quarta-feira, 31 de maio de 2017

DO SAGRADO VIÁTICO

Ambulavit in fortitudine cibi illius… usque ad montem Dei – “Com o vigor daquela comida caminhou… até o monte de Deus” (3 Reg. 9, 8).
Sumário. Considera, meu irmão, que mais cedo ou mais tarde te acharás nas angústias terríveis da morte. Feliz de ti se tiveres sido devoto a Jesus sacramentado! Acedendo a teu desejo, virá então a visitar-te em tua casa, e não somente para te assistir e defender, senão ainda para te alimentar com a sua carne, e servir-te de guia no caminho do céu. Para obteres tão preciosa graça, renova muitas vezes o protesto de querer receber os sacramentos na vida e na morte. Quando comungares, faze-o por modo de Viatico, e recomenda cada dia a Deus os pobres moribundos.
I. São muito grandes as angústias dos pobres moribundos, quer por causa do remorso dos pecados cometidos, quer por causa do medo do juízo próximo, quer por causa da incerteza da salvação eterna. É então especialmente que se aparelha o inferno e empenha todas as suas forças para se apoderar da alma que vai passar para a eternidade. Sabe que pouco tempo lhe resta para a ganhar e que, perdendo-a nessa hora, perde-a para sempre. Diz o profeta Isaías que então a casa do pobre moribundo será repleta de espíritos infernais. Implebuntur domus eorum draconibus (1).
Meu irmão, se não morreres de morte improvisa, cedo ou tarde experimentarás essas terríveis angústias. Mas feliz de ti, se tiveres sido devoto de Jesus sacramentado! Muito embora teu estado fosse mais lamentável que o de Lázaro depois de quatro dias de sepultura; muito embora talvez nenhuma pessoa te quisesse assistir: aquele que nunca se incomodou para te visitar no tempo de tua prosperidade, logo que te souber gravemente enfermo, deixará a casa própria para ir à tua; irá, não somente para te assistir e defender, mas além disso para te alimentar com a sua carne virginal.
Entra o sacerdote, e em nome do divino Redentor que ele traz nas mãos, anuncia a paz a essa morada feliz. Em seguida implora para ti misericórdia, indulgência e absolvição de todos os teus pecados; e finalmente, pondo-te sobre a língua a sagrada Hóstia, diz: “Accipe viaticum corporis Domini nostri Iesu Christi. Meu irmão, recebe o viático do corpo de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele te proteja contra o inimigo maligno e te leve salvo à vida eterna. Assim seja.” (2) E assim fortalecido com esse manjar divino, à imitação de Elias depois de comer o pão trazido pelo anjo, caminharás com mais presteza para a pátria celestial: “Com o vigor daquele alimento caminhou até o monte de Deus.” (3)
II. Já que é possível que na tua última doença talvez não possas comungar, habitua-te desde hoje a receber Jesus Cristo na comunhão em forma de viático; isto é, como se estivesses para passar à eternidade. Neste espírito poderás fazer todas as tuas comunhões, mas especialmente a do dia do retiro do mês, depois da protestação para a boa morte, e da renovação de teu propósito de querer então receber os santos sacramentos.
Para obteres tão grande graça, toma o hábito tão belo de acompanhar, ao menos em espírito, o santíssimo Viatico quando é levado aos doentes; e cada dia, quer assistas à missa, quer faças a visita, não deixes de recomendar a Jesus os pobres enfermos que tenham de morrer durante o dia, afim de que recebam os socorros religiosos.
Amabilíssimo Salvador meu, aqui estou para Vos visitar neste altar; Vós porém, me visitareis com muito mais amor, quando na minha derradeira enfermidade Vos fizerdes meu viático; e retribuis a minha visita, quando desceis à minha alma pela santa comunhão. Então não me honrais somente com a vossa presença, mas Vos fazeis meu sustento, Vos unis e dais todo a mim, de modo que Vos posso dizer então com verdade: Meu Jesus, agora sois todo meu. Mas, já que Vos dais todo a mim, muito justo é que eu me dê todo a Vós. Sou um verme miserável e Vós sois meu Deus. Ó Deus de amor! Ó amor da minha alma, quando me verei todo vosso, não só em palavra, mas em realidade?
Este prodígio Vós podeis operá-lo; aumentai em mim a confiança nos merecimentos do vosso sangue, para que não deixe de obter de Vós esta grande graça; ser, antes de morrer, todo vosso e de modo nenhum de mim mesmo.
Escutais, ó Senhor, as preces de todos; ouvi também a prece de uma alma que deseja amar-Vos verdadeiramente. Quero amar-Vos com todas as minhas forças; quero obedecer-Vos em tudo, sem interesse, sem consolação, sem recompensa. Quero servir-Vos por amor, unicamente para Vos agradar, unicamente para satisfazer vosso Coração, a quem devo amor terníssimo. A minha recompensa será o vosso amor. – Ó Mãe do belo amor, Maria, rogai a vosso Filho por mim.
  1. Is. 13, 21.
    2. Rit. Rom.
    3. 3 Reg. 19, 8.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso

Fonte:

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Verdadeira Obediência: A Marca de um Fiel Católico


A obediência é uma virtude que deve ser praticada com prudência!



A Bem-aventurada Santíssima Virgem Maria obedientemente ouve sua mãe Santa Ana.


SSPX — Distrito do Canadá | Tradução: Sensus Fidei — Na atmosfera liberal que permeia a cultura ocidental, a obediência tem sido grandemente abusada como desculpa para um grande mal. No entanto, a obediência é uma virtude e os católicos devem procurar continuamente progredir em virtude. Isso leva à pergunta: como um católico obedece a seus superiores religiosos e civis quando eles estão obviamente perpetrando leis e doutrinas más?

A resposta fornecida pela Igreja Católica é surpreendentemente simples: Deus não requer obediência cega a todos as ordens ou comandos.
Neste artigo, iremos rever o ensinamento católico sobre a obediência e sua prática no mundo moderno.
Obediência na Igreja de Cristo
Desde que a Igreja tem discutido longamente a obediência ao longo dos tempos, formar uma opinião alinhada com a mente da Igreja não deve ser difícil. Nesta época de acesso imediato à informação, três autoridades estão prontamente disponíveis: Catecismo do Concílio de Trento, Santo Tomás e Santo Inácio de Loyola.
Catecismo do Concílio de Trento
O Catecismo de Trento discute a obediência como parte do seu tratamento do Quarto Mandamento e uma seção trata especificamente da obediência devida aos Bispos e Sacerdotes.
Deve-se-lhes também obediência, conforme ensina o Apóstolo: “Obedecei aos vossos superiores, e sujeitai-vos a eles, pois eles estão vigilantes, como quem há de dar contas de vossas almas”. E Cristo Nosso Senhor mandou até obedecer aos maus pastores, quando declarava: “Na cadeira de Moisés estão sentados os escribas e fariseus. Respeitai, pois, e executai tudo o que vos disserem. Mas não façais de acordo com suas obras, porque eles falam e não praticam.
Os pontos-chave deste ensinamento são óbvios: Bispos e Sacerdotes têm direito à nossa obediência, pois são responsáveis pela salvação de nossas almas. Além disso, esta obrigação não se limita aos sacerdotes bons e santos, mas também aos “pastores iníquos”. Sob essa luz, somos admoestados a não seguir o seu exemplo perverso, mas a observar e fazer “tudo o que eles vos disserem”.
Para um leitor casual, pode parecer que os subordinados devem obedecer a todas as ordens dos maus sacerdotes, bispos e papas, independentemente da natureza da ordem. No entanto, na edição de 1923 do catecismo existem notas de rodapé que orientam o leitor para a Summa Theologica de Santo Tomás de Aquino.
Sobre a honra e obediência devida aos superiores eclesiásticos ver Summa Theol. 2a. 2Ae (Segunda Parte da Segunda Parte) cii. (102) civ (104) 5;—…
Summa Theologica — São Tomás de Aquino
Não deve ser surpresa que o Catecismo do Concílio de Trento remeta o leitor à Summa. Afinal de contas, durante centenas de anos, foi o manual de referência para se compreender áreas-chave da teologia católica.
Santo Tomás estabelece que a observância (questão 102), que presta honra e respeito àqueles em posição de dignidade, é exercida “prestando-lhes serviço, obedecendo aos seus mandamentos e retribuindo-lhes, de acordo com sua faculdade, pelos benefícios que deles recebemos”. Além disso, este serviço é devido às pessoas em razão de uma posição de autoridade, não por causa das pessoas em si mesmas, mas em razão da posição da dignidade que elas ocupam. A desobediência ao superior é contada por Santo Tomás como um pecado mortal, pois é “contrária ao amor de Deus” e ao “amor ao próximo”.
No artigo 5 da questão 104, Santo Tomás procede a definir o arcabouço para a obediência devida aos superiores — fora do qual a obediência não é obrigatória e pode até ser pecaminosa.
O primeiro critério é que a ordem não pode contradizer a lei de Deus, pois Ele é a “causa primeira de todas as vontades”, todos estão obrigados a obedecer ao comando divino sob a justiça (Q104, artigo 4 e 5). Um exemplo empregado por Santo Tomás é a cadeia de comando dentro de uma hierarquia. Nisto ele afirma: “Se um comissário emitir uma ordem, deve-se cumpri-la se for contrária à licitação do procônsul?” Em última análise, ele conclui seu exemplo com uma ordem dada pelo Imperador afirmando “… se o imperador ordena uma coisa e Deus outra, você deve desconsiderar a primeira e obedecer a Deus”.
Simplificando, se em qualquer ponto dentro da hierarquia uma ordem é dada que reclama o subordinado ao pecado, a ordem deve ser desconsiderada. Esta ordem pecaminosa pode ser estruturada de duas maneiras. Ou a natureza da coisa ordenada é pecaminosa ou o comando desobedece uma ordem legítima.
O pecado pode ser dividido em casos imediatos, próximos e remotos. No caso imediato, a ordem em si é diretamente pecaminosa, como uma ordem para transgredir o Primeiro Mandamento. No caso de pecado próximo, uma ordem envolve uma situação em que é provável que a pessoa caia em pecado mortal, como uma ordem para um alcoólatra recuperado ir a uma taberna para buscar um copo de água. No caso remoto, a ocasião carece de ambas as características. Os católicos são obrigados a evitar as ocasiões imediatas e próximas de pecado, mas não têm obrigação de evitar ocasiões remotas.
O segundo critério é que, a ordem dada pelo superior deve estar dentro da “esfera de sua autoridade”. Obviamente, diferentes tipos de superiores têm domínios diferentes nos quais é lícito para eles emitir ordens. Por exemplo, o gerente de uma pessoa só pode emitir ordens que pertençam à esfera de seu emprego. Um superior religioso só pode emitir ordens que se enquadrem no “modo de vida” (clerical, monástico, mendicante, militar, hospitalar) conforme expressas pelos votos tomados e pela regra da ordem. Por exemplo, um superior religioso pode emitir uma ordem para transferir um membro de sua congregação para um outro mosteiro ou uma outra casa da mesma congregação. Santo Tomás afirma que um sujeito que obedece a uma ordem fora da esfera da autoridade, mas que não requer pecado, pratica a “perfeita obediência”. Isto é devido à falta de qualquer obrigação de obedecer, mas ele submete a sua vontade a do superior, no entanto.
Santo Tomás conclui identificando três tipos de obediência:
— Suficiente para a salvação, e consistindo em obedecer quando alguém é obrigado a obedecer:
— Obediência perfeita, que obedece em todas as coisas legais:
— Obediência imprudente, que obedece mesmo em matérias ilegais.
Portanto, seguindo Santo Tomás, chegamos a dois critérios de obediência:
— A ordem não exige que o inferior peque, quer no caso imediato ou próximo.
— O comando está dentro da esfera da autoridade do superior.
Estas várias condições para a obediência podem ser resumidas em uma matriz 2×2 como mostrado na Tabela 1: superior direito.
Em resumo, seguindo o raciocínio de Santo Tomás, se uma ordem está dentro da esfera da autoridade e não envolve pecado, então o sujeito tem a obrigação de obedecer e comete um pecado mortal se desobedecer.
Se a mesma ordem está fora da esfera da autoridade, então Santo Tomás declara que é obediência perfeita submeter a vontade de alguém à de seu superior.
Finalmente, é pecaminoso obedecer a uma ordem que envolve o pecado (é contra a lei de Deus).
A Obediência dos Jesuítas
Há uma ordem religiosa que é geralmente apresentada como o modelo de obediência: Os Jesuítas.
Desde que de acordo com o Pe. Harvanek SJ, a prática jesuíta de obediência mudou após o Concílio Vaticano II, estamos principalmente preocupados com a forma como Santo Inácio compreendeu a obediência e sua prática ideal dentro dos jesuítas. Uma carta enviada ao jesuíta português, escrita por Santo Inácio em 1553, descreve em detalhes o ideal da perfeita obediência.
Nesta carta, Santo Inácio exorta os jesuítas portugueses a um grau muito elevado de obediência e como a palavra da nuvem das 100 palavras superiores (ver imagem abaixo) mostra como as palavras superior e obediência prevalecem na carta.
Este tema da obediência ao superior é reforçado ao longo de toda a carta, com poucas ou nenhuma distinção sobre o conteúdo da ordem dada. Os jesuítas são exortados a humilhar-se obedecendo ao mínimo comando de seus superiores, a internalizar essa humildade e a desejar internamente nada além do desejado pelo superior.
Perto do final da carta Santa Inácio trata do conceito de “obediência cega” — que se retirado do contexto pode levar a uma enorme quantidade de problemas.
O terceiro meio de submeter a compreensão, que é ainda mais fácil e mais segura, e em uso entre os Santos Padres, é pressupor e acreditar, muito como estamos acostumados a fazer em matéria de fé, que o que o superior ordena é a ordem de Deus nosso Senhor e Sua santa vontade. Então proceder cegamente, sem que haja prejuízo de qualquer espécie, à execução da ordem dada, com o impulso imediato da vontade em obedecer. Portanto, devemos pensar o que fez Abraão quando lhe foi ordenado para que sacrificasse o seu filho Isaque [Gên. 22: 2-3]. Da mesma forma, sob a nova aliança, alguns dos santos Padres de quem se refere Cassiano, como o abade João, que não questionou se o que lhe fora ordenado era proveitoso ou não, quando com enorme trabalho ele regava uma vara seca durante o período de um ano. Ou se era possível ou não, quando tão fervorosamente ele tentou sob a ordem de seu superior mover uma pedra que um grande número de homens não teria sido capaz de mover.
Vemos que Deus, Nosso Senhor, por vezes confirma esse tipo de obediência com milagres, como quando Maurus, discípulo de São Bento, entrando em um lago sob a ordem de seu superior, não afundou. Ou, no caso de outro, a quem foi dito para trazer de volta uma leoa, tomou-a e trouxe-a até o seu superior. E tu estás familiarizado com os outros. O que quero dizer é que esta maneira de submeter o próprio julgamento, sem mais perquirição, supondo que a ordem é santa e em conformidade com a vontade de Deus, está em uso entre os santos e deve ser imitado por qualquer um que deseja obedecer perfeitamente em todas as coisas, onde manifestamente parece não haver pecado. (Http://www.library.georgetown.edu/woodstock/ignatius-letters/letter25) [negritos nossos]
Se alguém lesse a carta, faltando ou descartando a sentença destacada, o mundo católico seria levado à ruína. Sem esta frase-chave, a Igreja seria levada a crer que tudo o que “o superior ordena é o mandamento de Deus nosso Senhor e Sua santa vontade”.
Enquanto Santo Inácio difere com Santo Tomás quanto ao grau de virtude em simplesmente obedecer as ordens de um superior, eles concordam no elemento-chave: um mandamento pecaminoso não pode ser obedecido. [grifos nossos]
Princípios na prática
Infelizmente, muitos exemplos de obediência pecaminosa e desobediência estão prontamente disponíveis desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Selecionei dois eventos recentes na vida da Igreja como exemplos: Summorum Pontificum e Amoris Laetitia.
Summorum Pontificum
Em 2007, o Papa Bento emitiu o Motu Proprio Summorum Pontificum. No Motu Proprio encontramos a seguinte declaração:
Art. 5-§ 1.  Nas paróquias, onde houver um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolha de bom grado as suas solicitações de terem a celebração da Santa Missa segundo o rito do Missal Romano editado em 1962. Providencie para que o bem destes fiéis se harmonize com o cuidado pastoral ordinário da paróquia, sob a orientação do Bispo, como previsto no cân. 392, evitando a discórdia e favorecendo a unidade de toda a Igreja. (Summorum Pontificum)
Neste contexto, descobrimos que o cânon 392 exige que o bispo de uma diocese proteja a unidade da Igreja, exercendo a vigilância para que os abusos não se introduzam na disciplina eclesiástica.
Cân. 392 §1. Uma vez que deve proteger a unidade da Igreja universal, um bispo é obrigado a promover a disciplina comum de toda a Igreja e, portanto, exortar à observância de todas as leis eclesiásticas.
2. Ele deve exercer a vigilância para que os abusos não se introduzam na disciplina eclesiástica, especialmente no que se refere ao ministério da palavra, à celebração dos sacramentos e sacramentais, à adoração a Deus e à veneração dos santos e à administração dos bens.
A ordem do Papa simplesmente é a de que o Pastor deve prover a liturgia de 1962 quando solicitado de acordo com o Cânon 392.
Com a retroperspectiva proporcionada com o passar do tempo, sabemos que a maioria dos Bispos e Sacerdotes não fornecem “de bom grado” a liturgia de 1962. Na verdade, existem inúmeros relatos de bispos colocando barreiras no local para frustrar a intenção explícita do Summorum Pontificum. Conheço um caso em particular onde o Ordinário local se recusou a conceder permissão para a Missa Tridentina (isto é, liturgia de 1962) e não o permitiu até que os leigos pudessem recorrer à Ecclesia Dei para que o bispo concordasse.
Seguindo os princípios discutidos acima, o que podemos concluir?
— Está dentro da esfera da autoridade do Papa emitir tal ordem? Resposta: Sim
— Há pecados imediatos ou próximos envolvidos na ordem? Resposta: Não
A conclusão que podemos alcançar, seguindo Santo Tomás, é que aqueles que desobedecem aos preceitos do Summorum Pontificum, estão cometendo o pecado de desobediência. Se um sacerdote decidiu oferecer a Missa Tridentina, desobedecendo a seu superior para fazê-lo, não o faria desde que obedece à ordem explícita de uma autoridade superior: O Papa.
Consulte a Tabela 2: canto superior direito.
Amoris Lætitia
O segundo exemplo é mais delicado, pois trata da recente manifestação do desejo do Papa em Amoris Lætitia em permitir que católicos que abandonaram seus cônjuges e vivem em um estado objetivo de convivência com outro homem ou mulher recebam a Sagrada Comunhão.
Aqui estão os ensinamentos objetivos da Igreja Católica:
— Um católico que obtenha um divórcio civil, ainda é considerado casado com seu cônjuge aos olhos de Deus e de Sua Igreja. Até o momento em que a Igreja, depois de investigar os fatos, conclua que a formação do matrimônio católico estava inválida.
— Ter relações conjugais fora do casamento é um pecado mortal.
— Receber conscientemente a Sagrada Eucaristia em estado de pecado mortal é cometer o pecado do sacrilégio.
— Permitir que o pecado do sacrilégio seja em si mesmo pecaminoso.
Seguindo o Ensinamento Católico, realizar uma ordem (tácita ou explícita) de comunhão aos católicos que pretendem casarem-se civilmente outra vez é objetivamente pecaminoso.
Seguindo os princípios de Santo Tomás de Aquino, podemos concluir que:
— Está dentro da autoridade do Papa emitir regulamentos relativos à recepção da Sagrada Comunhão? Resposta: Sim
— Há pecado imediato ou próximo envolvido na ordem para conscientemente fornecer a comunhão às pessoas que vivem em estado objetivo de pecado mortal? Resposta: Sim!
A conclusão que podemos tirar é que qualquer um que obedeça a ordem para oferecer comunhão aos católicos objetivamente “divorciados” está cometendo o pecado do sacrilégio. Se um sacerdote decidiu recusar-se a fazê-lo, desobedecendo a seu superior, ele não cometeria o pecado de desobediência como no caso deste último que é obedecer a ordem explícita de uma autoridade superior: Deus.
Consulte a Tabela 3: canto superior direito.
Conclusão
O grau de virtude inerente à obediência depende da natureza da ordem. Não é virtuoso obedecer a uma ordem que é pecaminosa, uma vez que Deus deve ser obedecido em todas as coisas. É virtuoso obedecer a uma ordem que não é pecaminosa e se enquadra na esfera de autoridade do superior. Há maior virtude em obedecer a uma ordem sem pecado que está fora da esfera de autoridade do superior.
Lidar com ordens explicitamente pecaminosas ou sem pecado é simples. Lidar com ordens que podem ser proximamente pecaminosas é mais difícil, uma vez que nos obriga a praticar a virtude da prudência, a fim de determinarmos corretamente se devemos ou não obedecer.
A obediência é uma virtude que deve ser praticada com prudência!
Referências
Summa Theologica de Santo Tomás de Aquino: http://dhspriory.org/thomas/summa/SS/SS104.html#SSQ104OUTP1
Carta de S. Inácio aos jesuítas portugueses: http://www.library.georgetown.edu/woodstock/ignatius-letters/letter25

segunda-feira, 29 de maio de 2017

As palavras da Consagração na Missa



“Hic est enim calix sanguinis mei novi et aeterni testamenti: mysterium fidei: qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum”



Zelo Zelatus sum (*): Sobre as palavras da Consagração na Missa, ou seja qual seria a forma? Quais as palavras essenciais? E questões sobre o “pro multis”, traduzido na Missa Nova “por todos”. Neste post trataremos das palavras que constituem a “Forma”.
Primeira Consagração, isto é, a do pão: As palavras da Consagração do pão são transcritas literalmente dos Evangelhos sinópticos (São Mateus, São Marcos e São Lucas).São somente as palavras essenciais. São João não fala da instituição da Eucaristia; fala, porém, da promessa da Eucaristia no capítulo VI.
Cotejemos os textos bíblicos:
São Mateus, XXVI, 26“Accipite et comedite: Hoc est corpus meum”. “Tomai e comei: Isto é o meu corpo”.
São Marcos, XIV, 22: “Sumite, hoc est corpus meum”, “Tomai, isto é o meu corpo”.
São Lucas, XXII, 19“Hoc est corpus meum, quod pro vobis datur”, “Isto é o meu corpo, que é dado por vós”. 
São Paulo, 1ª Coríntios, XI, 24“Accipite et manducate: hoc est corpus meum, quod pro vobis tradetur”, “Tomai e comei: isto é o meu corpo, que será entregue por vós”.
Vemos que a Santa Igreja tomou destes autores sagrados para a forma da consagração do pão apenas as palavras essenciais: “Hoc est (enim) corpus meum”. Só acrescentou a partícula“enim”. As palavra de São Paulo: “Accipite et manducate” vêm antes das palavras propriamente da Consagração do pão. As palavras de São Lucas: “quod pro vobis datur”; e as de São Paulo:“quod pro vobis tradetur” simplesmente são omitidas. Apenas devemos observar que foi acrescentada a conjunção “enim” (=pois) que serve para situar a fórmula consecratória dentro do relato da Ceia. Na verdade, como vimos, tal conjunção não se encontra no Evangelho. Mas São Mateus a emprega na consagração do vinho. Foi, certamente, por analogia que ela passou também para a consagração do pão. Mas, desde já, fique claro que esta conjunção não faz parte das palavras essenciais da Consagração. Isto significa que, se não for pronunciada, isto não invalida a Consagração.
Segunda Consagração, isto é, a do vinho: A fórmula da consagração do vinho é uma combinação dos textos bíblicos relativos à Última Ceia e não corresponde literalmente a nenhum deles tomado separadamente. Cotejemos os três Evangelhos:
São Mateus, XXVI, 28: “Hic est enim sanguis meus novi testamenti, qui  pro multis effundetur in remissionem peccatorum”. “Isto é, pois, o meu sangue da nova aliança, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados”.
São Marcos, XIV, 24: “Hic est sanguis meus novi testamenti, qui pro multis effundetur”. “Isto é o meu sangue da nova aliança, que será derramado por muitos”. 
São Lucas, XXII, 20: “Hic est calix novum testamentum in sanguine meo, qui pro vobis fundetur”. “Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que será derramado por vós”.
Observação: “Pro multis” é traduzido – “por muitos”, “em prol de muitos”, “em benefício de muitos”. “Testamentum” pode ser traduzido por Testamento ou por Aliança, pois, são sinônimos 
São Paulo na sua 1ª Epístola aos Coríntios XI, 23-25 diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, dando graças, o partiu e disse: Tomai e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente também, depois de ter ceado, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes”.
Vemos que, no que se refere às palavras essenciais da consagração do vinho, São Paulo coincide com o texto de São Lucas quase que literalmente:
Hic calix novum testamentum est in meo sanguine” “Este cálice é a nova aliança em meu sangue”. São Paulo, como podemos notar, não traz as palavras referidas por São Lucas: “qui pro vobis fundetur”, “que será derramado por vós”.  
Isto posto, comparemos agora a fórmula litúrgica (é claro, da Santa Missa de Sempre):
“Hic est enim calix sanguinis mei novi et aeterni testamenti: mysterium fidei: qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum”.
Em Português: “Este é, pois, o cálice do meu sangue, da nova e eterna aliança: mistério de fé: que será derramado em prol de vós e em prol de muitos em remissão dos pecados”. 
Vê-se claramente que a Santa Madre Igreja preferiu o texto de São Lucas e São Paulo, combinando-o com o de São Mateus e São Marcos. Além disso, fez dois acréscimos:
a) O adjetivo eterno“cálice do meu sangue, do novo e eterno Testamento”;
b) A expressão mistério da fé.
Agora limito-me a observar que estes dois acréscimos não alteram a forma do sacramento.  Foi intencionalmente que a Igreja preferiu o texto de São Lucas e São Paulo. De fato, é só nestes dois autores sagrados que aparece a palavra cálice, e ela tem uma significação técnica, pois Nosso Senhor Jesus Cristo, duas vezes pelo menos, a empregou para indicar o Sacrifício da Cruz:
“Podeis beber o cálice que eu hei de beber?” (São Marcos, X, 38).
“Pai, se for possível, passe de mim este cálice” (São Mateus, XXVI, 39).
O Catecismo Romano também assim explica: “Quando, pois, se diz: ‘Este é o Cálice do Meu Sangue’ – cumpre entender: ‘Este é o Meu Sangue, que se contém neste cálice’. Como aqui se consagra sangue, para ser bebida, é oportuno e acertado fazer-se menção do cálice. Sangue como tal não lembraria bastante a ideia de bebida, se não estivesse colocado num recipiente”.
Por último, observemos que a Igreja ainda acrescentou ao “em benefício de vós”, de São Lucas, o “Em benefício de muitos” de São Mateus e São Marcos.
CONCLUINDO, podemos agora reproduzir a fórmula da Consagração do vinho, destacando o que pertence a cada autor sagrado. Vou dar em latim, visto como a tradução de todas as partes já está acima:
Hic est enim (São Mateus) calix (São Lucas e São Paulo) sanguinis mei (São Mateus e São Marcos)novi (São Mateus e São Marcos) et aeterni (a Igreja) testamenti (São Mateus e São Marcos): mysterium fidei (a Igreja): qui pro vobis ( São Lucas ) et pro multis (São Mateus e São Marcos) effundetur (São Mateus e São Marcos) in remissionem peccatorum” (São Mateus).

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Manuscrito do Purgatório (Le Manuscrit de Purgatoire) versões para leitura on-line e/ou download




A autenticidade’ do ”Manuscrito do Purgatório” não pode ser posta em dúvida. Teve testemunhas certas de pleno acordo e os fatos foram bem examinados. É propriedade da ‘Direction de L’ Associaction de Notre-Dame de La Bonne-mort’, Sainte Marie Tinchebray (Orne) — France, com o Imprimátur do Vigário-Geral de Roma, Monsenhor Joseph Palica — Arcebispo Philipens

Sensus fidei: Disponibilizamos ao final do presente artigo um pequeno livro intitulado: “Le Manuscrit de Purgatoire”. Foi traduzido da edição francesa por Mons. Ascânio Brandão e publicado pelas Edições Paulinas em 1953 com Imprimatur de Dom Paulo, Bispo Auxiliar de S. Paulo através da Pia Sociedade de São Paulo. No Brasil, foi publicado também sob o título de “O Manuscrito do Purgatório”.
Este livro tem sido muito difundido em todo o mundo desde o seu aparecimento. É propriedade da ‘Direction de L’ Associaction de Notre-Dame de La Bonne-mort’, Sainte Marie Tinchebray (Orne) — France, com o Imprimátur do Vigário-Geral de Roma, Monsenhor Joseph Palica — Arcebispo Philipens — e narra as aparições feitas a uma religiosa da Ordem de Santo Agostinho, Irmã Maria da Cruz, durante os anos de 1873 a 1890. Esta religiosa deixou um manuscrito em que, por ordem do seu diretor espiritual, foi anotando tudo o que a alma lhe ia dizendo.
A autenticidade’ do ”Manuscrito do Purgatório” não pode ser posta em dúvida. Teve testemunhas certas de pleno acordo e os fatos foram bem examinados. Uma religiosa do convento de V, Irmã M. d. C., falecida em 11 de maio de 1917, ouviu junto dela, de repente, em novembro de 1873, uns gemidos muito prolongados.
Assustada, exclamou:
— “Quem é que me faz assim tanto medo? …
Que não apareça, mas me diga quem é!…” Nenhuma resposta. E os gemidos se aproximavam cada vez mais. A Irmã multiplicava orações, viassacras, comunhões, rosários, e os gemidos não cessavam, e cada vez mais misteriosos. Finalmente, no dia 15 de fevereiro de 1874, uma voz muito conhecida se fez ouvir:
“Não tenhais medo! Eu. sou a Irmã M. G” (uma religiosa falecida em X, com 36 anos de idade, no dia 22 de fevereiro de 1871, vítima da sua dedicação).
E a alma que sofria deu a conhecer à sua antiga companheira, cujos conselhos havia desprezado outrora, que ela havia de multiplicar as visitas para santificá-la, e que, assim santificada, aliviaria a antiga companheira no purgatório.
A Irmã M. d. C. pediu à visitante que desaparecesse e não voltasse mais. Porém, foi em vão. Disse-lhe — em resposta — que deveria suportar quanto tempo Deus quisesse aquilo de que tinha tanto medo.
E foi assim que, durante vários anos, se estabeleceram comunicações entre a alma de Irmã M. G. e Irmã M. d. C. que foram escritas minuciosamente, em precioso manuscrito, de 1874 a 1890.
Eis, pois, a origem do “Manuscrito do Purgatório”.

VALOR DESTE MANUSCRITO

Da confidente da falecida
Este valor se deduz da pessoa da própria Irmã M. d. C., confidente da falecida. Todos os que a conheceram — sem uma nota discordante — atestam que ela nunca deixou de praticar todas as virtudes cristãs até ao heroísmo, muitas vezes. Era ótima religiosa. Como diretora de um pensionato, exerceu ela uma grande influência sobrenatural sobre as alunas, e todas a chamavam de verdadeira santa.
Todas as testemunhas atestam unanimemente que era dotada de um juízo muito reto, era muito equilibrada e de muito bom senso. Além do mais, nunca desejou vias extraordinárias, ao contrário, procurou até se convencer de que era duvidoso o que era obrigada a ouvir, e alegava ser coisa diabólica, declarando que não queria sair da via comum: ser como as demais e passar desapercebida.
Enfim, com isto, ela aproveitou muito na vida espiritual e todos testemunham quanto se santificou com estas visitas do purgatório.
Testemunhos de autoridades
Em primeiro lugar declaramos que a Irmã M. d. C. tinha um diretor espiritual, o Rev. P. Prevol, dos padres de Pontigny, e que mais tarde foi superior geral da Congregação. Este sacerdote esteve a par de todos os acontecimentos.
O Rev. Cônego Dubosq, ex-superior do seminário Maior de Beyeux, autor de várias obras e promotor da fé no processo de canonização de Santa Teresa do Menino Jesus.
O Rev. Cônego Contier, censor oficial dos livros da diocese de Beyeux e autor de muitas obras, entre elas a “Explication du Pontificar”, “Reglement de vie sacerdotal e”, etc., um grande mestre da espiritualidade, cujo nome é mister fique no anonimato e que mereceu este elogio de Pio X: “Homem esclarecido pela sua ciência e experiência.”
Depois de maduro exame destes relatos, estes mestres não hesitaram em declarar que o manuscrito nada continha contra os ensinamentos da fé e estava de perfeito acordo com os princípios da vida espiritual, e podia edificar muito às almas.
Além disso, notaram que a Irmã M. d. C. não possuía imaginação viva e perigosa para se iludir facilmente. Ela considerava estas aparições um verdadeiro castigo, e nelas não se comprazia; pedia até a Nosso Senhor que a libertasse destas visitas que a importunavam.
Todos se impressionam bem com:
1 — A grande lição de caridade cristã que contém. A Irmã falecida tinha feito sofrer muito a Irmã M. d. C. e a ela justamente veio pedir socorro depois de morta, para se livrar do purgatório.
2 — Quanto mais vivas eram as luzes adquiridas pela Irmã M. d. C. tanto mais se purificava a Irmã falecida e progredia na santificação da Irmã M. d. C.
Finalmente, os teólogos que foram consultados deram o seu parecer de que o manuscrito tinha o selo de uma perfeita autenticidade e por conseguinte
tinha pleno valor, quer quanto à autenticidade, quer quanto à sua origem.
Confira um pequeno trecho do livro e, em seguida, a disponibilização das versões para leitura on-line e/ou download.
— Conheceis as coisas da terra?
Resposta: — Eu não as conheço senão enquanto Deus o quer, e meu conhecimento é muito restrito. Conheço alguma coisa da Comunidade e é só. Não sei o que se passa na alma das outras pessoas, à exceção do vosso, e isto porque Deus o permitiu, para vossa perfeição. O que vos digo algumas vezes de pessoas particulares, e ainda vos direi, Deus mo fez conhecer no momento, mas fora disto não sei mais de coisa alguma. Certas almas têm conheci­mentos mais e mais extensos do que eu. Tudo isto ó propor­cionado ao mérito.
Quanto aos graus do purgatório, eu vos posso falar deles, pois eu passei por lá. No Grande Purgatório há di­ferentes graus. No mais profundo e baixo, no que mais se sofre, e que é um inferno momentâneo, lá estão os pecadores que cometeram enormes crimes durante a vida, e que a morte os surpreendeu neste estado sem que tives­sem tempo de se penitenciarem. Salvaram-se por mila­gre, muitas vezes pelas orações dos parentes e de pessoas piedosas. Algumas vezes nem puderam se confes­sar, e o mundo os julgou condenados, mas o bom Deus, cuja misericórdia é infinita, lhes deu no momento da morte a contrição necessária para se salvarem, tendo em vista algumas ações boas que praticaram na vida. Para estas almas o purgatório é terrível! É um inferno, exce­to isto, que no inferno se amaldiçoa a Deus, enquanto que no purgatório O bendizem e agradecem por terem sido salvos. Logo em seguida, vêm as almas que, sem terem cometido grandes crimes, foram indiferentes para com Deus. Não cumpriam o dever pascal, e convertidas na hora da morte, nem puderam às vezes comungar, e no pur­gatório se encontram em penitência da sua longa indi­ferença. Sofrem penas inauditas, abandonadas, sem ora­ções, e se fazem orações por ela não as podem aproveitar.
Depois enfim há ainda o purgatório das religiosas e dos religiosos tíbios, que se esqueceram dos seus deve­res. Indiferentes para com Jesus, padres, que não exer­ceram seu ministério com a reverência devido à Majesta­de Divina e não fizeram as almas que lhe foram confia­das amar bem a Deus.
Eu estou neste grau. No segundo purgatório se en­contram as almas que morrem culpadas de pecados ve­niais não expiados antes da morte, ou então, em pecados mortais perdoados, mas dos quais não satisfizeram intei­ramente à Justiça Divina. Há também no purgatório di­ferentes graus, segundo os méritos das pessoas.
Assim, o purgatório das pessoas consagradas e que receberam maiores graças, é mais longo e mais penoso do que o das pessoas do mundo.
Finalmente, o purgatório do desejo, que se chama o Átrio ou Vestíbulo do céu. Poucas pessoas o evitam. Para o evitar é mister ter desejado ardentemente o céu, e ten­do em vista Deus, a presença e a visão de Deus. E é ra­ro isto, porque muitas pessoas, mesmo muito piedosas, têm medo de Deus e não desejam bastante o céu com ardor. Este purgatório tem seu martírio bem doloroso como os outros. Estar privado da visita do bom Jesus, que sofrimento!
(“O Manuscrito do Purgatório”, pp. 45-47. Mons. Ascânio Brandão. Ed. Paulinas).

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