terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Os 22 apelos da Mensagem de Fátima, segundo Irmã Lúcia (Parte 2)

Na ocasião, nem ao de leve puderam as crianças suspeitar que essa chamada à oração era não só para elas, mas também para toda a humanidade. Hoje, considero este apelo como uma chamada de atenção para o caminho marcado por Deus às suas criaturas, desde o princípio da criação
























Dando prosseguimento às postagens de alguns trechos das meditações de Irmã Lúcia, escritas de seu próprio punho no seu livro intitulado Apelos da Mensagem de Fátima, publicado em 8 de dezembro de 2000, seguem mais três importantes apelos da Mensagem.
A escolhida da Santíssima Virgem reuniu nesta sua obra os vinte e dois apelos da Mensagem que muito resumidamente passamos a publicar a partir do presente artigo. Com isso, desejamos chamar a atenção do leitor não somente para a urgência da Mensagem do Céu, dirigida à desorientada humanidade dos nossos tempos, mas, também, para as reflexões da humilde carmelita que heroicamente viveu em plenitude a Mensagem, legando-nos sublimes apontamentos nesse seu precioso livro.

Sexto apelo da Mensagem – Apelo à oração

“Orai, orai muito!”
Este apelo teve lugar na segunda aparição do Anjo.
Encontravam-se as pobres crianças entretidas, sentadas nas lajes do poço situado no quintal dos meus pais. O Mensageiro celeste apresenta-se e dirige-lhes a seguinte pergunta: “Que fazeis?” e, sem esperar resposta, continua: “Orai, orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios. (…) De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
Na ocasião, nem ao de leve puderam as crianças suspeitar que essa chamada à oração era não só para elas, mas também para toda a humanidade. Hoje, considero este apelo como uma chamada de atenção para o caminho marcado por Deus às suas criaturas, desde o princípio da criação.
A Mensagem nos renova a recomendação do Senhor: “Orai, orai muito!”. Este apelo é a repetição da chamada à oração que tantas vezes nos foi dirigia por Deus e que Jesus Cristo deixou aos Seus Apóstolos e a nós também, nos últimos momentos da Sua vida terrena: “Vigiai e orai!”.
A Sagrada Escritura diz-nos como devemos empregar o tempo que Deus nos quiser dar de vida: uma parte há de ser dedicada à oração, outra ao desempenho dos deveres do nosso estado e uma terceira destinada ao bem do próximo por amor de Deus. O dia tem vinte e quatro horas; não fazemos nada de mais, se reservarmos alguns momentos para nos encontrarmos com Deus.
As igrejas são a casa do nosso Pai do Céu. Tal como os filhos se juntam à volta do pai para escutar as suas palavras, ouvir os seus ensinamentos e seguir as suas diretrizes, assim se reúne o Povo de Deus na casa do Pai, à volta de Cristo, para escutar a Sua palavra, expor-Lhe as suas necessidades, receber os Seus favores e cantar-Lhe os seus louvores. Estou a falar-vos da oração coletiva, na qual todos devemos tomar parte.
Há depois a oração particular de cada um, que não devemos descuidar. Todos os filhos têm os momentos em que procuram encontrar-se a sós com seu pai, para em particular lhe exporem os seus problemas, pedirem-lhe os seus conselhos e auxílio. Ora Deus é o nosso verdadeiro Pai; devemos, por isso, procurar encontrar-nos com Ele a sós, para Lhe dirigirmos as nossas súplicas, os nossos agradecimentos, os nossos protestos de fidelidade e amor; para Lhe expormos as nossas dificuldades, recebermos o Seu auxílio, os Seus conselhos, a Sua luz, graça e conforto.
Mas, além destes templos construídos pelas mãos dos homens, temos outros templos, não menos reais, onde devemos orar e oferecer a Deus os nossos sacrifícios: é a nossa alma, o nosso coração, a nossa consciência. Aí está Deus! Aí habita a Santíssima Trindade! Se nos encontramos em estado de graça, somos templos de Deus: “Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra: Meu Pai amá-lo-á e viremos a ele e faremos nele morada” (Jo 14,23).
“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1Cor 3,16-17).

Sétimo apelo da Mensagem – Apelo ao sacrifício

“Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”
O sacrifício de Cristo, que veio pôr termo às figuras [as prefigurações do Antigo Testamento], devia perpetuar-se em substituição dos sacrifícios da Antiga Aliança. E temo-lo hoje renovado diariamente no altar da Celebração Eucarística, repetição incruenta do sacrifício da Cruz.
Mas não basta, porque, como diz S. Paulo (Cor 1,24), é preciso completar em nós o que falta à Paixão de Cristo, porque somos membros do Seu Corpo Místico. Ora, quando um membro do corpo sofre, todos os outros membros sofrem com ele, e, quando um membro se sacrifica, todos os outros membros participam desse sacrifício; se um membro estiver enfermo e o mal for grave, ainda que o mal esteja localizado só nele, todo o corpo sofre e morre. O mesmo se passa na vida espiritual: todos somos enfermos, todos temos muitas deficiências e pecados; por isso, todos temos o dever de, em união com a vítima inocente que é Cristo, nos sacrificamos em reparação pelos nossos pecados e pelos dos nossos irmãos, porque todos somos membros do mesmo e único Corpo Místico do Senhor.
A Mensagem pede que ofereçamos a Deus, de tudo o que pudermos, um sacrifício: “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores” (Palavras do Anjo). Podem ser sacrifícios de bens espirituais, intelectuais, morais, físicos e materiais; segundo os momentos, teremos ocasião de oferecer ora uns, ora outros. O que importa é que estejamos dispostos a aproveitar as ocasiões que se nos deparam; sobretudo que saibamos sacrificar-nos quando isso mesmo é exigido pelo cumprimento do próprio dever para com Deus, para com o próximo e para com nós mesmos.
“Quem não tomar a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim” (Mt 10,38).

Oitavo apelo da Mensagem – Participação na Eucaristia

Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”.
Este apelo que a Mensagem nos dirige, está bem explícito no Evangelho, mas é por muitos mal compreendido, esquecido, posto de parte, abandonado e, o que é mais triste, ultrajado
Quando Jesus Cristo manifestou o Seu intento de ficar conosco na Eucaristia, para ser o nosso alimento espiritual, a nossa força e a nossa vida, os fariseus escandalizaram-se e não acreditaram. Mas o Senhor insistiu: “Eu sou o Pão da Vida, (…) Se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a Minha carne pela vida do mundo (…) Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós” (Jo 6,48-53). Destas palavras, é claro que, se não nos alimentarmos da Sagrada Comunhão, não teremos em nós a vida da graça, a vida sobrenatural, que depende da nossa união com Cristo, pela comunhão do Seu Corpo e do Seu Sangue. Para isto, ficou Ele na Eucaristia: para ser o nosso alimento espiritual, o nosso pão de cada dia, que sustenta em nós a vida sobrenatural.
Mas, para podermos alimentar deste Pão, precisamos de estar na graça de Deus, como nos adverte S. Paulo: “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação”. (ICor 11,23-29).
Jesus Cristo nos assegura da Sua presença real, em corpo e alma, vivo como está no Céu, em todas as partes onde se encontra o pão e o vinho consagrados. Ele diz: “Isto é” não disse: Isto foi, ou então: Isto pode ser, nem: Isto será. Mas sim: “Isto é”. Em todo o momento, em toda a parte, o pão e o vinho consagrado é o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, e é-o por todo o tempo que esse pão e esse vinho se conservar. Isto está claro nas palavras de Jesus Cristo, Homem e Deus verdadeiro: e a palavra de Deus opera o que significa.
“Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome, e o que acredita em Mim jamais terá sede, (…) e a vontade de Meu Pai é esta: que todo aquele que vê o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia”. (Jo 6,35.40).
Verdadeiramente Cristo derramou o Seu Sangue pela humanidade inteira, por todos, sem excluir ninguém. Mas é verdade também que nem todos se interessam e esforçam por acolher na sua vida Jesus Cristo, o preço do seu resgate, excluindo-se a si mesmos da Redenção. Como não pensar que tantos que não sabem ou não querem alimentar-se do Seu Corpo e do Seu Sangue? Que será deles? “Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6,53). Esta é a resposta que nos dá Jesus Cristo, a propósito dos que não querem aproveitar-se dignamente do dom que Ele nos oferece, isto é, do Seu Corpo e do Seu Sangue, vivo e presente no sacramento da Eucaristia.

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