossas almas na verdadeira e pura oração.
É preciso, portanto, intencionalizar todos os nossos atos, transformá-los em armas de combate contra os vícios que nos devoram. É preciso forçar o desejo do nosso coração e todos os sentimentos dele para que não impeçam o momento da oração, da meditação, da leitura espiritual que abre nossas mentes para as coisas divinas.
É preciso acreditar que, perdendo tempo com Deus, o trabalho renderá muito mais  e compensará ao cêntuplo o tempo perdido. Ao contrário, quando não rezamos, acabamos presas fáceis para os vícios modernos e perdemos mais tempo do que seria o da oração.
Meditação sobre a morte
Se ainda agora, depois de pensar nestas coisas, neste diagnóstico terrível que mostra o céu fechado, ainda assim não conseguir se desvencilhar da malha viciosa, então, vamos pensar na morte. Por que não? Afinal de contas, estamos no tempo da Paixão, de luto pela morte de Nosso Salvador. Imaginemos, então, que estamos perto da morte, ou que um ente querido, um filho, um esposo, a mulher, tenha acabado de falecer. Parece duro, pensar nestas coisas? Pior é continuar vivendo sem rezar! O terrível peso que a alma sente pela perda joga por terra todos aqueles vícios horríveis que prendiam a alma. Então, de repente, ela percebe o quanto era fraca, envenenada, ridícula, por não conseguir se dominar e produzir algo de sólido e elevado. A morte nos atrai para o essencial, e é exatamente isso que a Igreja deseja quando vela as imagens no Tempo da Paixão. O Essencial é Cristo, sua Paixão, sua morte na Cruz para nos salvar. O essencial é vivermos unidos todo tempo a Jesus, e dizer com o Apóstolo: “Já não sou  eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Cabe a cada um de nós mostrarmos aos nossos adolescentes, aos nossos filhos, que é bom rezar. É bom querer rezar. E, mais do que tudo, é muito bom amarmos a oração porque por ela aprendemos a amar a Deus em sua própria intimidade.
Fonte:

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A lembrança da morte e o jejum quaresmal


“Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar”
Tire o maior proveito desta Meditação seguindo os passos

Meditação para Quarta-feira de Cinzas

Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris – “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar” (Gn 3, 19)
Sumário. Os insensatos que não creem na vida futura estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos que morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a justiça divina. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma.
I. Para compreendermos em toda a sua extensão o sentido destas palavras, imaginemos ver uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro. Ó Deus, a cada um que vê este corpo, inspira nojo e horror. Não passaram bem nem vinte e quatro horas depois que aquela pessoa morreu e já o mau cheiro se faz sentir. É preciso abrir as janelas e queimar bastante incenso, a fim de que o fedor não infeccione a casa toda. Os parentes com pressa mandam levar o defunto para fora da casa e entregar à terra.
Metido que foi o cadáver na sepultura, vai se tornando amarelo e depois preto. Em seguida, aparece em todos os membros uma lanugem branca e repelente, donde sai um pus infecto que corre pela terra e donde se gera uma multidão de vermes. Os ratos veem também procurar o pasto neste cadáver, roendo-o uns por fora, ao passo que outros entram na boca e nas entranhas. Despegam-se e caem as faces, os lábios, os cabelos; escarnam-se os braços e as pernas apodrecidas, e afinal os vermes, depois de consumidas todas as carnes, consomem-se a si próprios. E deste corpo só restará um esqueleto fétido, que com o tempo se divide, ficando reduzido a um punhado de pó.
Eis aí o que é o homem, considerado como criatura mortal. Eis aí o estado a que tu também, meu irmão, serás, talvez em breve, reduzido: um punhado de pó fedorento. Nada importa ser alguém moço ou velho, são ou enfermo: a todos caberá a mesma sorte, o que a Igreja recorda pondo as cinzas bentas indistintamente sobre a cabeça de todos: Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris — “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar”.
II. Os insensatos que não creem na vida futura e têm as verdades eternas por fábulas, estimulam-se, com a lembrança da morte, a levar vida folgada e a gozarem. Comedamus et bibamus; cras enim moriemur (1) — “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”. De maneira bem diferente, porém, diz Santo Agostinho, deve proceder o cristão, que pela fé sabe que a alma sobrevive ao corpo e que, depois da morte deste, terá de dar contas rigorosíssimas de tudo quanto tiver feito. — O cristão, que se lembra que em breve deverá deixar o mundo, cuidará da sua eternidade e procurará aplacar a justiça divina com penitências e orações. É por isso exatamente que a Igreja, depois de nos ter posto as cinzas sobre a cabeça, ordena a seus ministros que notifiquem aos fiéis o jejum quaresmal: Canite tuba in Sion: sanctificate ieiunium (2) — “Fazei soar a trombeta em Sião, santificai o jejum”.
Conformemo-nos, portanto, com as intenções de nossa boa Mãe; e como ela mesma o ordena, sejamos no santo tempo da Quaresma “mais sóbrios em palavras, na comida, na bebida, no sono, nos divertimentos” (3); e, o que é mais necessário, afastemo-nos mais de toda a culpa por meio de uma vida recolhida e consagrada à oração, porquanto, no dizer de São Leão, “sem proveito se subtrai o alimento ao corpo, se o espírito não se afasta mais da iniquidade”.
Ó meu amabilíssimo Redentor, consenti que eu una a minha salutar abstinência com a que Vós com tanto rigor por mim quisestes observar no deserto. Consenti também que nesta união eu a ofereça a vosso Pai Divino, como protestação de minha obediência à Igreja, em desconto de meus pecados, pela conversão dos pecadores e em sufrágio das almas santas do purgatório. Tenho intenção de renovar esta oferta todos os dias da Quaresma. “Vós, porém, ó Senhor, concedei-me a graça de começar este solene jejum com devida piedade e de continuá-lo com devoção constante” (4), a fim de que, chegada a Páscoa, depois de ter ressurgido convosco para a vida da graça, seja digno se ressuscitar também para a vida da glória. Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.
Referências:
(1) Is 22, 13
(2) Joel 2, 15
(3) Hymn. Quadr.
(4) Or. Fer. curr.

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 288-290)

Quarta-Feira de Cinzas

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 Da cerimonia das cinzas tira o nome o primeiro dia da Quaresma. Simbolo de penitência são as cinzas, tanto no antigo testamento como na lei nova.
 Meménto, homo, quia pulvis es, et in pulverem revertéris; lembra-te, homem, que és pó, e em pó te tornarás; assim falou Deus ao primeiro homem na hora da sua desobediência e assim repete a Santa Madre Igreja, que nolas dirige. Palavras de espanto e terror para o pecador, fulminando-lhe a sua sentença irrevogável de morte, são palavras de suavidade e animação para o penitente, a quem diz S. João Crisóstomo, ensinam o caminho da penitência e conversão.

Sermão sobre a Quaresma - São Leão Magno




Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo.

Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu Mestre.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

As Dores de Maria, para os dias de Carnaval



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Sicut qui thesaurizat, ita et qui honorat matrem suam ― «Como quem ajunta um tesouro, assim se porta o que honra sua mãe» (Eclo 3, 5).

Sumário. Por causa do imenso amor com que Jesus Cristo ama sua querida Mãe, são-lhe muito agradáveis os que com devoção meditam nas dores de Maria Santíssima, e inúmeras são as graças que lhes comunica. Mas infelizmente, quão poucos são os que praticam tão bela devoção! Muitos cristãos, em vez de se compadecerem das dores de Maria, lh’as renovam com seus pecados ou sua tibieza. Irmão meu, serás tu também um destes ingratos?

Para compreender quanto agrada à Bem-Aventurada Virgem que nos lembremos de suas dores, bastaria somente saber que ela, no ano de 1239, apareceu a sete devotos seus (que depois foram os fundadores da Ordem dos Servos de Maria), com um hábito negro na mão, e ordenou-lhes que, desejando fazer-lhe causa agradável, meditassem com freqüência em suas dores. Por isso queria que em memória delas trouxessem daí em diante aquele hábito lúgubre. Jesus Cristo mesmo revelou à Bem-aventurada Verônica de Binasco, que quase lhe agrada mais ver compadecida sua Mãe que ele mesmo, pois que lhe disse assim: Filha, são-me caras as lágrimas derramadas pela minha Paixão; mas como eu amo com amor imenso a minha Mãe, me é mais cara a meditação das dores que ela padeceu na minha morte.
I.Por isso são mui grandes as graças que Jesus prometeu aos devotos das dores de Maria. Refere o Padre Pelbarto ter sido revelado a Santa Isabel, que São João Evangelista, depois que a Santíssima Virgem foi assunta ao céu, desejava vê-la mais uma vez. Foi-lhe concedida a graça e apareceu-lhe sua cara Mãe e juntamente com ela também Jesus Cristo. Ouviu depois, que Maria pediu ao Filho alguma graça especial para os devotos das suas dores, e que Jesus lhe prometeu para eles quatro graças especiais: 1º. Que o que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer, antes da morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados. 2º. Que ele defenderá aqueles devotos nas tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte, . Que imprimirá neles a memória de sua Paixão, e que no céu lhes dará depois o competente prêmio. . Que entregará os tais devotos nas mãos de Maria, afim de que deles disponha à sua vontade e lhes obtenha todas as graças que quiser. Em comprovação de tudo isto encontram-se nos livros inúmeros exemplos.

II. Se é tão agradável a Maria Santíssima que nos lembremos das suas dores, e se são tão grandes as graças que Jesus Cristo prometeu a quem pratica esta devoção, claro está que, juntamente com a devoção à Paixão do Redentor, devia ser a de todos os cristãos. Mas infelizmente, quantos não há que, especialmente nestes dias de carnaval, em vez de honrarem a Virgem dolorosa, ainda lhe aumentam as penas e pela sua tibieza e pelos seus pecados lhe traspassam o coração com novas espadas?

É isso que, como conta o Padre Roviglione, a divina Mãe quis ensinar a um jovem seu devoto. Tendo este caído em pecado mortal e ido na manhã seguinte visitar uma imagem da Virgem que tinha sete espadas no peito, viu não sete, mas oito espadas. Ouviu então uma voz que lhe disse que aquele seu pecado tinha acrescentado a oitava espada no coração de Maria.

Ah, minha bendita Mãe! não só uma espada, mas tantas espadas quantos têm sido os meus pecados, acrescentei ao vosso coração. Ah Senhora! não a vós, que sois inocente, mas a mim, réu de tantos delitos, se devem as penas. Mas já que vós quisestes padecer tanto por mim, ah! pelos vossos merecimentos impetrai-me uma grande dor dos meus pecados, e paciência para sofrer os trabalhos desta vida, que serão sempre leves em comparação com os meus deméritos, pois que tantos vezes tenho merecido o inferno. Impetrai-me também, ó minha Mãe, uma devoção constante e terna à Paixão de Jesus Cristo e às vossas dores, afim de que, depois de Vos ter acompanhado na terra em vossas penas, mereça participar da vossa glória no céu. (*I 230.)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 277-279


Fonte:

O Carnaval Santificado e as Divinas Beneficências



Fidem posside cum amico in paupertate illius, ut et in bonis illius laeteris – “Guarda fé ao teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas” (Ecl 22, 28)
Sumário. Para desagravar o Senhor ao menos um pouco dos ultrajes que lhe são feitos, os Santos aplicavam-se nestes dias do carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à oração, à penitência, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com seu Bem-Amado. Procuremos imitar estes exemplos, e se mais não pudermos fazer, visitemos muitas vezes o Santíssimo Sacramento e fiquemos certos de que Jesus Cristo no-lo remunerará com as graças mais assinaladas.

I. Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.
Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.
II. Ut et in bonis illius laeteris – “para que te alegres com ele nas suas riquezas”. O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo: Fidem posside cum amico in paupertate illius, ut et in bonis illius laeteris. Ó, como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!
Conta-se na vida de Santa Gertrudes, que certa vez ela viu num êxtase o divino Redentor que ordenava ao Apóstolo São João escrevesse com letras de ouro os atos de virtude feitos por ela no carnaval, afim de a recompensar com graças especialíssimas. Foi exatamente neste mesmo tempo, enquanto Santa Catarina de Sena estava orando e chorando os pecados que se cometiam na quinta-feira gorda, que o Senhor a declarou sua esposa, em recompensa (como disse) dos obséquios praticados pela Santa no tempo de tantas ofensas.
Amabilíssimo Jesus, não é tanto para receber os vossos favores como para fazer coisa agradável ao vosso divino Coração, que quero nestes dias unir-me às almas que Vos amam, para Vos desagravar da ingratidão dos homens para convosco, ingratidão essa que foi também a minha, cada vez que pequei. Em compensação de cada ofensa que recebeis, quero oferecer-Vos todos os atos de virtude, todas as boas obras, que fizeram ou ainda farão todos os justos, que fez Maria Santíssima, que fizestes Vós mesmo, quanto estáveis na terra. Entendo renovar esta minha intenção todas as vezes que nestes dias disser: † Meu Jesus, misericórdia (1).
– Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, apresentai vós este humilde ato de desagravo a vosso divino Filho, e por amor de seu sacratíssimo Coração obtende para a Igreja sacerdotes zelosos, que convertam grande número de pecadores.
Referências:
(1) Indulg. de 300 dias cada vez

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 272-274)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os dez Mandamentos do Namoro - Caminho para um feliz matrimônio....








Achando útil concretizar os meios que indicam o bom caminho para um feliz matrimônio, segundo os Mandamentos de Deus, damos aos nossos queridos jovens os seguintes dez mandamentos do namoro:

1) Não pense no namoro antes de chegar à idade e às condições correspondentes ao casamento; e, chegando, o namoro, ou noivado, devem ser breve não passando mais de que uns meses.


2) No caso de namoro, noivado e mesmo casamento, não considere beleza nem riqueza nem se deixe levar pelo gosto, paixão ou outra aparência. Isto é grande erro que poderá conduzir ao fracasso. Deve-se considerar, muito mais a beleza da alma, o caráter, a virtude e outras boas qualidades de espírito.


3) Cuidado e, muito cuidado em dar confiança, liberdade ou intimidade durante o namoro e mesmo o noivado. Nesta época, a reserva é de suma importância mas sempre acompanhada de bondade e cortesia devendo respeitar-se como amigos ou verdadeiros irmãos.


4) Não confie em si mesmo na questão de namoro e casamento, nem se deixe levar pelas inclinações. Deve neste caso consultar e seguir a orientação dos maiores, como pais, relações de confiança, especialmente deve confiar seu empreendimento a um sacerdote, diretor espiritual. Todas estas são medidas que podem ajudá-lo para o êxito da vida futura.


5) Os namorados devem considerar, que o namoro deve ser um meio santo para um fim santo, que é o casamento. Para o êxito de ambos, devem saber que o casamento não é para satisfazer um prazer. O matrimônio é uma missão de responsabilidade grave diante de Deus, da sociedade e da própria consciência.


6) Deve saber que um namoro mole, livre e sensual será difícil de chegar a um casamento agradável e feliz. Este tal namoro, em caso de conduzir a um casamento, será acompanhado pela discórdia pela desconfiança e pelo desgosto e acabará pelo desquite e separação.


7) Para a nobreza e retidão do namoro convém pensar também que o casamento é um Sacramento sagrado, instituído por Deus, para a multiplicação, conservação e santificação da família e da raça humana.

Cada demasiada confiança neste sentido, cada liberdade desordenada, cada pensamento desviado é pecado grave, desmancha a pureza do casamento e priva da bênção de Deus, que é a própria felicidade.


8) Não se deixe enganar pelo exemplo do namoro da sociedade moderna. Esta atitude de namoro é um grande erro condenado por Deus, pela sociedade ciente, e pela razão sã e acabará mal. É um desvio da Moral que está degenerando a personalidade humana.


9) No ideal de escolher cônjuge, tenha bem presente certas igualdades, semelhanças e aproximações, como: caráter, gênio, cultura, origem, religião, cor, idade, físico, estatura, e outras qualidades. Estas condições são grandes fatores para a harmonia e paz da vida conjugal futura.


10) Os jovens, ao empreenderem os primeiros passos do namoro, devem ter um ideal elevado, nobre e sobrenatural; e ao chegarem a vida conjugal, devem seguir também santificando-se por uma conduta virtuosa e piedosa, servindo desta vida como meio para a vida eterna. Devem pensar sempre na felicidade eterna do Céu, muito mais que na felicidade fugaz da terra.


Felizes as moças e os rapazes que seguem os conselhos deste livrinho e as verdades destes dez mandamentos.


PE. ELIAS MARIA GORAYEB. Quarto Ponto: Os Dez Mandamentos do Namoro, O Namoro: Grito de Alarme





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Namoro e consequência