segunda-feira, 31 de março de 2014

Renovação Carismática Católica - Semente de Destruição - Parte XII


Protestantismo.
            Dado as orígens ecumênicas e protestantes da RCC, não é de se admirar que o pensamento dos Carismáticos seja impregnado de concepções nitidamente protestantes. Uma das marcas registradas do Protestantismo é aquele princípio da sola scriptura, ou seja, apenas a Bíblia, ou melhor, apenas a interpretação pessoal das Escrituras baseada na "inspiração do Espírito Santo" é que tem valor. Devido a essa raiz tipicamente protestante, encontramos também entre os Carismáticos o menosprezo ou a rejeição da Tradição como fonte Divina da Revelação. Como bem demonstra o seguinte trecho, os carismáticos também compartilham dessa perigosa concepção:
... O fundamento da Renovação Carismática Católica é a Sagrada Escritura. Leituras de curtas passagens das Escrituras fazem parte da dinâmica dos grupos de oração... por minha própria  experiência,  essa sede pelas Sagradas Escrituras é uma das grandes bênçãos desses tempos... E mais, para mim é mais do que evidente de que aqueles que desejam ter um relacionamento pessoal com Deus deveriam pelo menos se familiarizarem mais com esse Livro... Que o Espírito Santo, inspirador das Escrituras, inspire-nos a termos amor por sua palavra. Que nos dirija naquelas passagens as quais são mais eficazes em nossas vidas e a um maior conhecimento do Pai e do Filho. ( Andy O'Neill- The Power of Charismatic Healing)
            Através dos séculos os santos concordaram que relacionar-se com Deus mais intimamente em oração permite a Deus também relacionar-se conosco intimamente compartilhando de sua divina sabedoria conosco... Na medida que nos comunicamos com Deus, Ele se comunica conosco. Mas o oposto também é verdade: se nós abrimos nossos corações para Sua Santa Palavra, uma extraordinária experiência de fé, esperança e amor jorrará em nossas almas... na medida em que alguém se torna cada vez mais ciente de que  a "letra mata, mas o Espírito vivifica"( II Cor.3:6), eventualmente o Espírito o levará ao coração daquela passagem. Mesmo que ele não saiba a correta e exata interpretação da passagem, ele pode depender apenas do Espírito para adquirir tanto o  significado  como a sua correta aplicação... Talvez nosso maior problema reside no fato de que  lemos muito a Palavra de Deus, mas a experimentamos muito pouco. Existe uma grande diferença entre memorizar passagens e pensar biblicamente com os "pensamentos de Deus"( I Cor. 2;11). Existe uma grande diferença entre ter as Sagradas Escrituras alojadas como um livro empoeirado dentro de nossas cabeças e tê-las como uma fonte viva jorrando inspiração em nossos corações.( Hampsch)
            Naturalmente que todo Católico sabe muito bem que a Interpretação das Sagradas Escrituras, como bem descreve a própria Escritura (II Pedro 1: 20) foi confiada exclusivamente à Igreja- a qual é verdadeiramente guiada pelo Espírito Santo- e não `a cada indivíduo em particular. Aliás, o seguinte trecho extraído dos decretos do Concílio de Trento explica esse princípio claramente, bem como a punição prometida àqueles que compartilham dessa crença e prática herética:
Portanto, de modo a refrear pessoas espertas e imprudentes, o Sínodo decreta que ninguém que confia em seu próprio julgamento em matérias de fé ou moral, os quais são pertinentes à edificação da Doutrina Cristã, e que ninguém que distorce as Sagradas Escrituras de acordo com suas próprias opiniões, se atreva a interpretar as Sagradas Escrituras em sentido contrário àquele que já foi estabelecido pela Santa Madre Igreja, cujo dever é julgar tudo que se refere ao verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras, ou mesmo contrário ao unânime consenso dos Santos Padres, mesmo que tais interpretações nunca tenham sido feitas com a pretensão de serem divulgadas. Que aqueles que se ousem se opor a essa declaração sejam punidos com as penalidades prescritas pela lei.(Denziger -786)
            Esse ensinamento foi reafirmado pela Profissão de Fé do Concílio de Trento e pela Constituição Dogmática do I Concílio Vaticano.
Continua...

domingo, 30 de março de 2014

Renovação Carismática Católica - Semente de Destruição - Parte XI



Tendências Gnósticas
            Várias formas de gnosticismo tentaram fazer estrada dentro da Igreja através dos séculos; elas podiam até ser diferentes umas das outras nos detalhes, mas o fator central subjacente entre elas sempre foi a alegada existência de um "conhecimento secreto", ou gnose, o qual faz de seu possuidor o crente verdadeiro, portanto, o único realmente preparado para o Céu. Com os Carismáticos, essa gnose se torna a experiência de Deus através das manifestações interiores e exteriores do "espírito", o qual transforma aqueles que experimentam tais fenômenos em verdadeiros "crentes".
         Ecumenismo
            A filosofia  fenomenalista Carismática  possui interessantes repercussões na área do Ecumenismo. Segundo a RCC, no Concílio Vaticano II, "a Igreja  comprometeu-se  irrevogavelmente em seguir o caminho da aventura ecumênica" (Ut Unum sint 3)...
O fato é que não-católicos tem compartilhado das mesmas experiências dos Carismáticos independente da Igreja supostamente provar a validade de suas seitas heréticas. Essa atitude é fenomenalismo puro e simples: Deus Espírito Santo estaria produzindo o fenômeno "X" entre os Católicos Carismáticos; o fenômeno "X" está presente também na seita protestante "Y"; portanto, a seita protestante "Y" compartilha da mesma fé verdadeira com os Carismáticos Católicos. O fato de que o menos experiente aluno de escola primária poderia facilmente desbancar essa falsa suposição, parece não apresentar nenhum problema para os Carismáticos, uma vez que tal lógica cai naquela categoria que eles definem como "conhecimento racional" ao invés do verdadeiro conhecimento de "coração", o qual eles se gabam de ter como experiência.
            Como o seguinte trecho demonstra, os Carismáticos acham que a caridade mútua baseada na experiência é que é o princípio da Unidade Cristã:
"Enquanto a inteira Igreja, tanto o Clero como leigos, estão às voltas tentando responder a esse mandamento de buscar a Unidade, de um modo único isso já é real para os líderes da RCC, porque tanto as orígens de nossa renovação pentencostal como as ações do próprio Deus na Renovação são ecumênicas. A renovação possui uma dimensão ecumênica, a qual de forma alguma é acidental, e sim que faz parte de sua natureza. Portanto a renovação Carismática como é freqüentemente descrita, é uma graça ecumênica para a Igreja"
Três fatos da história moderna podem facilitar nossa compreensão. No final do último século, enquanto o Papa Leão XIII pedia aos Católicos de todos os lugares para que rezassem por uma renovação do Espírito Santo, muitos protestantes evangélicos também estavam ávidamente buscando uma renovação no espírito. O segundo fato é que a confiança ecumênica do Vaticano II foi o principal componente do "novo Pentencostes", pelo qual a inteira Igreja havia  rezado antes e durante o Concílio. O terceiro fato é que quando a renovação pentencostal começou entre os Católicos lá pelo final da década de 60, a mesma renovação  no Espírito, com carismas, serviço mútuo e amor... simultaneamente estava acontecendo também entre cristãos de outras denominações pelo mundo afora...
Aqui a chave para o sucesso é o genuíno respeito mútuo entre líderes protestantes e Carismáticos católicos.Quando ambos, Carismáticos católicos, evangélicos pentecostais, bem como outros líderes protestantes não denominacionais, aceitarem a validade da fé de seus concorrentes, aí sim, haverá uma boa fundação. Reconhecimento mútuo do fato de que a fé em Jesus Cristo e o batismo faz-nos irmãos e irmãs em Cristo e membros de seu único Corpo é fundamental para construirmos relacionamentos de mútua confiança, respeito e amizade. Existe uma relação direta entre tal fundação de relacionamentos pessoais sólidos e o sucesso de qualquer empreendimento ecumênico."(Kevin Ranaghan- Ecumenism and Catholic Charismatic Renewal Today)
            Todo Católico sabe muito bem que a tão propalada "unidade cristã" significa apenas uma coisa,  o retorno daqueles que se encontram no erro ao seio da única Igreja, fundada por Jesus Cristo e administrada por seu Vigário na Terra, ou seja, o Romano Pontífice. A Unidade da Igreja é baseada na Verdade objetiva, guardada e proclamada pelo Papado, o qual é o princípio de unidade da Igreja. Aqueles que não estão unidos na fé e na comunhão com a Igreja são, pelo menos objetivamente falando, heréticos por negarem a fé e cismáticos por não se submeterem ao Romano Pontífice. A ininterrupta Tradição da Igreja, objetivamente dizendo, exclui-os da Salvação enquanto persistir sua desunião:
"Portanto, nós declaramos, nós definimos que é absolutamente necessário para a Salvação, que toda a criatura humana esteja sujeita ao Romano Pontífice"(Papa Bonifácio VIII- Unam Sanctam).
Ao contrário do que dizem os Carismáticos, o Papa Pio XII declara em sua magnífica Encíclica Mystici Corporis:
"Cristo", diz o Apóstolo, "é a Cabeça do Corpo da Igreja". Se a Igreja é o corpo, esse deve ser de uma inquebrantável unidade, de acordo com as palavras de Paulo: "Apesar de sermos muitos, somos um só corpo em Cristo". Mas não é apenas necessário que o Corpo da Igreja seja uma unidade inquebrável, mas também que deve ser algo definido e perceptível como bem define nosso predecessor de feliz memória, Leão XIII em sua Encíclica Sagitis Cognitum: "A Igreja é visível porque ela é um corpo. Portanto erra em matéria de verdade divina, aqueles que imaginam a Igreja como invisível, intangível, algo meramente peneumológico (espiritual), como eles costumam dizer, "presente através de muitas comunidades cristãs, que embora diferenciando-se umas das outras por sua profissão de fé, estão unidas por um elo invisível".
            No que diz respeito à pertença à única Igreja de Cristo, o mesmo Santo Pontífice ainda declara: 
"Verdadeiramente, apenas são contados como membros da Igreja, aqueles que tendo sido batizadosprofessam a verdadeira Fé e que não tiveram o infortúnio de se separarem da unidade do Corpo, ou que foram legitimamente excluídos pela autoridade devido a graves faltas cometidas. Pois em um só Espírito, diz o Apóstolo, "foram todos batizados em um só corpo, sejam judeus ou gentios,escravos ou livres. Assim portanto, na verdadeira comunidade Cristã existe apenas um Corpo, um só Espírito,um só Batismo, e uma única fé. E assim, se uma pessoa se recusa a ouvir a Igreja, que ele seja considerado- como bem diz o Senhor-  como um inimigo ou publicano. Segue-se então que  aqueles que se separaram por fé ou governo, não podem estar vivendo na unidade de tal Corpo ou vivendo a vida de seu Divino Espírito".
            Portanto, partindo de um ponto de vista genuinamente Católico, devemos admitir que a existência de verdadeiros carismas entre os Protestantes é algo mais do que contraditório. Se esses fenômenos estivessem ocorrendo de fato, eles se dariam de forma claramente excepcional e não em caráter normativo. Por outro lado, eles teriam uma única finalidade, ou seja, a conversão dos Protestantes para o Catolicismo. Por outro lado, mesmo se verdadeiros carismas estivessem ocorrendo entre Católicos e Protestantes, a idéia de que um fenômeno tão suspeito como o de agora, possa servir de base para uma falsa e "irenistica" união entre duas crenças completamente opostas, é algo claramente não-católico e demonstra uma certa perda da Fé por parte daqueles que pensam dessa maneira.
Continua...

sábado, 29 de março de 2014

Renovação Carismática Católica - Semente de Destruição - Parte X



  Idéias Fenomenalistas
            O Fenomenalismo, cujas raízes procedem do Iluminismo do século 18, é o principal fator subjacente do Movimento Carismático. A Enciclopédia Católica define o fenomenalismo da seguinte maneira:
            Fenomenalismo literalmente significa qualquer sistema de pensamento que tem a ver com as aparências. O termo contudo, é comumente restrito `a designação de certas teorias pelos que elas determinam: 1- que não existe nenhum outro conhecimento o não ser o próprio fenômeno- negação da substância no senso metafísico; ou 2- que todo conhecimento é fenomenal- negação do objeto em si e determinação de que toda a realidade é diretamente ou reflectivamente presente no inconsciente.
            Portanto, para o Carismático, uma pessoa não conhece verdadeiramente Deus, enquanto não tiver "experimentado" Deus de forma consciente, ou seja, enquanto não tiver tido uma experiência sensorial (normalmente emocional e às vezes até física, como no caso da glossolalia, ou "falar em línguas"). De fato, a "experiência espiritual"  chega a anular a Revelação pública e os quase 2000 anos de ensinamento do Magistério Católico em matérias, tais como, só pra citar um exemplo,  o Ecumenismo.
            Para o Carismático, a mera presença hoje em dia de um fenômeno supostamente idêntico aos verdadeiros carismas presentes na Igreja Primitiva já é o bastante para provar sua orígem divina. A experiência é o que importa, não o questionamento legítimo do intelecto, tal como "Por que esse intervalo de quase 2000 anos?" Seria essa experiência a mesma do fenômeno descrito nas Escrituras? Estaria esse "espírito" guiando-nos para uma vida plenamente Católica ou rumo à apostasia? O fracasso dos Carismáticos em fazer um autêntico discernimento dos espíritos é possivelmente sua gafe mais perigosa, uma vez que o demônio é capaz de operar prodígios, os quais são como imitações ou mímicas daqueles fenômenos verdadeiramente realizados por Deus.
            De fato, o intelecto é radicalmente descartado pelos membros da RCC. Existe uma conversa generalizada a respeito da assim-chamada "18 polegadas da cabeça para o coração" em quase toda literatura Carismática nos primeiros níveis do "crescimento espiritual". Como já foi dito anteriormente, tal "conhecimento do coração",  que nada mais é senão confortantes e agradáveis sentimentos em relação à Deus, de forma alguma é algo espiritual e sim puramente emocional- o que também significa físico! Esses escritores e autores Carismáticos desprezam de tal forma o intelecto, como se Deus não o tivesse dado ao homem para seu próprio proveito: "Intellectum tibi dabo"( Salmo. 31)
            Para a mente fenomenalista do Carismático, nem mesmo os Sacramentos estão imunes ao pensamento subjetivista a respeito da graça. Os Católicos sabem que o sacramento produz a graça ex opere operato, independente do estado espiritual do ministro ou do recipiente. Naturalmente o recipiente pode estar mais ou menos bem disposto para receber as graças concedidas, mas a graça é produzida independente das disposições subjetivas das partes envolvidas. Para o Carismático, qualquer coisa na vida espiritual que não produz uma consolação subjetiva ou emoção, não é experiência de fé válida e portanto, não confere a graça.
            Assim, o seguinte trecho do livro  "Healings Sacraments" escrito por um sacerdote Carismático sobre a Confissão, nos dá um bom exemplo disso:
"Durante o Sacramento da Reconciliação nós recebemos a cura na forma do perdão e na forma de uma grande resistência contra a tentação. Eis porque nos sentimos mais leves e muito melhores depois de termos feito uma boa confissão". ( Fr. Dave Schwarz)
            Nem mesmo o Sacramento da Eucaristia está imune a tal princípio subjetivista;
"Quando você estiver orando depois de ter recebido a Comunhão, eu sugiro que você visualize raios luminosos de cura saindo da hóstia consagrada que você acabou de receber e fluindo através de todo o seu ser"...
            Para o fenomenalista, assim como para o Carismático, o objeto não tem verdadeira existência quando separado do sujeito. Essa lógica extrema torna-se então uma questão do relacionamento da consciência consigo própria. Assim não é difícil ver no que a moderna religião pós-conciliar se tornou... de acordo com algumas acusações, a religião do homem adorando-se a si próprio.
Continua...

sexta-feira, 28 de março de 2014

Renovação Carismática Católica - Semente de Destruição - Parte IX


Uma Comparação entre Idéias Carismáticas e a Doutrina Católica
            Numa análise final, a ortodoxia de qualquer crença ou prática não depende tanto de como uma pessoa se sente a respeito, ou do que o padre, bispo e até mesmo o Papa (quando ensina apenas como um teólogo) diz a respeito, e sim da autoridade do Magistério perene da Igreja. O constante ensinamento de Papas e Concílios nesses quase 2000 anos de história da Igreja é que determina se uma crença particular é de fato Católica ou não. A negação desse fator básico pelos Católicos liberais é o motivo principal da crise na qual a Igreja se encontra mergulhada nos dias de hoje. Portanto não é de se admirar que encontremos os Carismáticos de hoje, sustentando  crenças e práticas que há somente 50 anos atrás teriam lhes causado os maiores problemas com as autoridades da Igreja.
            De modo a termos um claro panorama do que há de errado com a RCC, é necessário examinar seus princípios básicos à luz da Doutrina Católica. Apesar de estar muito além do objetivo dessa tese, fazer uma análise teológica detalhada do movimento, vários pontos básicos serão levantados. Tais questões poderão ser aprofundadas posteriormente por teólogos competentes.
            Embora a RCC seja um "grupo de grupinhos" vasto em número e intencionalmente impreciso do ponto de vista doutrinal, certos princípios específicos podem ser decodificados a partir da vasta literatura Carismática disponível. Esses princípios podem até não ser conscientemente apoiados por todos os Carismáticos em geral, mas eles podem ser frequentemente encontrados- explicitamente ou implicitamente- em seus escritos.
             Idéias Fenomenalistas
            O Fenomenalismo, cujas raízes procedem do Iluminismo do século 18, é o principal fator subjacente do Movimento Carismático. A Enciclopédia Católica define o fenomenalismo da seguinte maneira:
            Fenomenalismo literalmente significa qualquer sistema de pensamento que tem a ver com as aparências. O termo contudo, é comumente restrito `a designação de certas teorias pelos que elas determinam: 1- que não existe nenhum outro conhecimento o não ser o próprio fenômeno- negação da substância no senso metafísico; ou 2- que todo conhecimento é fenomenal- negação do objeto em si e determinação de que toda a realidade é diretamente ou reflectivamente presente no inconsciente.
            Portanto, para o Carismático, uma pessoa não conhece verdadeiramente Deus, enquanto não tiver "experimentado" Deus de forma consciente, ou seja, enquanto não tiver tido uma experiência sensorial (normalmente emocional e às vezes até física, como no caso da glossolalia, ou "falar em línguas"). De fato, a "experiência espiritual"  chega a anular a Revelação pública e os quase 2000 anos de ensinamento do Magistério Católico em matérias, tais como, só pra citar um exemplo,  o Ecumenismo.
            Para o Carismático, a mera presença hoje em dia de um fenômeno supostamente idêntico aos verdadeiros carismas presentes na Igreja Primitiva já é o bastante para provar sua orígem divina. A experiência é o que importa, não o questionamento legítimo do intelecto, tal como "Por que esse intervalo de quase 2000 anos?" Seria essa experiência a mesma do fenômeno descrito nas Escrituras? Estaria esse "espírito" guiando-nos para uma vida plenamente Católica ou rumo à apostasia? O fracasso dos Carismáticos em fazer um autêntico discernimento dos espíritos é possivelmente sua gafe mais perigosa, uma vez que o demônio é capaz de operar prodígios, os quais são como imitações ou mímicas daqueles fenômenos verdadeiramente realizados por Deus.
            De fato, o intelecto é radicalmente descartado pelos membros da RCC. Existe uma conversa generalizada a respeito da assim-chamada "18 polegadas da cabeça para o coração" em quase toda literatura Carismática nos primeiros níveis do "crescimento espiritual". Como já foi dito anteriormente, tal "conhecimento do coração",  que nada mais é senão confortantes e agradáveis sentimentos em relação à Deus, de forma alguma é algo espiritual e sim puramente emocional- o que também significa físico! Esses escritores e autores Carismáticos desprezam de tal forma o intelecto, como se Deus não o tivesse dado ao homem para seu próprio proveito: "Intellectum tibi dabo"( Salmo. 31)
            Para a mente fenomenalista do Carismático, nem mesmo os Sacramentos estão imunes ao pensamento subjetivista a respeito da graça. Os Católicos sabem que o sacramento produz a graça ex opere operato, independente do estado espiritual do ministro ou do recipiente. Naturalmente o recipiente pode estar mais ou menos bem disposto para receber as graças concedidas, mas a graça é produzida independente das disposições subjetivas das partes envolvidas. Para o Carismático, qualquer coisa na vida espiritual que não produz uma consolação subjetiva ou emoção, não é experiência de fé válida e portanto, não confere a graça.
            Assim, o seguinte trecho do livro  "Healings Sacraments" escrito por um sacerdote Carismático sobre a Confissão, nos dá um bom exemplo disso:
"Durante o Sacramento da Reconciliação nós recebemos a cura na forma do perdão e na forma de uma grande resistência contra a tentação. Eis porque nos sentimos mais leves e muito melhores depois de termos feito uma boa confissão". ( Fr. Dave Schwarz)
            Nem mesmo o Sacramento da Eucaristia está imune a tal princípio subjetivista;
"Quando você estiver orando depois de ter recebido a Comunhão, eu sugiro que você visualize raios luminosos de cura saindo da hóstia consagrada que você acabou de receber e fluindo através de todo o seu ser"...
            Para o fenomenalista, assim como para o Carismático, o objeto não tem verdadeira existência quando separado do sujeito. Essa lógica extrema torna-se então uma questão do relacionamento da consciência consigo própria. Assim não é difícil ver no que a moderna religião pós-conciliar se tornou... de acordo com algumas acusações, a religião do homem adorando-se a si próprio.
Continua...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Renovação Carismática Católica - Semente de Destruição - Parte VIII



O Desdobramento —  Profecia Carismática — Mensagem de Medjugorje de 9 de maio de 1985 

O Desdobramento
              Um outro desdobramento da árvore Carismática, que não podemos deixar passar despercebido é o fenômeno conhecido pelos seus seguidores como "Movimento Mariano"e pra quem está do lado de fora como "Aparição Mania". Apesar de uma profunda avaliação desse aspecto  não ser o objetivo desse artigo, os frutos maiores e mais venenosos deverão certamente ser demonstrados. Maiores considerações a respeito podem ser encontrados no livro de Michael Davis "Medjugorje-A Warning".
            Os Carismáticos sempre tiveram um lugar especial (mas não muito especial) para a Bem- Aventurada Virgem, chamando-a de "a Primeira Carismática", aquela que "concebeu pelo poder do Espírito Santo" e que "estava presente no Cenáculo quando os discípulos de Jesus ficaram cheios do Espírito Santo".
            Como muitos Carismáticos admitem, o Movimento Mariano estava começando a minguar por volta do início da década de 80. Mas de repente as assim chamadas aparições começaram a pipocar em diferentes locais no mundo inteiro e uma outra bem maior foi anunciada semanas antes  do acontecimento num Encontro da RCC em Roma. Uma "profecia" foi proferida concernente a uma aparição que começaria  dali há poucos dias nasBalcãs- Bósnia Herzegovina. Como foi prometido, Nossa Senhora teria aparecido na data marcada e desde então vem aparecendo quase que diariamente!
            Obviamente que as supostas manifestações alegadas pelos Carismáticos e as supostas aparições reinvindicadas pelos "videntes" de Medjugorje caem em duas categorias bem diferentes de fenômeno sobrenatural, mas a sobreposição entre os Carismáticos e os seguidores de Medjugorje é quase completa na descrição do autor do livro .
            Os Carismáticos voam em bando para Medjugorje, apesar da Igreja desencorajar tais peregrinações e apesar do julgamento do Bispo Diocesano, o qual declara que as supostas aparições não são autênticas de modo algum. Qualquer um deveria chegar à conclusão que um "espírito" que os leva a desobedecer a uma proibição explícita de Roma, bem como uma "Nossa Senhora" que leva os franciscanos encarregados da paróquia de Medjugorje, a menosprezarem as censuras de seu Bispo Diocesano por causa de suas atitudes pecaminosas, de forma alguma pode vir de Deus. Mas infelizmente, enquanto os "rosários" e outros souvenirs continuarem se convertendo em ouro, ninguém parece estar muito preocupado com essas questões.
            Ali "Nossa Senhora" supostamente estaria dando mensagens periódicas ao mundo. Mensagens que por mais estranho que pareça, são muito parecidas com as profecias proferidas pelos Carismáticos em seus grupos de oração. O conteúdo, nem precisamos mencionar, fica ao nível do primeiro grau de uma escola de Catecismo e o estilo normalmente é uma mistura de caráter sentimental. Mais abaixo apresentamos um paralelo entre dois exemplos:

            Profecia Carismática:
            "Meu povo, Eu coloquei o meu louvor em seus lábios. Ponham o meu louvor em cada situação de suas vidas e eu mostrarei-lhes o poder do meu louvor, diz o Senhor! Meu povo, dêem as costas para o mal, venham até mim. estejam no mundo, mas não sejam do mundo, honrem o Meu Filho e Eu darei-lhes paz e contentamento, diz o Senhor! Mesmo se uma mulher esquecesse o filho que ela gerou, eu não me esqueceria de vocês. Seu nome está escrito na palma de minha mão, diz o Senhor. Tragam-me os doentes e eu os curarei, suas preocupações eu as dispersarei, seus fardos e eu os carregarei. Meu povo, eu quero vos libertar, diz o Senhor." ( Livro: O Carisma da Profecia- Andy O'Neill)

Mensagem de Medjugorje de 9 de maio de 1985

            Caros filhinhos! Vocês não sabem quantas graças Deus está derramando sobre vocês nesses dias em que o Espírito santo está agindo de modo especial. Vocês não querem avançar. Seus corações estão voltados para as coisas terrenas e vocês se mantêm ocupados por elas. Voltem seus corações para a oração e peçam para que o Espírito Santo seja derramado sobre vocês. Obrigado por terem respondido ao meu chamado. (Fr. René Laurentin- As Aparições de Medjugorge continuam)
            As mentiras, o engano, a desobediência e o escândalo aberto por parte de membros do clero, que envolvem essa suposta aparição, deveriam ser sinais  mais do que suficientes para convencer qualquer um de sua falsidade. A proibição de Roma no tocante às peregrinações e a decisão do Bispo diocesano sobre a autenticidade do fenômeno tem mantido os Católicos obedientes afastados de toda essa confusão. Mas ainda assim o povo vai em massa, aos milhares por ano, por causa dos chamados "bons frutos", ou seja, as assim chamadas conversões, curas, milagres do sol...etc.
            A Fé Católica sempre ensinou que verdade e erro não se misturam, nem bem com o mal, nem verdade com falsidade. Como já foi dito antes, Satanás não se importa  de maneira alguma se as pessoas resolvem seguir essa ou aquela peregrinação, orar mais e até se sentirem mais tocadas emocionalmente em relação a Deus ou à Virgem Maria, pelo contrário, ele até ajuda com os bilhetes do avião, desde que tudo isso contribua de algum modo para levá-los direto para o inferno no final das contas.
Continua...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Renovação Carismática Católica - Semente de Destruição - Parte VII



Paralelos Históricos.
              Não podemos negar que extraordinárias manifestações  do Espírito Santo ocorreram durante a Era Apostólica e que foram mais do que úteis para ajudar a difundir a Fé Cristã pelos quatro cantos do mundo conhecido até então. Qualquer um pode constatar isso, lendo os Atos dos Apóstolos. Tais manifestações tinham propósitos específicos: espalhar a mensagem do Evangelho a ouvintes de diferentes idiomas ( ex: São Pedro no dia de Pentecostes) ou provar a credibilidade ou santidade do pregador.
            Todavia, é também inquestionável que esses fenômenos extraordinários duraram consideravelmente pouco e desapareceram logo após a Era Apostólica. A Igreja tinha então atingido uma universalidade moral e havia se estabelecido de tal maneira que essas manifestações já não eram mais nem úteis ou necessárias.
            Apesar disso, de vez em quando, pipocavam ali e acolá alguns grupinhos "espiritualistas" que ganhavam notoriedade  devido às suas estranhas crenças e práticas, mas que no fim acabavam por receber a condenação da Igreja. As  principais entre essas seitas, foram:  a dos "Joaquinitas", seguidores de Joaquim de Fiore por volta do século 12, os Fraticelli que eram alguns franciscanos cismáticos do século 13 e 14, e os Molinistas ou (Quietistas) por volta do século 17.
            Joaquim de Fiore ( 1132-1202), foi um abade da Ordem Cistercience especializado no estudo das Sagradas Escrituras. Todavia ele tinha uma mente muito voltada para o misticismo e passou anos dissecando as Escrituras, buscando descobrir significados escondidos nas entrelinhas das menores passagens. ( Esta prática de se ler nas entrelinhas "guiados pelo Espírito", é a marca registrada dos carismáticos dos tempos modernos). No final de sua vida, depois de completar sua obra, Joaquim submeteu seus escritos ao julgamento de Roma.
            Em seus escritos, ele expunha erros concernentes à Santíssima Trindade, embora mais tarde  tenha se retratado depois que tais erros foram anatematizados pelo Quarto Concílio de Latrão. Todavia, sua idéia mística a respeito da História era o item mais problemático. Joaquim sustentava que a história do mundo tinha sido dividida em três fases distintas, cada uma correspondente a uma pessoa da S.S Trindade. Assim, a primeira fase da história da humanidade teria sido marcada pelo governo majestoso de Deus-Pai, a segunda, que são os nossos tempos, pela Sabedoria do Filho e de sua Igreja, e a terceira, ainda por vir, pelo Espírito Santo num derramamento de amor universal e com o desaparecimento de todas as religiões formais em favor de um mundo governado apenas pelo espírito do Evangelho. Todo esse ensinamento foi condenado pelo Papa Alexandre IV logo após a morte de Joaquim no século 13.
          A similaridade entre esse antigo ensinamento e o constante jargão Carismático sobre "uma nova era do Espírito", é algo que dispensa comentários. Pelo contrário, mais preocupante é a fascinação do Santo Padre com a chegada do Novo Milênio. Ao falar dos preparativos para o Grande Jubileu do ano 2000, o Papa João Paulo II designou o ano de 1998 como o "Ano do Espírito":
             "A Igreja não poderia se preparar para o Novo Milênio de outro modo senão pelo Espírito Santo. O que foi conquistado pelo poder do Espírito Santo na plenitude dos tempos, apenas pelo poder do Espírito é que poderá emergir agora da memória da Igreja".
 E o Santo Padre vai ainda mais adiante:

"A tarefa primordial na preparação para o Jubileu incluirá uma renovada apreciação da presença e da atividade do Espírito Santo... [ cita sinais de como isso já está ocorrendo]... maior atenção à voz do Espírito através da aceitação dos carismas e da promoção dos leigos, um compromisso mais profundo com a causa da unidade dos cristãos, e um crescente interesse pelo diálogo com outras religiões e com a cultura contemporãnea."
            Essas declarações surpreendentes revelam claramente como o atual Papa associa  Ecumenismo, Secularismo e  Laicismo com o Novo Milênio e com a obra do Espírito Santo. A similaridade entre esse tipo de raciocínio e o pensamento de Joaquim de Fiori [ aquele de que o Espírito, através de um derramamento de amor universal, unirá todas as religiões formais no espírito do Evangelho]é alarmante demais, pra não dizer o pior.
            Um dos principais seguidores das idéias de Joaquim, foi um  grupo "espiritualista", formado por alguns frades da Ordem  Franciscana. Os descendentes diretos desse grupo, formaram um século depois da morte de Joaquim, o grupo dos Fraticelli, e suas interpretações pessoais do Evangelho renderam-lhes os maiores problemas tanto dentro da Ordem Franciscana como com o Papa. No final, eles acabaram dizendo que a Igreja era corrupta e carnal, em contraste com a sua própria espiritualidade e que  eles eram os únicos verdadeiros seguidores do Evangelho. Eles acabaram sendo excomungados pelo Papa João XXII em 1318.
            É interessante notar que os Carismáticos também costumam fazer essa distinção entre  "Católicos plenos" e os "outros", ao fazerem declarações como essa de uma tal Betty Nunez:
"Eu não estou dizendo que os "outros"católicos não crêem, mas quando você é renovado pelo Espírito, sua fé se torna viva".
            Agora, dando à Senhora Nunez todo o benefício da dúvida, tal declaração soa como um insulto a qualquer Católico não-Carismático, pois seria o mesmo que dizer que temos uma fé morta ao passo que os Carismáticos possuem uma fé viva. Esse tipo de declaração infeliz é muito parecida  com a dos Fraticelli.
            Miguel de Molinos (1628-1696) confundiu completamente o ensinamento Católico sobre a graça e a natureza. Apesar dele acreditar que a graça supõe a natureza, ele ensinava que o único caminho para a santificação era o completo abandono da alma às ações de Deus ( aqui no caso, o Espírito Santo). Novamente, isso soa como ortodoxo a princípio, ou seja,  quando ouvido num contexto ortodoxo. Todavia contém um erro grave. Molinos sustentava que a alma deveria ficar completamente passiva à ação de Deus. Mas seu quarto princípio, também condenado, sustentava todos os demais: "A atividade natural é inimiga da Graça, impedindo a ação de Deus e a verdadeira perfeição, porque Deus deseja operar em nós, sem nós". Aqui não se trata de conformarmos nosso livre-arbítrio, ou seja, nossa vontade, à Vontade Divina e sim de aniquilarmos nossa própria vontade, substituindo-a pela Vontade Divina. Como consequência disso, depois que ocorre esse "aniquilamento", a pessoa fica isenta de qualquer responsabilidade pelos seus atos, já que ela se tornou de certa forma, um autômato.
            A pergunta mais comum entre os Carismáticos costuma ser: "É Jesus Cristo o Senhor da sua vida?" Naturalmente que todo Católico deseja que Jesus Cristo seja não apenas o "Rei e Centro de todos os corações"como também do mundo inteiro. Aliás, o Reino Social de Cristo Rei deveria ser uma de nossas bandeiras de luta. É importante todavia compreender a diferença entre essas duas posições. Os Católicos querem conformar sua vontade de forma que ela esteja de acordo com a Vontade Divina. As conquistas naturais são plenas de perfeição apenas quando guiadas e ordenadas para o sobrenatural. Já os Molinistas ( e Carismáticos) querem aniquilar seu próprio livre-arbítrio, tornando-se vasos completamente passivos sob a ação da Vontade Divina. A seguinte passagem é um trecho típico da literatura carismática a esse respeito:
 Jesus aprendeu a vontade do Pai, vivendo num relacionamento pessoal diário com Ele. Será que eu estou crescendo na prática da Presença de Deus através do meu dia-a-dia?  Eu faço as coisas ou progrido de um modo compulsivo ou como resposta? Será que meu ouvido interior está treinado para ouvir, buscando ouvir o Espírito Santo e seguir sua doce moção? Seguir o Espírito é como pisar na corrente de um rio, permitindo que ela lhe dê a direção. ( Patti Harrison-"Jesus Lord of my life")
            Qualquer um pode imaginar sendo esta a disposição na qual um Carismático se encontra antes de  ter uma manifestação física do "espírito". Afinal o que mais poderia proporcionar o clima ideal para que pessoas ordinárias sejam capazes de contorcer-se, saracotear, lançando-se em uma verdadeira algazarra dentro da Igreja? Uma das duas explicações parece ser o mais provável: que o sujeito realmente deseja - talvez até inconscientemente- realizar essa performance por causa da dinâmica de grupo ou histeria coletiva, ou que seu estado de relaxamento deixa-o completamente aberto e passivo a mercê de uma verdadeira manifestação do "espírito"- naturalmente que aqui não se refere ao Espírito Santo! Pois como sempre foi ensinado pela Igreja , o ato de se falar uma língua estranha que ninguém compreende é um sinal clássico de possessão diabólica.

Continua...