sábado, 2 de dezembro de 2017

Deus deu-nos tudo com seu Divino Filho.

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Foi sem dúvida um grande dom o que o Eterno Pai concedeu ao mundo , quando lhe deu seu próprio Filho como o próprio Senhor diz: "Deus amou tanto o mundo, que lhe deu deu Filho único."Oh! exclama o Santo Apóstolo, Paulo, porque pois não lhe concederá todos os outros dons com este? Provavelmente estais lembrados da bela história do Santo Patriarca José, que tantas vezes tem sido contada, mas nunca o será demais; o qual, sendo Vice Rei do Egito e estando seus irmãos na Mesopotâmia, o vieram visitar muitas vezes, para serem por ele socorrido na extrema necessidade a que eles e seu Pai estavam reduzidos, em razão da fome desolar o seu país. Também sabeis como ele os enviou a seu Pai, sempre carregados de trigo. Mas quando lhe conduziram o pequeno Benjamim, enviou-lhe não só trigo por medida, mas ainda muitos presentes e carros cheios de tudo o que poderiam desejar. O mesmo vemos que faz por nós o Pai Eterno; porque embora na antiga lei fizesse muitos benefícios ao seu povo, todavia eram sempre por medida, pelo contrário, na lei nova, logo que viu o seu querido Benjamim, isto é, quando Jesus Cristo entrou na sua glória, abriu-a com mão liberal para espalhar abundantemente seus dons e graças sobre todos os fiéis, como tinha dito pelo profeta Joel, que espalharia o seu Divino Espírito sobre toda a carne, isto é, sobre todos os homens e não só sobre os Apóstolos. Ora vós sabeis o que diz Isaias de Nosso Senhor, que recebeu graças infinitas e que os dons do Espírito Santo repousavam sobre Ele. E o Espírito do Senhor, diz, repousará sobre ele; o Espírito de sapiência e entendimento, o Espírito de conselho e força, o Espírito de ciência e piedade, e será cheio do temor de Deus. Mas porque é que o profeta diz que todos estes dons repousavam em Nosso Senhor, pois que não tinha, nem podia ter nenhuma necessidade? Ele, que era a própria fonte de graça? Para que seria senão para nos fazer entender que todas as graças e bençãos celestes devem ser distribuídas por Ele, que é nosso chefe, fazendo-as cair sobre nós, que somos seus membros, isto é, da sua Igreja, de que Ele é chefe? E para prova desta verdade, ouvi o que Ele diz no Cântico dos cânticos à sua Amada: "Minha esposa, minha irmã".  Chama-lhe esposa porque a ama muito, e irmã, para provar a pureza do seu amor. "Abre-me a porta depressa, porque tenho os cabelos cheios de orvalho e gotas da noite". Ora o orvalho e as gotas da noite, são uma e a mesma coisa. Que pensais pois que queria dizer por estas palavras o Amado de nossas almas, senão que deseja que a sua amada lhe abra a porta do seu coração afim de poder espalhar os seus dons e graças, que abundantemente recebeu de seu Eterno Pai como orvalho e licor celeste que lhe quer oferecer? É certíssimo e muito vos deveria consolar o saber que Jesus Cristo, Nosso Senhor e Mestre, satisfez plenamente a Deus seu Pai por todos os castigos que merecemos pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas pelos de todo mundo.
É o que o grande doutor do gentilismo, São Paulo, confessa aos Romanos, dizendo que, onde abundou a culpa, superabundou a graça; havia, quer ele dizer, uma grande abundância de pecados, mas muito maior abundância de graças, de forma que estas satisfizeram por eles.
O nosso Salvador, vendo que a divina Majestade de seu Pai amava muito a natureza humana, sem se informar do preço que custaria o remir-nos apresenta-lhe um preço que nem nós nem os anjos valemos, uma satisfação maior do que podiam exigir todos os pecados do mundo; eis porque diz São Paulo: "Fostes remidos por grande preço". O preço certamente é elevado em atenção ao valor do objeto; foi pois grande o depósito que Deus colocou nas mãos da justiça do Pai, entregando-lhe o seu sangue, a menor gota do qual valia mais do que todos os mundos imagináveis. Não é pois de admirar que Jesus Cristo, comprando-nos por tal preço, rasgasse o decreto pelo qual eramos entregues a Satanás, diz o Apóstolo. Mas, se vos agrada, ouvi a rezão teológica disto. A satisfação é tanto maior e mais valiosa quanto mais notável, considerada e poderosa é a pessoa que a faz. Por exemplo: recebi uma injúria de um Rei, e se ele me envia um pajem para se reconciliar comigo e me dar uma satisfação, não é uma grande honra; mas se me manda seu próprio filho e este me pede que esqueça a ofensa, isto é uma grande honra, e a satisfação é maior do que a ofensa. E, de fato, que é dar satisfação senão honrar a pessoa? Ora é verdade que a honra é tanto maior, quanto mais elevada é a pessoa que a dá: porque a menor  honra que faça um príncipe, vale mais do que todas as que pode dar um homem de baixa condição - porque a honra esta na pessoa que a faz.
Digamos pois: Se a honra é tanto maior quanto mais elevada é a pessoa que a dá, se a satisfação é tanto mais sabida quanto mais considerada é a pessoa de quem recebe, qual deverá ser a satisfação do que é infinitamente grande? A honra feita e a satisfação concedida por uma pessoa infinita. Ora, Nosso Senhor era, infinito, e satisfazendo por nós, a sua satisfação é infinita. Portanto, bem podia Davi dizer: "Em Nosso Senhor há uma grande misericórdia e uma satisfação ampla e excelente !" Deus, bem infinito, foi ofendido; Jesus Cristo, bem infinito, satisfez; o homem elevou-se pela soberba contra Deus; Jesus Cristo, pela humildade, abaixou-se até a criatura.
Ouvi bem isso: Sendo igual a seu Pai, abaixou-se e aniquilou-se até a morte, e no entanto, Deus deu-lhe um nome superior a todos os nomes, isto é o nome de Jesus, que significa Salvador; como se dissesse: É verdadeiramente Salvador, porque, sendo infinito pagou com todo rigor e com satisfação infinita.

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales. 

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