quarta-feira, 14 de maio de 2014

Leitura Indulgenciada - A Alma Gloriosa de Maria - 14

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XIV. ALMA HUMILDE
Disse o Divino Mestre um dia: “Aprendei de mim que sou humilde de coração”. Palavra admirável, que tem sido repetida, inúmeras vezes, através dos séculos, infelizmente não com aquele resultado que quisera Cristo. Pois se há virtude posta de lado nos nossos dias, como mesquinha e apoucada, é a muito nobre virtude da humildade.

Mas não foi em vão que a aconselhou o Mestre. Algumas almas tomaram a lição bem a sério. Mas uma, entre todas, tão perfeitamente a pôs em prática, que só ela bastaria para alegrar o coração do Mestre, se todas as outras não a tivessem compreendido. Foi a alma gloriosa de Maria. Cópia fidelíssima da humildade de Jesus. Santa Teresa entendeu bem esta virtude, quando disse: “a humildade é a verdade e o Senhor ama muito os humildes, porque Ele ama muito a verdade”. E é porque os homens não entendem esta doutrina que desprezam a humildade como se ela os amesquinhasse. Puro engano! — A prova está que é justamente nas almas mais nobres e elevadas que se encontra esta virtude. Por isso dizia, tão belamente, São Bernardo: “A humildade é Deus em suas criaturas”. — “Não se trata — acrescenta São Gregório Nazianzeno — de entortar o pescoço, falar baixo, inclinar a cabeça e andar de certo modo. Deve-se ter uma grande elevação d’alma, um esplendor divino no coração e uma afável simplicidade nos modos”. Foi assim a humildade de Maria! Cheia de grandeza e de elevação! À Santa Matilde foi revelado que a virtude em que a Virgem se exercitou de modo especial, desde a infância, foi a humildade. “Humilde — diz o P. Monsabré — tão humilde, que no Templo queria servir a todos. Tão humilde, que, dia e noite, pedia a Deus ser a serva de quem fosse escolhida para Mãe do Messias. Tão humilde — continua o mesmo orador francês — que se turbou quando foi saudada pelo Anjo: Cheia de graça! e ao que ela respondeu: Eis aqui a escrava do Senhor! Tão humilde que, fecundada pela virtude divina, antes quis expor se às incertezas de seu casto esposo, do que divulgar o segredo do Altíssimo. Tão humilde que, Mãe de Deus, se ocultou durante a vida do Salvador. Tão humilde que, é tradição, deteve os Apóstolos, não escrevessem as suas glórias”. Alma humílima! O seu grande  conhecedor e devoto Grignion de Montfort escreveu: “O          atrativo mais forte e mais contínuo desta alma, era de se esconder a si mesma de toda a criatura, para ser conhecida de Deus só”. — Jesus pregando em uma casa, Maria não quer entrar. Não aparece, também, no triunfo dos Ramos, mas sim na ignomínia do Calvário, como mãe de um criminoso, de um sentenciado...  O padre jesuíta Martinho d’Alberto costumava varrer e limpar a casa em honra da Virgem, que lhe apareceu um dia, conforme narra o P. Nieremberg, dizendo-lhe quanto lhe era agradável ver uma ação humilde, praticada por seu amor. Por isso dizia sempre o Irmão franciscano Jordão Mai: Falta um título na Ladainha: Virgem humilde, rogai por nós! Como andou avisado o P. Perroy, S. J., dando ao seu admirável livro sobre Nossa Senhora, o titulo encantador: A humilde Virgem Maria!
Olhemos para a nossa alma. Que diferença! Tão vazia de valores e tão cheia de si, tão desejosa de aparecer, de se mostrar, de que se ocupem com ela. Isto é o que nos amesquinha e nos apouca. Pois não amamos a verdade. Amamos o erro, o engano; nada sendo, queremos parecer alguma coisa. A humildade, porém, nos eleva, e nos enobrece, pondo-nos na categoria dos verdadeiros grandes diante de Deus.

MARIA, Virgem humilde, dai-nos uma lição da verdadeira humildade. Sem ela não poderemos agradar-vos nem a Vosso Filho Divino. Fazei-nos humildes! Assim seja!

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Do Livro: A Alma Gloriosa de Maria - Frei Henrique G. Trindade, O.F.M. - 1937 - segunda edição

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