Tradição Católica

Somos Católicos Apostólicos Romanos. Somos fiéis a Tradição da Igreja, à herança de Jesus Cristo,  como todo católico sempre foi e sempre deverá ser. Cremos firmemente em tudo que crê e ensina a Santa Igreja Católica Apostólica Romana e nesta Fé queremos viver e morrer, porque só nesta Igreja se honra a Deus, e “fora dEla não salvação.” Não somos tradicionalistas, no sentido de que “tradicionalismo” identifica um partido na Igreja.


 "...aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre" 
Credo de Santo Atanásio


Para conservarmos a fé integral, sem mácula e inviolada,  e assim conseguirmos salvar as nossas almas, compartilhamos da mesma posição de S.E.R Monsenhor Marcel Lefebvre, socorro de Nosso Senhor a Sua Igreja.

No Brasil, apoiamos Dom Tomás de Aquino, prior do Mosteiro da Santa Cruz, sacerdote fiel a batalha de Monsenhor Lefebvre e todos os sacerdotes que mantém esta mesma posição. Eles nos possibilitam o contato com a sagrada doutrina e os sacramentos, todos segundo a liturgia tradicional, de sempre, imaculada e infalível .

Professamos perfeita comunhão com a Cátedra de Pedro, de cujo legítimo Sucessor reconhecemos o Primado, o Santo Padre o Papa Francisco,  e governo universal, pastores e fiéis, e por nada, deste mundo, nos dissociaremos da Pedra, sobre a qual Jesus Cristo fundou sua Igreja.

Cremos firmemente na infalibilidade pontifícia, como a definiu, o concílio Vaticano I. Acatamos o poder do Santo Padre o Papa, que é supremo, mas não absoluto, nem sem limites. Este poder é limitado pela Sagrada Escritura, Tradição e definições já proferidas pela Igreja no seu magistério perene, ao qual está subordinado e não pode contradizer; não é arbitrário, nem despótico de maneira e deve ser acatado incondicionalmente, ou a eximir os súditos da responsabilidade pessoal. Obediência incondicional e ilimitada só a Deus devemos.

Nós resistimos às autoridades eclesiásticas quando elas não ilustram a doutrina da Tradição Apostólica e permitem que seja maculada a Fé Imaculada, ou seja, quando trabalham na autodemolição da Igreja, e como consequência desta nossa resistência necessária: nós continuamos a conservar a Santa Missa e todos os sacramentos, doutrina e moral tradicionais, conforme e fiel à tradição católica, sem a qual é impossível agradar a Deus, pelo bem da Santa Madre Igreja e pela salvação das almas.



Em quê e por quê resistimos?


Somos católicos apostólicos romanos e o seremos, com a graça de Deus, até à morte, pois, nenhum poder ou autoridade nos afastará da Santa Igreja.

O motivo de nossa resistência não é o apego ao passado pelo simples fato de ser passado, nem apego às formas  tradicionais, ou medievais, pelo simples de serem antigas; como, por exemplo, o gregoriano, o Latim, a  Liturgia Tridentina, a arte sacra antiga (gótico, barroco). Tudo isso é muito  belo e deve ser conservado. Nem mesmo o motivo de nossa resistência é  somente aqueles abusos e escândalos mais graves de certas personalidades  eclesiásticas.

Não, nossa resistência é por motivos doutrinários, por motivos de Fé: doutrinas, hoje ensinadas e praticadas pelas próprias autoridades eclesiásticas, que são incompatíveis  com o que a Igreja já definiu no passado. Como:

Liberdade religiosa, proclamada no Concílio Vaticano II, que favorece o pluralismo religioso e induz a uma equiparação de direitos entre a verdade e o erro, dando o primado a um suposto direito subjetivo do homem,  independentemente dos direitos absolutos da verdade, do bem e de Deus e  conduz, em conseqüência, à laicização do Estado, tornando-o agnóstico em relação à verdadeira Igreja.

O Ecumenismo – espírito característico e predominante da chamada “Igreja conciliar” – que leva ao esvanecimento da nossa identidade católica, tentando colocar a verdade ao lado do erro em igualdade de condições, aceitando como coisa natural e normal  que a salvação seja possível em qualquer religião, destruindo o espírito de apostolado e conduzindo assim ao indiferentismo religioso e a um pancristianismo, “erro dos mais graves capaz de destruir pela base os fundamentos da Fé católica” (Encíclica Mortalium animos do Papa Pio XI).” 22

A Missa nova, fruto do ecumenismo, porque ela “constitui, tanto em seu  conjunto como em pontos particulares,  um impressionante afastamento da  Teologia católica da Santa Missa, tal como foi definida na sessão XXII do  Concílio de Trento” (Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci a Paulo VI, em  5/10/1969). De fato, o Novo Ordo obscurece as expressões que sublinham  os dogmas eucarísticos, aproximando  a Missa da ceia protestante e não  envolvendo mais uma nítida profissão de fé católica.

A Colegialidade – doutrina do Concílio Vaticano II (“Lumen gentium”),  retomada explicitamente pelo Código  de Direito Canônico (cânon 336),  segundo a qual o Colégio dos Bispos juntamente com o Papa goza  igualmente do poder supremo na Igreja e, isto, de uma maneira habitual e  constante. Esta doutrina do duplo poder supremo é contrária ao ensinamento  e à prática do magistério  da Igreja especialmente no Concílio Vaticano I  (Denz. Sch. 3055) e na Encíclica de Leão XIII, “Satis Cognitum”. Somente  o Papa tem este poder supremo que ele comunica, na medida em que o  julgar oportuno e em circunstâncias extraordinárias, como nos Concílios. 

Temos, portanto, o dever de resistir, às autoridades eclesiásticas, que  tentam impor à Igreja a Missa nova, a liberdade religiosa, o  ecumenismo, a colegialidade. Embora, nossa resistência seja  circunstancial, temporária e restrita aos pontos em que essas  autoridades se afastam da doutrina de sempre.

São inúmeras as citações dos santos e doutores legitimando a resistência às autoridades reconhecidas como tais. Já as citamos em diversos trabalhos  nossos. Recordamos apenas algumas:

São Roberto Belarmino: “É lícito resistir ao Pontífice que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade” (De Romano Pontífice, Lib II, c. 29). Desta afirmação de um santo canonizado e proclamado doutor pela  Igreja, que examinou e aprovou todos os seus escritos, se infere a  possibilidade de o Papa tentar destruir a Igreja e a liceidade da resistência a  ele.  Este mesmo santo aprovou a proposição 15ª dos teólogos de Veneza, que  dizia que  “quando o Soberano Pontífice fulmina uma sentença de  excomunhão que é injusta ou nula, não se deve recebê-la”. Infere-se  igualmente daí a possibilidade e a resistência.

Papa Adriano II: “Honório (papa) foi anatematizado pelos Orientais;  mas deve-se recordar que foi acusado de heresia, único crime que torna  legítima a resistência dos inferiores aos superiores, bem como a rejeição de  suas doutrinas perniciosas” (Alloc. III, lect. In Conc. VIII, act. VII).  

VI Concílio Ecumênico, sobre as cartas do Papa Honório I ao Patriarca  Sérgio:  “Tendo certificado estarem elas em inteiro desacordo com os  dogmas apostólicos e as definições dos  santos concílios e de todos os  Padres dignos de aprovação, e pelo contrário seguirem as falsas doutrinas  dos hereges, nós as rejeitamos de modo absoluto e as execramos como
nocivas às almas” (Denz. Sch. 550).

Papa São Leão II: “Anatematizamos Honório (Papa) que não ilustrou  esta Igreja apostólica com a doutrina da Tradição apostólica, mas  permitiu, por uma sacrílega traição, fosse maculada a Fé imaculada (...) e não extinguiu, como convinha à sua autoridade apostólica, a chama  incipiente da heresia, mas a fomentou por sua negligência (Denz. Sch. 563 e  561).

Papa Leão XIII: “Desde que falta o direito de mandar ou o mandato é  contrário à razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então é legítimo  desobedecer aos homens a fim de obedecer a Deus (Encíclica  Libertas  Praestantissimum, n. 15).

Suarez: “Se o Papa baixar uma ordem contrária aos bons costumes, não  se há de obedecer-lhe; se tentar fazer algo manifestamente oposto à justiça  e ao bem comum, será lícito resistir-lhe” (De fide, dist. X, sect. VI, n. 16).

Papa Félix III: “É aprovar o erro não lhe resistir, é sufocar a verdade  não a defender... Todo aquele que deixa de se opor a uma prevaricação  manifesta pode ser tido como um cúmplice secreto” (citado pelo Papa Leão  XIII, em carta aos bispos italianos, 8/12/1892).

Santo Tomás de Aquino: “Nenhum preceito tem força de lei a não ser  por sua ordem ao bem comum” – “Toda lei se ordena para a comum  salvação dos homens e somente daí tem força e razão de lei, e, na medida  em que falta a isso, não tem força de obrigar” (I-IIae., q. 90 e 96, a 6).

Dom Guéranger: “Quando o pastor se transforma em lobo, compete primeiramente ao rebanho se defender. Normalmente, sem dúvida, a doutrina desce dos bispos ao povo fiel; e aos súditos, na ordem da fé, não  compete julgar seus superiores. Mas há no tesouro da Revelação pontos  essenciais, de que todos os cristãos,  em virtude do seu próprio título de  cristãos, têm o conhecimento necessário e a guarda obrigatória. O princípio não muda quer se trate de crença ou de conduta, de moral  ou de dogma. As traições como as de Nestório são raras na Igreja; mas  pode acontecer que pastores permaneçam silenciosos, por um motivo  qualquer, em circunstâncias em que  a própria Religião  estaria engajada.  Os verdadeiros fiéis são os homens que tiram do seu próprio batismo, em  tais circunstâncias, a inspiração de uma linha de conduta; não os  pusilânimes que, sob pretexto especioso de submissão aos poderes
estabelecidos, esperam para afugentar o inimigo ou para  opor-se às suas investidas, um programa que não é necessário e que não se lhes deve dar” (L’Année Liturgique, na festa de São Cirilo de Jerusalém, p. 339-341).

São Vicente de Lérins: “Muitas vezes procurei informar-me com muito zelo e atenção, junto de um bom  número de homens eminentes pela  santidade e pelo saber a respeito da  seguinte questão: Existe um método  seguro, por assim dizer geral e constante, por meio do qual se possa  discernir a verdadeira Fé católica das mentiras da heresia? E de todos  sempre recebi esta resposta: Se eu ou outrem queremos descobrir logo os sofismas dos hereges, evitar cair nas suas emboscadas e permanecer numa  fé sã (com a ajuda de Deus), sem que nós mesmos fiquemos abalados, seria necessário abrigar esta fé sob uma  dupla muralha: a autoridade da Lei  Divina, em seguida a Tradição da Igreja Católica (...)  “Na própria Igreja Católica, é mister vigiar cuidadosamente para se  ater àquilo que foi crido por toda  a parte, sempre e por todos (quod ubique, quod semper, quod ab omnibus). Porque isto é verdadeiramente  católico...” (Commonitorium).

São Xisto, Papa: em carta que enviou ao bispo de Alexandria, a respeito do heresiarca Nestório: “Dado que, conforme a palavra do Apóstolo, a Fé é  uma – a Fé que vitoriosamente prevaleceu – cremos aquilo que devemos  dizer e dizemos aquilo a que devemos aderir: Nenhuma concessão seja feita  à novidade, porque nada deve ser acrescentado à Antigüidade. Que a fé, a  crença límpida dos antepassados não seja alterada por nenhuma mistura de  lama” (citado por São Vicente de Lérins, Commonitorium, XXXII).20

3 – Exemplo dos Santos:
São Paulo resistindo ao 1º Papa, São Pedro, e publicamente. 

Santo Atanásio, que resistiu ao Papa Libério, não indo a Roma e sendo  por ele excomungado injustamente (Denz. Sch. 138, 141 e 142).

Santo Eusébio, Santo Atanásio e São Teodoro Estudita: “Em razão de  imperiosas necessidades, nem tudo, em momentos críticos onde campeia a  heresia, se faz exatamente conforme se estabeleceu em tempos de paz. Ora,  eis precisamente o que o Bem-aventurado Atanásio e o muito Santo Eusébio  fizeram manifestamente: ambos impuseram as mãos fora dos limites (de sua  jurisdição). Agora também vê-se que  a mesma coisa se passa na heresia  presente” (São Teodoro Estudita – Ano 758-826) (Patrologiae Graecae –  Migne – T. XCIX).

São Gregório Nanzianzeno (+389), reprovou a atitude das autoridades  eclesiásticas face ao arianismo: “Os Pastores agiram como insensatos...”

São Godofredo de Amiens, Santo Hugo de Grenoble, Guido de  Vienne e outros bispos reunidos no Sínodo de Vienne (1112) resistiram  ao Papa Pascoal II, na questão das investiduras:  “Se, como absolutamente  não cremos, escolherdes uma outra via, e vos negardes a confirmar as  decisões de nossa paternidade, valha-nos Deus, pois assim nos estareis  afastando de vossa obediência” citado por Bouix, “Tract. De Papa” t. II, p.  650).

A Igreja, na Ladainha de Todos os Santos pede a Deus:  “Que Vos  digneis conservar na Santa Religião o Sumo Pontífice e todas as Ordens da  Hierarquia eclesiástica, nós vos rogamos, ouvi-nos, Senhor!” Logo é  possível que o Papa venha a se afastar da Santa Religião.